Empresa também lidera acumulado nacional no mercado de ônibus elétricos, com mais 81 unidades operando em outras cidades e não oferece apenas versões com baterias: E-Trol e trólebus também integram portfólio. São 290 trólebus em todo o País e haverá ao menos 92 E-Trol
ADAMO BAZANI
A cidade de São Paulo deve receber nos próximos meses ao menos outros 121 ônibus elétricos com tecnologia nacional produzidos pela Eletra Industrial, com sede em São Bernardo do Campo (SP).
A revelação foi feita na tarde desta sexta-feira, 04 de abril de 2025, pela empresa à reportagem do Diário do Transporte.
Com isso, segundo a Eletra, já são 425 ônibus elétricos com baterias da marca comercializados para as concessionárias que operam as linhas gerenciadas pela SPTrans (São Paulo).
Deste total, 304 já foram entregues, o que significa liderança no sistema paulistano, correspondendo a mais da metade (57,68%) da frota de 527 ônibus elétricos municipais.
Somente neste novo lote, de 115 veículos apresentados pela prefeitura na última quinta-feira, 03 de abril de 2025, a Eletra comercializou 60 unidades, das quais 48 exibidas no evento pelas empresas, como mostrou o Diário do Transporte:
Relembre:
CAPITAL PAULISTA TERÁ MAIS UM MODELO DA ELETRA:
A Eletra possui aprovados pela SPTrans três versões de modelos:
– 12,1 m BÁSICO – dois eixos
– 15 m PADRON – três eixos
– 21,5 m ARTICULADO – quatro eixos.
No próximo mês, a Eletra deve apresentar um mais um modelo para a SPTrans: um padron de 12,5 m, que possui maior capacidade que o básico atual.
O veículo será avaliado pela gestora municipal para logo ser liberado para operação.
MERCADO NACIONAL:
A cidade de São Paulo, de acordo com a prefeitura, detém 82% da frota nacional de ônibus elétricos do País. O dado tem como base a plataforma internacional E-bus, que contabiliza os ônibus eletrificados em todo o mundo.
A Eletra diz que, assim como ocorre na capital paulista, lidera o mercado nacional com a maior quantidade dos coletivos elétricos: 81 no total.
Os sistemas com veículos da marca são:
Bertioga (SP) – 01
Guarujá (SP) – 03
Osasco (SP) – 01
São Bernardo do Campo (SP) – 01
Sorocaba (SP) – 03
Vargem Grande Paulista (SP) – 03
Goiânia (GO) – 12
Manaus (AM) – 02
Salvador (BA) – 08
Vitória (ES) – 04
Porto Alegre (RS) – 04
Belém (PA)- 40
ALÉM DOS MODELOS SOMENTE COM BATERIA:
A Eletra também destaca que, apesar de o mercado neste momento procurar mais pelos modelos com bateria do tipo plug-in (de carregamento externo), a empresa possui no portifólio outras versões de ônibus elétricos.
E-Trol:
Uma destas tecnologias é conhecida como E-Trol, que é um ônibus que funciona com baterias e conectado à fiação de rede aérea.
A vantagem, segundo a Eletra, é que o E-Trol tem a mesma flexibilidade do ônibus com baterias e as mesmas vantagens econômicas dos trólebus, com o conceito de “recarga de oportunidade”.
Enquanto trafega conectado à rede, carrega as baterias para operar nos trechos fora da fiação.
Com isso, pode ter um banco de baterias menor, sendo mais leve e podendo custar até 30% menos, dependendo da configuração.
Outra vantagem é que, pelo veículo carregar enquanto trabalha, as garagens para o E-Trol podem ter uma estrutura bem reduzida ou nenhuma de carregadores e transformadores internos.
O BRT-ABC, sistema de corredores de alta capacidade que está em construção entre o ABC Paulista e a cidade de São Paulo, deve contar com 92 unidade do E-Trol, com 21,5 metros cada e capacidade para quase 200 passageiros. A inauguração está prevista para ocorrer entre o fim de 2025 e início de 2026.
Trólebus:
A Eletra também reúne quase a totalidade de trólebus que circulam no Brasil atualmente.
São 290 unidades, das quais 101 operando o transporte metropolitano no Corredor ABD entre o ABC Paulista e a capital, pela empresa NEXT Mobilidade, e 189 na cidade de São Paulo pela empresa Ambiental Transportes Urbanos. O número de 189 trólebus da capital corresponde a 94,2% da frota de 201 trólebus que rodam nas linhas gerenciadas pela SPTrans (São Paulo Transporte).
No Corredor ABD, estão em testes 10 trólebus da nova geração da marca, de 21,5 metros de comprimento, como mostrou o Diário do Transporte.
Relembre:
INDÚSTRIA NACIONAL:
Diretora da Eletra, Ieda Oliveira
Presidente da Eletra, Milena Braga Romano; motorista de ônibus elétrico; e prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, em evento de 03 de abril de 2025.
A Eletra atua há mais de 30 anos no segmento de transportes não poluentes.
“A Eletra se consolidou como maior fabricante de ônibus elétricos do País. Com isso, temos contribuído para a redução das emissões, mas não somente isso. Para a qualificação dos transportes nas cidades já que os ônibus elétricos são mais confortáveis, quase não emitem ruídos, as trepidações são bem menores. As viagens se tornam mais agradáveis” – disse a presidente da Eletra, Milena Braga Romano.
“A Eletra é uma empresa genuinamente brasileira, com 100% de capital nacional, e os nossos ônibus trazem o DNA da força do Brasil como protagonista da tecnologia limpa em transportes sobre pneus na América Latina. Para se ter uma ideia, 93% dos componentes dos ônibus da Eletra são produzidos no Brasil. É a Eletra contribuindo para a sustentabilidade como um todo; para o meio ambiente ao contribuir para a redução de emissões, e com os pilares econômicos e sociais da sustentabilidade, com a geração de emprego e renda para os brasileiros e ampliando o valor agregado dos produtos de nosso País no mercado global. Neste cenário, a cidade de São Paulo é destaque.” – complementou a diretora da Eletra, Ieda Oliveira.
Entre os feitos que a empresa relaciona, ao longo da história, estão ser a responsável por produzir, em 1999, o primeiro ônibus elétrico híbrido do Brasil, com tecnologia totalmente nacional: um modelo articulado de 18 m.
A companhia também atua no segmento de retrofit até hoje, que é converter ônibus a diesel em elétricos.
O Diário do Transporte já havia noticiado também, durante cobertura da feita de mobilidade LAt.Bus, em agosto de 2024, que a NEXT Mobilidade, com a Eletra, iniciou a conversão de 10 ônibus articulados usados a diesel de 18 metros em trólebus, o que vai reduzir as emissões de poluentes no corredor
Não é a primeira vez que a fabricante faz este tipo de mudança de tecnologia, chamada no mercado de retrofit ecológico.
Entre 2011 e 2012, a Eletra transformou seis ônibus Busscar Urbanuss Pluss Volvo B 10M a diesel, ano 2001, em trólebus, que receberam os prefixos de 8150 a 8155.
Segundo a empresa, este tipo de conversão traz duas vantagens ambientais imediatas: zera a emissão de poluentes por substituir uma fonte fóssil de tração por eletricidade (e sem necessidade de grandes bancos de bateria pelo modelo ser trólebus) e evita o descarte dos ônibus a diesel (que já chegam ao limite de idade, mas como trólebus podem ter vida útil prolongada). Se estes ônibus não fossem descartados para desmanche, mas vendidos para outras empresas, estariam poluindo onde rodariam.
Relembre:
Diário do Transporte no ar da Rádio Bandeirantes: Nunes comenta risco de apagão nos transportes de São Paulo
ASSISTA NO YOUTUBE:
No dia 03 de abril de 2025, o Diário do Transporte conversou com o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, durante a apresentação de 115 ônibus elétricos novos para cidade. Nunes admitiu: “São Paulo pode sofrer um apagão nos transportes por falta de ligação e ajuste de tensão pela ENEL da rede de energia às garagens”.
Foram 115 ônibus apresentados, mas poderiam ser 165. Do lote novo, 50 ficaram prontos, mas não podem rodar.
O repórter e editor do Diário do Transporte, adamo Bazani, entrou ao vivo no programa Pulo do Gato, da Rádio Bandeirantes, com Pedro Campos e Silvania Alves, na edição de 04 de abril de 2025.
VÍDEOS: Ainda faltam mais opções de micros, mídis e articulados no mercado de ônibus elétricos. A questão não é só infraestrutura
Prefeito de São Paulo admitiu que, pela falta de infraestrutura atribuída à ENEL, capital paulista corre risco de ter “apagão no transporte”, mas também SPTrans ainda não aprovou uma gama maior de modelos de ônibus e também a oferta por parte da indústria é mais ampla nos padrons
ADAMO BAZANI
Colaborou Vinícius de Oliveira
VÍDEOS E FOTOS AO FIM DA REPORTAGEM
Todos os 115 ônibus elétricos zero quilômetro apresentados nesta quinta-feira, 03 de abril de 2025, pela prefeitura de São Paulo e por empresas da cidade, apesar de diferentes marcas, têm uma coisa em comum: todos são dos tipos básico ou padron, de 12 metros a 13,5 metros na versão de dois eixos e de 15 metros na versão de três eixos.
Também é o tipo de ônibus mais presente na frota até agora dos 527 ônibus elétricos da capital paulista.
Entretanto, formada por diferentes subsistemas de transportes, a malha de linhas da cidade de São Paulo carece de modelos de ônibus variados, desde os micros e mídis (micrões) para linhas de bairros mais afastados (subsistema local) até articulados e biarticulados para os corredores (subsistema estrutural).
Ocorre que, tirando os padrões, há ainda poucas ou nenhuma opção aprovada pela SPTrans de modelos nos dois extremos: na ponta dos menores e entre os maiores. O mesmo vale para todo o mercado brasileiro. Não é que não existam opções, mas tanto as empresas de ônibus (operador de transportes), como o gestor (secretarias, prefeituras, empresas públicas e mistas de gerenciamento), querem e precisam de uma oferta maior, ter um leque maior.
E a questão tem a ver com o custo das duas pontas: um ônibus menor tem menos capacidade de transportes e menor retorno financeiro, fora que pouco espaço para as baterias. Os maiores precisam de mais baterias, o que encarece mais ainda, já que é o item de maior valor, muito embora, a capacidade de transporte justificaria.
No caso dos micros e mídis há testes na cidade de São Paulo, como da brasileira Eletra e das chinesas Ankai, Higer e BYD, mas nenhum comercializado definitivamente.
No caso dos elétricos articulados, estão aprovados ou em aprovação pela SPTrans, modelos da BYD e da Eletra. Ainda neste ano, a Mercedes-Benz também coloca um articulado para homologar.
A Volvo também passou a apresentar um articulado/biarticulado para corredores, como os que testa em Curitiba.
Ainda oferecem opões de padrons de dois eixos nos portifólios de modelos, as fabricantes Volkswagen, Volvo e Scania, ou seja, quase todas as fabricantes que têm plantas ou representantes no Brasil. A Iveco, no exterior, oferece modelos elétricos, mas no Brasil ainda só fez apresentação de conceitos em eventos e feiras.
Ou seja, apesar da falta de infraestrutura da rede de energia para recarga de baterias ser o principal entrave para o avanço da eletrificação dos ônibus em São Paulo (e em todo o Brasiol somada aos baixos recursos financeiros, o fato de ainda haver carência de mais opções de modelos de ônibus também deve ser considerado
Da nova frota de padrons apresentada pela prefeitura e por viações de São Paulo nesta quinta-feira, 03 de abril de 2025, a maioria, é de tecnologia Eletra com carroceria Caio.
ELETRA + CAIO E-MILLENNIUM: 60 ônibus, dos quais:
– 16 para a Viação Campo Belo, da zona Sul:
– 17 para a Express Transportes Urbanos, da zona Leste;
– 10 NorteBuss, da zona Norte;
– 04 MoveBuss, da zona Sudeste;
– 01 Transcap, da zona Sul.
(12 para a Ambiental Transportes, da zona Leste, vão ser incluídos ainda).
MERCEDES-BENZ (Eo500U) + MARCOPOLO ATTIVI
– 30 para a Sambaíba Transportes Urbanos, da zona Norte.
MERCEDES-BENZ (Eo500U) + CAIO E-MILLENNIUM
– 16 para a Viação Metrópole Paulista, da zona Leste
BYD + CAIO E-MILLENNIUM:
– 17 novos, com apresentação da maior parte deles neste dia 03 de abril de 2025, para Movebuss, da zona Sudeste; Norte Buss, da zona Norte, Pêssego Transportes, da zona Leste; e Transcap, da zona Sul.
INFRAESTRUTURA E ENEL:
Como já mostrou o Diário do Transporte, o prefeito admitiu que, pela falta de infraestrutura atribuída à ENEL, São Paulo corre risco de ter “apagão no transporte”.
Segundo Nunes, a distribuidora de energia não realizou as adequações necessárias ampliando a capacidade da rede dos bairros de baixa para média ou alta tensão e não faz as ligações para as garagens.
O prefeito disse que, para esta quinta-feira, 03 de abril de 2025, deveriam ter sido apresentados 165 ônibus elétricos em vez de 115, mas que 50 veículos deste novo lote estão prontos e entregues, mas que não podem operar porque não há energia suficiente.
Se a situação não se resolver, Nunes disse que não será possível ampliar mais a frota de ônibus elétricos. Além destes 50 ônibus, já havia outros 80 parados, como também tinha noticiado o Diário do Transporte, que percorreu garagens e viu dezenas de veículos sem operar, bem como carregadores e transformadores internos já instalados e sem uso. Em alguns casos, empresas com ônibus elétricos precisam carregar em outras garagens por falta de infraestrutura.
Relembre:
Com a nova entrega, sobe para 527 o total de ônibus com baterias na cidade, e 728 não poluentes, se forem considerados os trólebus (conectados á fiação em operação já há bastante tempo). O número é bem abaixo da meta de 2,6 mil ônibus não poluentes que deveria ter sido alcançada entre 2021 e 2024.
Para o novo período de gestão, entre 2025 e 2028, a prefeitura estima 2,2 mil ônibus em substituição aos modelos a diesel, *mas com mudanças em relação à meta anterior: além do número ser menor, em vez de falar não poluente, fala MENOS poluentes e, considera outras alternativas textualmente, como o biometano (gás obtido da decomposição de resíduos) e o GNV (Gás Natural Veicular). Um ônibus convertido de diesel para biometano/GNV deve rodar no segundo semestre de 2025 em testes e há uma estimativa de 500 unidades em dois anos, mas a rede de distribuição de gás será analisada pela prefeitura para evitar que problemas de infraestrutura semelhantes aos que ocorreram com os elétricos se repitam com o GNFV/biometano. O HVO, um combustível que pode substituir o diesel até mesmo em motores antigos e zerar as emissões de gás carbônico, também é estudado*.
Pelo fato de as empresas de ônibus não poderem desde 17 de outubro de 2022 comparem modelos a diesel e a infraestrutura para os elétricos não avançar, a SPTrans (São Paulo Transporte), que gerencia os transportes na cidade, ampliou o limite de idade da frota de 10 anos para 13 anos. Isso tem gerado desconforto para os usuários, já que os ônibus mais velhos não têm ar-condicionado, têm menor acessibilidade, fazem mais barulho e tendem a quebrar mais. Atualmente, são cerca de 2,7 mil ônibus com dez anos ou mais rodando na cidade, entre os aproximadamente 13 mil que compõem a frota.
FOTOS E ABAIXO OS VIDEOS:
Nos ouça na Rádio Bandeirantes
Adamo Bazani
Prefeito de São Paulo. Ricardo Nunes, presidente da Viação Metrópole Paulista e filha, Marco Abreu
Ao centro, presidente da empresa de ônibus Sambaíba, César Fonseca
Presidente da Eletra Industrial, Milena Braga Romano, motorista de ônibus; e prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes
Da esquerda para a direita: secretário de Mobilidade e Transportes da cidade de São Paulo, Celso Jorge Caldeira; presidente da SPTrans (São Paulo Transporte), Victor Hugo; e secretário-executivo de Mobilidade e Trânsito da cidade de São Paulo, Gilmar Pereira Miranda.
Presidente da Associação da Ex-funcionários da CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos – antiga empresa pública de São Paulo), Washington Carvalho, e prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes.
Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes e ao fundo, em seguida, secretário municipal de Segurança Urbana. Orlando Morando; secretário de Mobilidade e Transportes, Celso Caldeira (de óculos) e presidente da SPTrans (São Paulo Transporte), Victor Hugo Borges
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Edição Arthur Ferrari
