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Campinas (SP) já conta com 40 dos 60 ônibus do segundo lote de renovação da frota em operação

Novos veículos atendem linhas dos bairros Fazendinha, São Jorge e Universal; cidade terá 110 ônibus entregues em 2025 como parte da modernização do transporte coletivo

ALEXANDRE PELEGI

Campinas (SP) atingiu nesta sexta-feira, 1º de agosto de 2025, a marca de 40 ônibus em circulação do segundo lote de renovação da frota do transporte público. Nove novos veículos começaram a operar nas linhas 251 (Parque Fazendinha), 252 (Parque São Jorge) e 254 (Parque Universal), com três unidades em cada linha. Juntas, essas linhas transportam cerca de 3,6 mil passageiros em dias úteis.

Os veículos seguem o padrão Euro 6, têm quatro portas, ar-condicionado, tomadas USB e capacidade para 33 passageiros sentados e 29 em pé. Medem 12,7 metros de comprimento e possuem motor de 208 cv de potência. O investimento é da empresa Campibus, integrante do Consórcio Cidade de Campinas (Concicamp). A definição das linhas ocorreu em conjunto com a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) e a Secretaria de Transportes (Setransp), a partir de estudos de demanda e monitoramento da operação.

Entre os dias 28 e 31 de julho, outros 31 ônibus já haviam sido incorporados em linhas que atendem as regiões do Campo Grande e Nova Aparecida, beneficiando mais de 13 mil passageiros por dia. Com a chegada de mais 20 veículos nas próximas semanas, a Campibus completará a entrega de 60 novos ônibus, renovando 54% de sua frota operacional (110 veículos). Incluindo a frota reserva, a empresa conta atualmente com 131 ônibus.

A renovação faz parte de um pacote maior: em abril, 50 novos ônibus já haviam sido entregues pelas empresas VB Transportes e Onicamp Transporte Coletivo, destinados às linhas dos eixos Ouro Verde, Nova Europa, Parque Jambeiro e Swiss Park. Somadas as entregas, Campinas chegará a 110 ônibus novos em 2025.

A modernização total da frota está vinculada à nova licitação do transporte coletivo de Campinas, que prevê a substituição de 100% dos veículos, incluindo os ônibus do BRT. O edital prevê que toda a frota tenha ar-condicionado, Wi-Fi, tomadas USB, câmeras de monitoramento (CFTV), GPS e terminais de computador de bordo. A licitação foi estruturada para definir novos contratos de concessão, com exigências de eficiência operacional e melhoria na qualidade do serviço ao longo da vigência contratual.

Motivos da demora da licitação

A nova licitação do transporte coletivo em Campinas tem enfrentado significativos atrasos, resultando em um cronograma estendido. Diversos fatores contribuíram para essa demora.

Um dos principais motivos foi o edital inicial, considerado excessivamente exigente e economicamente inviável. Em setembro de 2023, o certame não recebeu nenhuma proposta, o que a Prefeitura de Campinas atribuiu ao desinteresse das empresas em função de um modelo econômico pouco atrativo e rígido demais.

O processo também foi suspenso pela Justiça e pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP). Em maio de 2023, o TCE suspendeu o certame após receber 50 questionamentos de empresas interessadas, exigindo alterações em 14 pontos técnicos do edital. Essa intervenção atrasou a publicação da versão revisada do edital para julho de 2023.

A necessidade de ampla participação social e uma consulta pública prolongada também alongou o cronograma. A minuta do edital ficou disponível para contribuições por aproximadamente 90 dias, entre abril e julho de 2023, com diversas audiências públicas. Embora considerado necessário para a legitimidade, esse processo tornou o cronograma mais longo.

Após o fracasso da sessão de propostas, a Prefeitura precisou buscar apoio técnico especializado e realizar uma revisão constante. Para reestruturar a modelagem econômico-financeira e técnica do edital, a Prefeitura contratou a FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) por mais de R$ 1,2 milhão e a ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) por cerca de R$ 797 mil. Esse processo técnico exigiu tempo adicional para sua conclusão.

Por fim, denúncias, questionamentos e indefinições jurídicas impactaram o cronograma. O edital enfrentou cerca de 20 ações judiciais, além de questionamentos e exigências técnicas e de transparência feitas pelo tribunal e empresas participantes. Embora nenhum caso tenha sido acolhido judicialmente para paralisar a concorrência, a tramitação desses processos atrasou o cronograma original.

Histórico

Dezembro 2022: publicação do primeiro edital de licitação após ampla fase de consulta pública e estudos técnicos com apoio da FIPE e WRI/TUMI

Maio 2023: TCE-SP suspende o processo após 50 questionamentos técnicos; determina alterações em 14 pontos do edital

14 de julho de 2023: novo edital publicado com as alterações exigidas pelo TCE

20 de setembro de 2023: abertura de envelopes ocorre, mas nenhuma empresa apresenta proposta — a licitação é declarada deserta

Outubro 2023: nova fase de consulta pública é aberta, com 131 manifestações recebidas, visando revisar detalhamentos do edital

Agosto 2024: Prefeitura autoriza contratos para revisão da modelagem com a FIPE e ANTP

Março–Abril 2025: nova minuta do edital é publicada em consulta pública (iniciada em abril por 92 dias), com previsão de proposta final ainda em 2025

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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