Ícone do site Diário do Transporte

Governo de SP e Grupo Comporte assinam contrato de concessão das linhas 11, 12 e 13 da CPTM

Trivia Trens assume a operação plena das Linhas 11, 12 e 13 da CPTM a partir de meados de 2026, após um período de transição que inclui 12 meses de operação assistida pela CPTM

Lote Alto Tietê prevê R$ 14,3 bilhões em investimentos, com novas estações e redução significativa dos intervalos dos trens

ALEXANDRE PELEGI

O Governo de São Paulo, através da Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), oficializou a assinatura do contrato de concessão patrocinada referente ao Lote Alto Tietê. O contrato foi divulgado nessa quinta-feira, 22 de maio de 2025, no Diário Oficial.

A empresa vencedora do leilão, realizado na B3, foi a Trivia Trens, integrante do Grupo Comporte Participações S.A.. O contrato estabelece uma Parceria Público-Privada (PPP) com vigência de 25 anos e projeta investimentos da ordem de R$ 14,3 bilhões.

A nova concessionária foi constituída em 14 de abril de 2025, com registro na Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP), e terá como foco o transporte ferroviário de passageiros nas esferas municipal e metropolitana. A estrutura societária é composta por membros da família Constantino, incluindo Constantino de Oliveira Junior, Henrique Constantino, Joaquim Constantino Neto e Ricardo Constantino.

O conglomerado é liderado pela família do fundador da GOL, Constantino de Oliveira, detém 7 mil ônibus em todo o País, com empresas como Viação Piracicabana, Penha e Expresso União; assumiu recentemente TIC (Trem Intercidades), incluindo a linha 7-Rubi, e detém outras concessões de trilhos, como o Metrô da Grande Belo Horizonte e o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) entre Santos e São Vicente, no Litoral Paulista.

Relembre:

Quem é o Grupo Comporte, vencedor do leilão das linhas 11, 12 e 13? – O gigante em ônibus se torna grande nos trilhos

A concessão abrange as operações e melhorias das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM, além do Serviço Expresso Aeroporto. O objetivo central é modernizar o transporte público nas zonas Leste, Alto Tietê e em Guarulhos, beneficiando diretamente o deslocamento para o Aeroporto Internacional de Guarulhos.

As intervenções planejadas são extensas e incluem:

Construção de dez novas estações.

Reforma de 24 estações já existentes.

Reconstrução completa de outras quatro estações.

Ampliação da malha ferroviária em mais de 20 quilômetros.

Detalhes das expansões por linha:

A Linha 11-Coral será estendida em 4 km até a Estação César de Sousa, em Mogi das Cruzes, incluindo uma nova parada e ampliação do serviço até a Barra Funda.

A Linha 12-Safira terá seu percurso expandido em 2,7 km, chegando até Suzano.

A Linha 13-Jade receberá 15,6 km de novos trilhos, conectando-se aos bairros de Gabriela Mistral (zona leste da capital) e Bonsucesso (Guarulhos), atendendo a uma antiga demanda da população.

Com estas melhorias na infraestrutura e operação, a projeção é que as três linhas, juntas, transportem aproximadamente 1,3 milhão de passageiros por dia até o ano de 2040. Um dos grandes benefícios esperados é a redução significativa dos intervalos entre os trens, o que resultará em maior eficiência e melhoria na qualidade da vida dos usuários, facilitando o acesso ao trabalho e impulsionando o desenvolvimento econômico na Região Metropolitana.

Os novos intervalos previstos incluem:

Linha 11-Coral: 3 minutos entre Palmeiras-Barra Funda e Suzano, e 6 minutos entre Suzano e Cesar de Sousa.

Linha 12-Safira: Redução de 5 para 3 minutos e 15 segundos entre Brás e Itaquaquecetuba, e de 10 para 6,5 minutos entre Itaquaquecetuba e Suzano.

Linha 13-Jade: Intervalo fixo de 10 minutos.

Expresso Aeroporto: Passará a operar com viagens a cada 30 minutos no horário de vale e a cada 1 hora nos horários de pico.

Após a assinatura do contrato, inicia-se um período de 60 dias para sua data de eficácia. Segue-se uma fase pré-operacional de 12 meses, dedicada a treinamentos, adaptação tecnológica e à assunção gradual da operação pela concessionária, garantindo uma transição segura de responsabilidades com a CPTM. Esta fase também inclui estudos de resiliência climática. Concluída esta etapa, começa a fase operacional, que inicialmente conta com 12 meses de operação assistida, período em que a CPTM acompanha e supervisiona a concessionária. Somente após essa fase, a operação comercial plena é iniciada, com a concessionária assumindo a gestão integral.

A fiscalização de todo o contrato ficará sob a responsabilidade da Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp).

Esta concessão é parte integrante do programa SP nos Trilhos, que engloba mais de 40 projetos para expandir a malha ferroviária paulista, incluindo trens urbanos, Trens Intercidades (TICs) e Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs).

De acordo com o Governo do Estado de São Paulo, o conjunto dessas iniciativas representa mais de R$ 190 bilhões em investimentos e abrange mais de mil quilômetros.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

 

Sair da versão mobile