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Prefeitura de São Paulo cria Grupo de Trabalho Intersetorial para regulamentar “carros voadores”

Conhecidos pela sigla eVTOLs, veículos movidos por baterias e motores elétricos são projetados para deslocamentos rápidos dentro de cidades ou em curtas distâncias entre centros urbanos

ALEXANDRE PELEGI

A Prefeitura de São Paulo criou um Grupo de Trabalho Intersetorial (GTI) com a missão de desenvolver estudos técnicos e propor diretrizes e instrumentos regulatórios para a viabilidade, implantação e operação de eVTOLs no município.

A sigla eVTOL, do inglês “Electric Vertical Take-Off and Landing”, ou “Decolagem e Pouso Vertical Elétrico” em português, refere-se a aeronaves elétricas capazes de decolar e pousar verticalmente, sem a necessidade de pistas, como os helicópteros, mas com motores elétricos. Vistos como uma alternativa promissora e mais sustentável para a mobilidade aérea nas próximas décadas, eles são projetados para deslocamentos rápidos dentro de cidades ou em curtas distâncias entre centros urbanos, movidos por baterias e motores elétricos.

A iniciativa da prefeitura, expressa na Portaria SGM nº 181, de 7 de julho de 2025, considera a crescente relevância global da Mobilidade Aérea Avançada (Advanced Air Mobility – AAM) e dos eVTOLs como uma solução de transporte urbano sustentável e eficiente. Além disso, a cidade reconhece o potencial dos eVTOLs para expandir a oferta de transporte, reduzir o tempo de deslocamento e contribuir para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa, alinhando-se com compromissos internacionais e políticas públicas de sustentabilidade.

A portaria, assinada por Edson Aparecido dos Santos, Secretário do Governo Municipal, ressalta que São Paulo possui uma posição estratégica para o desenvolvimento da mobilidade aérea do futuro, abrigando a maior frota de helicópteros do país.

O GTI será composto por representantes de diversas secretarias municipais e órgãos da administração pública, incluindo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (SMDET), a Secretaria Municipal de Governo (SGM), e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), entre outros. Cada órgão municipal indicará dois representantes, um titular e um suplente, para participar ativamente das atividades do grupo. O prazo para a conclusão dos trabalhos do GTI é de 12 meses, podendo ser prorrogado mediante justificativa fundamentada.

DIFICULDADES À VISTA

A implantação de carros voadores em ambientes urbanos enfrenta diversas dificuldades significativas, que o GTI terá de estudar. As principais barreiras para a operacionalização desses veículos nas cidades incluem desafios regulatórios, de infraestrutura, de aceitação social e de custos.

Desafios Regulatórios: A regulamentação é uma das principais dificuldades. É essencial definir normas claras para o tráfego aéreo urbano, incluindo a criação de corredores de voo e padrões de segurança. Além disso, essa nova regulamentação precisa ser integrada com a infraestrutura existente e os sistemas de controle de tráfego aéreo atuais.

Infraestrutura: A necessidade de desenvolver infraestrutura específica é outro obstáculo. Isso inclui a construção de vertiportos (locais de pouso e decolagem para veículos de decolagem e pouso vertical).

Aceitação Social: A aceitação pela população pode ser um grande desafio. Preocupações relacionadas à segurança dos voos e ao ruído gerado pelos carros voadores podem afetar negativamente a aceitação social.

Custos: O preço será uma das principais dificuldades para a operacionalização.

EMBRAER

Enquanto a regulamentação avança, a indústria aeronáutica brasileira, com destaque para a Eve Air Mobility, empresa da Embraer, segue em ritmo acelerado no desenvolvimento de seu próprio eVTOL. O protótipo em escala real do eVTOL da Eve foi apresentado em 2024. A aeronave conta com oito rotores para voo vertical, usados na decolagem e no pouso, e asas fixas para deslocamento na fase de cruzeiro. Em janeiro, já foi realizado o primeiro teste do pusher, o motor localizado na cauda responsável pela propulsão durante o voo de cruzeiro.

Cerca de mil profissionais, entre engenheiros, técnicos e pesquisadores, dedicam-se em tempo integral ao desenvolvimento do eVTOL. A produção do eVTOL da Eve está planejada para uma fábrica em Taubaté, no interior paulista, com uma produção inicial de 120 unidades por ano, que poderá ser expandida para 480 unidades anuais conforme a demanda do mercado. A empresa já acumula uma carteira de 2,8 mil intenções de compra, a maior do segmento. A expectativa da Eve é que seu eVTOL comece a voar com passageiros em 2027.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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