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ANIVERSÁRIO DE SÃO PAULO: Um dos primeiros validadores do Bilhete Único aceitava o bilhete Edmonson também

Não é mais possível pensar na cidade sem o Bilhete Único, mas muita coisa precisa evoluir

ADAMO BAZANI

Quem tem menos de 20 anos não conheceu a cidade de São Paulo sem Bilhete Único, ou seja, de certa forma, não deixa de ser um privilegiado.

O bilhete passou a ser realidade em 2004 e, entre o principal benefício que trouxe, além da facilidade de pagamento, foi a inclusão das pessoas mais carentes e que moram mais longe no sistema de transportes e, consequentemente, na vida de cidadão.

Muita gente deixava de circular pela cidade, de trabalhar, de cuidar da saúde, de estudar e de procurar uma vida melhor porque não tinha condições de pagar mais de uma passagem.

O sistema de bilhetagem, é verdade, precisa ser modernizado, principalmente em relação à segurança, já que há muitas fraudes e vazamento de dados, além de ser necessário inovar na ampliação de opções de pagamento e recarga.

Também é urgente a criação de uma bilhetagem metropolitana, com um mesmo cartão ou outra mídia física sendo aceita em ônibus municipais gerenciados pela SPTrans (São Paulo Transporte) na capital paulista, ônibus intermunicipais metropolitanos (EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) e nos ônibus municipais das outras 38 cidades da Grande São Paulo (além da capital).

É o que acontece no mundo e, tecnologicamente não seria impossível de acontecer na Grande São Paulo. Se o Bilhete Único “da SPTrans” é aceito nos trens e metrô desde 2006, por que não poderia há muito tempo ser “lido” pelos validadores das linhas da EMTU, dos ônibus de Santo André, São Bernardo do Campo, Guarulhos, Osasco, Mogi das Cruzes, Taboão da Serra … ?

Mas é inegável o avanço não só na mobilidade, mas social que o Bilhete Único trouxe.

Por causa do Bilhete Único e das integrações que ele proporciona é que é necessária boa parte dos subsídios ao sistema de transportes com o dinheiro de impostos e dos cofres públicos.

E é justamente essa a função social. Todos, inclusive os mais ricos, contribuindo para o deslocamento de todos, inclusive os mais pobres.

Como não é mais possível pensar São Paulo sem o Bilhete Único, neste aniversário da cidade, como sempre faz lembrando fatos que relacionam a história da cidade com a dos transportes, o Diário do Transporte traz uma cena curiosa do início da bilhetagem. Muita gente vai se lembrar e muitos estão vendo aqui na reportagem pela primeira vez: um dos primeiros validadores do Bilhete Único, para possibilitar as integrações, também aceitava o bilhete tipo “Edmonson”, que é aquele de “cartolina” com uma tarja magnética no meio, muito famoso nos trens e metrô e, agora, com o QR Code, entrou para a história também.

Uma máquina enorme (para os padrões atuais) verde, com o gabinete de plástico: era este validador.

Ao centro, era possível encostar o cartão do Bilhete Único, mas havia uma entrada para a pessoa inserir o Edmonson.

Com o tempo os validadores e catracas foram se modernizando, mas com certeza, essa querida “monstrenga” foi muito importante na evolução da bilhetagem e, por isso, entra na homenagem a São Paulo neste dia especial.

Atualmente, cerca de 96% dos passageiros que andam de ônibus na cidade de São Paulo usam o Bilhete Único, segundo a SPTrans (São Paulo Transporte).

Em outras cidades da Grande São Paulo, a bilhetagem eletrônica só não é maior porque não há integrações entre os ônibus locais e poque os respectivos cartões não são aceitos nos trilhos, EMTU e ônibus da capital (SPTrans). Grande parte das pessoas que moram nas cidades vizinhas, trabalham, estudam ou cuidam da saúde na capital.

Ou seja, unificar as bilhetagens seria um outro passo para a inclusão social que a Região Metropolitana ainda não conseguiu (ou melhor, não quis) fazer.

As regras do Bilhete Único em vigor (2025) são:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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