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Desoneração e subsídio federal são defendidos por Curitiba (PR) para transporte mais eficiente

Foto: Ricardo Matu/Ônibus Brasil

Prefeito Eduardo Pimentel cobra apoio da União e anuncia nova concessão com foco em eletromobilidade e integração metropolitana

ARTHUR FERRARI

Durante evento realizado nesta quarta-feira (06), o prefeito de Curitiba (PR), Eduardo Pimentel, reforçou a necessidade de o governo federal assumir responsabilidades sobre o financiamento do transporte coletivo no Brasil. Ele defendeu a desoneração da folha de pagamento para a aquisição de veículos menos poluentes, como os ônibus elétricos, e o subsídio da gratuidade dos idosos, que atualmente recai sobre os municípios, mesmo sendo garantida por legislação nacional.

“São questões importantes para a sustentabilidade do serviço prestado à população, que temos discutido também no âmbito da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos. O governo federal precisa entrar na discussão do transporte coletivo com mais força, porque esta conta está toda nas mãos dos municípios”, afirmou o prefeito Eduardo Pimentel.

As declarações ocorreram durante um encontro promovido pela Urbs (Urbanização de Curitiba), com apoio da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), do Google e da empresa Bus2. O evento, realizado no espaço Imap do Parque Barigui, reuniu representantes de 14 prefeituras para debater o uso de dados no aprimoramento do transporte público.

Na ocasião, Pimentel também anunciou que o edital da nova concessão do sistema de transporte de Curitiba será lançado em novembro, com leilão previsto para janeiro. O projeto contempla renovação da frota, investimentos em mobilidade elétrica e expansão das conexões entre os municípios da Região Metropolitana. O prefeito mencionou, por exemplo, a recente integração entre os bairros Tatuquara, Araucária e Fazenda Rio Grande, que proporcionará até 40 minutos de economia no deslocamento diário dos passageiros.

O presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto, destacou a importância da estruturação de uma base nacional de dados sobre o transporte coletivo. Segundo ele, em 2022, dos R$ 2,5 bilhões destinados à gratuidade de idosos, R$ 1 bilhão não foi acessado por prefeituras que não tinham bilhetagem eletrônica ou dados organizados. Ele também pontuou que essa consolidação de informações é essencial para viabilizar o Marco Legal do Transporte Público, previsto no PL 3278/2021 em tramitação no Congresso Nacional.

“Sem dados não é possível fazer política pública”, acrescentou João Lucas Albuquerque, gerente de mobilidade urbana da FNP.

Segundo Maia Neto, ajustes realizados em linhas com base em análise de dados já trouxeram ganhos efetivos em Curitiba. Foi possível elevar a frequência das viagens em até 35% em determinadas rotas, como Interbairros V, Boqueirão/Centro Cívico e Guilhermina, mesmo sem ampliar o número de veículos.

Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte

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