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Metrô registra 30,2% de aumento da receita operacional líquida em 2024 graças a reajuste da tarifa em 13,6%, de R$ 4,40 para R$ 5,00

De 2023 a 2024, companhia metroviária subiu o número de passageiros transportados em 4,5%, passando de 851,2 milhões para 889,8 milhões

ALEXANDRE PELEGI

O Metrô de São Paulo encerrou o ano de 2024 com resultados que apontam para uma recuperação financeira e um aumento do número de passageiros transportados, conforme detalha o relatório da administração divulgado no Diário Oficial do Estado nesta segunda-feira, 07 de abril de 2025.

No que qualifica de um “cenário desafiador“, a companhia informa ter adotado uma gestão baseada em “austeridade e responsabilidade“, alcançando marcos importantes tanto na sustentabilidade econômica quanto na qualidade do transporte oferecido à população.

Um dos principais destaques do relatório é a recuperação da margem EBITDA, indicador financeiro que mostra a lucratividade operacional de uma empresa, que registrou crescimento de 19,7% em relação a 2023, retornando a um “patamar positivo“. Este avanço foi possível graças ao “aumento da receita e da otimização de custos“, sem que a qualidade e a eficiência do serviço fossem comprometidas, afirma o Relatório de Administração da Companhia.

A receita operacional líquida da estatal atingiu R$ 3,02 bilhões em 2024, um aumento de 30,2% em comparação com os R$ 2,32 bilhões do ano anterior. Este incremento na receita foi impulsionado principalmente pelo reajuste tarifário de R$ 4,40 para R$ 5,00, implementado em 1º de janeiro de 2024, e pelo reconhecimento de receita referente a créditos de passagens não utilizados, o chamado “breakage“.

“A principal fonte de recursos da Companhia proveniente da atividade operacional é a prestação de serviço de transporte de passageiros, composta por receita tarifária e ressarcimento de gratuidade. Esta representou 91% da receita operacional bruta de 2024“, diz o relatório.

No que tange à infraestrutura, 2024 foi marcado pelo “maior investimento da história na expansão da rede“, com a aplicação de R$ 4,2 bilhões nas obras de ampliação das linhas 2-Verde e 15-Prata, além da continuidade da construção da Linha 17-Ouro.

Malha metroviária não cresceu, mas o número de passageiros sim

Ainda segundo o relatório do Metrô de SP, a eficiência na gestão dos recursos públicos se refletiu na utilização de 90% do orçamento destinado a investimentos. A malha metroviária operada pelo Metrô manteve seus 71,4 km de extensão, com 63 estações e 4 linhas, sendo utilizada por uma média de 2,94 milhões de passageiros em dias úteis de 2024, totalizando 889,8 milhões de passageiros transportados ao longo do ano. O total anual de passageiros transportados pelo Metrô de São Paulo foi de 0,85 bilhão em 2023 e 0,89 bilhão em 2024.

O Metrô afirma ainda que a “excelência nos serviços” foi reconhecida pelo público: pelo sétimo ano consecutivo, a companhia foi eleita o Melhor Serviço Público de São Paulo pelo Datafolha, alcançando uma aprovação de 76% dos passageiros, a maior de sua história. A estatal paulista atribui este reconhecimento às iniciativas de modernização da rede, como a instalação de portas de plataforma e a incorporação de novos trens na Linha 15-Prata.

A sustentabilidade socioambiental também ganhou destaque em 2024 com o lançamento do projeto de autogeração de energia, que a partir de 2027 garantirá o abastecimento de toda a operação com fontes renováveis. Esta iniciativa visa não apenas reforçar o compromisso ambiental da empresa, mas também reduzir custos operacionais, tornando a Companhia mais eficiente e sustentável.

Prejuízo reduziu

Apesar dos avanços, o Metrô reportou um prejuízo de R$ 348 milhões no exercício de 2024, uma redução significativa de 61,3% em relação ao prejuízo de R$ 900 milhões registrado em 2023. O relatório também aborda os desafios legais enfrentados pela companhia, incluindo as denúncias de cartel no setor metroferroviário e na Operação Lava Jato. A empresa tem buscado indenizações decorrentes dessas práticas e acompanha de perto o andamento dos processos judiciais.

Estratégia longo prazo

Olhando para o futuro, o Metrô definiu uma estratégia de longo prazo para o período de 2025-2029 com foco na “Perenidade”. Os objetivos estratégicos incluem a manutenção do equilíbrio financeiro, a busca por excelência no mercado de serviços de engenharia de mobilidade, a garantia da eficiência operacional e a retenção de conhecimentos críticos.

Um marco importante para a companhia é que, a partir de 1º de janeiro de 2025, o Metrô voltou a ser classificado como empresa estatal não dependente, um reflexo dos esforços empregados na gestão econômico-financeira.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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