Coletivo fará trajetos a partir do Terminal Novo Mundo; período de teste deve durar quatro meses
ARTHUR FERRARI
O primeiro ônibus movido a biometano do transporte coletivo de Goiânia e Região Metropolitana começa a operar nesta quinta-feira, 13 de março de 2025, marcando o início de um período de testes que se estenderá por cerca de quatro meses. O veículo circulará pela manhã entre os terminais Novo Mundo e Praça da Bíblia e, à tarde, entre os terminais Novo Mundo e Senador Canedo, no BRT Leste-Oeste (Eixo Anhanguera).
Com um tanque de 195 metros cúbicos de biometano, o ônibus tem autonomia de 295 quilômetros, o que equivale a até oito viagens diárias. Durante o período de testes, serão avaliados ajustes técnicos e a adaptação do veículo às condições da cidade e do entorno. Para viabilizar a operação, uma estação provisória de abastecimento foi instalada no Terminal Novo Mundo.
O secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima, destacou que este será o primeiro de uma frota de 500 veículos sustentáveis que serão incorporados ao sistema de transporte público até 2026. A iniciativa faz parte do projeto Nova Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (Nova RMTC), que prevê a renovação completa da frota com veículos equipados com ar-condicionado, a compra de 300 novos ônibus, além da modernização de terminais, estações do BRT e pontos de ônibus.
Além da preocupação com o conforto dos passageiros, a substituição da frota visa reduzir a emissão de poluentes, como explicou Rocha Lima. “Estamos promovendo uma transição energética com ônibus menos poluentes, como os elétricos, os movidos a biometano e os modelos a diesel Euro 6, que possuem menor impacto ambiental”, afirmou.
O projeto também busca estimular a criação de uma cadeia de produção local de biometano em Goiás, um estado com alto potencial para essa tecnologia, especialmente devido à grande produção de cana-de-açúcar, um dos insumos para a obtenção do biogás.
O biometano é produzido a partir da purificação do biogás, um gás gerado pela decomposição de matéria orgânica em biodigestores. Esses equipamentos transformam resíduos como esterco, restos agrícolas, lodo de esgoto e lixo orgânico em energia renovável. O uso desse combustível traz benefícios como redução da emissão de gases poluentes, menor dependência de combustíveis fósseis e o reaproveitamento de resíduos que, de outra forma, seriam descartados.
Os avanços no transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia são possíveis graças ao subsídio tarifário, que mantém o valor da passagem congelado em R$ 4,30 desde 2019. O custeio é dividido entre o Governo de Goiás e as prefeituras da capital e cidades vizinhas, além de contar com a contrapartida do Consórcio BRT, formado pelas concessionárias que operam o sistema.
Com o início da operação do ônibus a biometano, Goiânia dá um passo importante rumo a um transporte mais sustentável, eficiente e moderno, alinhado às tendências globais de mobilidade urbana limpa.
Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte
