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Entenda como ocorre a transição entre TIC Trens e CPTM na linha 7 (ÁUDIO)

Da esquerda para a direita; o gerente executivo de operação da TIC Trens, Erick Nicolau; gerente geral de operação da CPTM, Iran Leão; e o superintendente da Artesp, Jelson Siqueira.

Concessionária assume em 26 de novembro integralmente, mas na próxima semana, Comporte e CRRC já começam a operar. Não haverá aumento de oferta para o passageiro e treinamento está em prazo maior para evitar o trauma com início da ViaMobilidade nas linhas 8 e 9

ADAMO BAZANI

Gravações Mário Curcio

A linha 7-Rubi, atualmente de operação estatal pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) passa a ser atendida integralmente pela concessionária TIC Trens a partir de 26 de novembro de 2025. Mesmo assim, ainda por mais seis meses, funcionários da CPTM continuarão incorporados aos quadros de trabalhadores da linha.

A informação foi confirmada em entrevista coletiva para explicar a transição da qual o Diário do Transporte participou.

O passageiro deve se preparar: Com o fim do Serviço 710, na próxima quinta-feira (28), que até então unia as linhas 7 e 10 sem necessidade de troca de trens, o tempo de viagem vai ser ampliado.

Quem admitiu foi o gerente de operação da CPTM, Iran Leão.

Devem ser seis minutos em média a mais porque será necessário trocar de trens na estação Barra Funda, pelas plataformas 5 e 6 que ficam lado a lado. Parece pouco, mas em viagens metropolitanas é muita coisa, isso sem contar que nos horários fora de pico pode-se perder mais tempo ainda.

“Aproveito para fazer um ajuste nisso tudo. Esses dois minutos e cinquenta que nós falamos é o que nós trabalhamos para deixar a plataforma livre. Em pouco tempo, a plataforma vai estar em boas condições novamente, livre, dois minutos e cinquenta. O intervalo, como você mencionou, é de seis minutos. Eu posso ser um sujeito azarado, eu posso chegar aqui, aquele trem ter partido imediatamente, antes de eu poder fazer a transição em nível. Quanto tempo eu vou demorar para embarcar novamente? Seis minutos. Então esse é o gap (buraco) que a gente pode ter em relação a essa diferença entre um e outro.”

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Além disso, não haverá reforço de oferta de trens nos outros trechos. Por causa da sinalização e controle de trens, que são de tecnologia antiga, ainda não será possível aumentar a frota. Continuam, no pico, 15 trens como sempre na linha 10, com intervalos de seis minutos, e 21 composições na 7, também com seis minutos de intervalo nos horários de maior movimento.

Outro fator é que não há garantia de coordenação de saída entre os trens das linhas 7 e 10 em todas as viagens.

“Nós vamos procurar ajustar a chegada de partida. Nós não podemos ter um trem parado na estação. Nós trabalhamos com intervalos, nós não trabalhamos com uma grade horária definida. Então, sempre que possível, e vai ser possível, nós vamos adequar chegadas e partidas no menor intervalo possível.”

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A concessão da linha 7-Rubi faz parte do contrato de construção e operação de um trem regional (TIC – Trem Intercidades), entre a capital paulista e a região de Campinas, no interior do Estado, vencida em leilão pelo consórcio formado pelo Grupo Comporte, da família de Constantino de Oliveira, o maior frotista de ônibus do Brasil e, e a fabricante chinesa de trens, CRRC.

As mudanças operacionais sentidas pelos passageiros começam já na segunda-feira, 25 de agosto de 2025, com a linha 11-Coral sendo prolongada da Luz para a Barra Funda, de 8h às 15h30 e de 20h a 00h, inicialmente em testes.

Mas é na quinta-feira, dia 28 de agosto de 2025, que ocorre a mudança mais controversa nesta fase inicial. O Serviço 710, que une as linha 7-Rubi e 10 Tuquesa, sem necessidade de troca de trens, vai acabar. Isso porque a linha 10 continua sendo operada pelo Estado, pela CPTM, e a linha 7 passa a ser de responsabilidade da família da família Constantino.

O fim do Serviço 710 é criticado por passageiros e especialistas em transportes.

O Diário do Transporte conversou com o consultor internacional e vice-presidente da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), Cláudio de Senna Frederico, que afirmou este desmembramento é um dos sinais de que, na prática, o projeto de elevar o atendimento da CPTM a padrões de metrô foi abandonado. Segundo Frederico, o conceito “hub ferroviário” para trens metropolitanos já não se aplica mais aos principais sistemas de trilhos do mundo. O Governo do Estado diz que a Estação Barra Funda vai se transformar nesse tipo de “hub”.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2025/08/20/entrevista-especialista-critica-fim-do-servico-710-e-diz-que-hub-ferroviario-nao-faz-mais-sentido-para-trens-metropolitanos/

De acordo com o gerente executivo de operação da TIC Trens, Erick Nicolau, os passos da transição estão sendo os seguintes:

– Em maio de 2024, foi assinado contrato entre a TIC Trens e o Governo do Estado;

– Nos seis meses seguintes foi montada a estrutura da nova gestão da linha pela TIC Trens;

– Em seguida, ocorreu a chamada “Capacitação de Multiplicadores, com a transferência de conhecimento de funcionários da CPTM para os da concessionária;

– Em março de 2025, começou o treinamento de 800 funcionários;

– 25 de agosto de 2025:, início das operações assistidas com atuação da TIC Trens a partir de 28 de agosto de 2025, marcando o fim do Serviço 710 (Linhas 7 e 10);

– 26 de novembro de 2025: início da operação integral da TIC Trens, entretanto por mais seis meses, funcionários da CPTM continuarão incorporados aos quadros de trabalhadores da linha.

O treinamento está em prazo maior do que ocorreu com a concessão das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda para evitar os traumas do início da atuação da ViaMobilidade nestas linhas, marcado por acidentes e falhas constantes.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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