Riocard Mais retruca prefeito do Rio e denuncia desempenho “pífio” do sistema de bilhetagem e perdas após dois anos de transição
ALEXANDRE PELEGI
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, em coletiva há pouco nesta quarta-feira, 08 de janeiro de 2025, comunicou o adiamento mais uma vez da implantação do Jaé, agora para 1º de julho de 2025, o novo sistema de bilhetagem eletrônica da cidade.
A data prevista para o início da operação era 1º de fevereiro.
Mais: informou que a Autopass, que opera o sistema do cartão TOP na região metropolitana de São Paulo, já solicitou autorização à prefeitura para assumir a titularidade da bilhetagem da capital carioca. E afirmou que se tudo correr bem do ponto de vista legal, “se a empresa atender aos requisitos legais”, a prefeitura autorizará a mudança na estrutura societária. A Autopass “passará a ser empregada da prefeitura“, disse o prefeito, querendo dizer o tempo todo que não vai permitir que quem opera no sistema de ônibus da cidade tenha participação na bilhetagem.
Paes acusou a “máfia da Fetranspor e da Rio Ônibus” de não facilitar a transição. Chegou a usar inúmeras vezes a expressão “galinha tomando conta do galinheiro” ao se referir aos empresários de ônibus “mafiosos“, dizendo que a licitação acabou com a “caixa preta“. Mas garantiu que o governador Cláudio Castro já se comprometeu a viabilizar a integração dos dois sistemas, o que deu a entender que o negócio da venda do Jaé foi costurada entre a prefeitura e o governo do Rio.
Mais: o prefeito Paes deu a entender na coletiva que a integração dos sistemas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro estaria sendo encaminhada também em São Paulo, o que envolveria a Autopass. “Parece que em São Paulo eles estão se unindo“, disse Paes, sem citar que tal união seria entre o Cartão TOP e o Bilhete Único da SPTrans. Paes chegou a dizer que sua intenção inicial era licitar a bilhetagem em conjunto com o Estado, o que seria, segundo ele, a melhor solução. O discurso de Paes remete à provável extinção da SPTrans, intenção anunciada pelo prefeito Ricardo Nunes. O Bilhete Único seria integrado a um único Bilhete Metropolitano, hipótese sugerida pelo prefeito carioca.
Esta é a quarta vez que o prazo é adiado.
O Jaé visa substituir o Riocard nos transportes municipais: ônibus, BRTs, vans e VLT. No entanto, a integração com os modais estaduais (metrô, trens e barcas) ainda é um impasse, pois o Riocard continua sendo o único meio de pagamento aceito nesses transportes.
Como noticiou o Diário do Transporte nesta terça-feira (07), o secretário estadual de Transportes, Washington Reis, afirmou que a integração dos sistemas até a data estipulada é inviável. Ele destaca que o estado está licitando um novo sistema de bilhetagem que será 100% integrado. Relembre:
Além da questão da integração, a distribuição dos cartões Jaé também enfrenta problemas. Usuários relatam dificuldades na compra online e atrasos na entrega dos cartões solicitados em lojas físicas.
Paes garantiu que todos os problemas serão superados até 01º de julho.
RIOCARD MAIS RETRUCA
A Riocard Mais, empresa responsável pelo sistema de bilhetagem anterior na cidade do Rio de Janeiro, emitiu nota em resposta às declarações do prefeito Eduardo Paes, em que critica o desempenho do novo sistema, o cartão Jaé, dois anos após o início da sua implementação. A empresa alega que a transição para o novo sistema, gerido pelo Consórcio Bilhete Digital, tem sido prejudicada pelo desempenho “pífio” da empresa contratada pela Prefeitura.
A Riocard Mais afirma que, apesar de ter colaborado integralmente com o processo de transição, inclusive acatando determinações desfavoráveis aos clientes, o novo sistema só transporta 1,7% do total de passageiros do transporte municipal. A empresa também alega ter sofrido perdas devido às dificuldades enfrentadas pelo Consórcio Bilhete Digital, mas garante que tem mantido o pleno funcionamento da sua operação no município.
Em relação ao Bilhete Único Intermunicipal, a Riocard Mais propôs a manutenção de um validador em cada meio de transporte para uso exclusivo do benefício tarifário do Estado. No entanto, a proposta foi rejeitada pela Secretaria Municipal de Transportes.
Leia a nota na íntegra:
A Riocard Mais esclarece que sempre apoiou o processo de transição para o novo sistema de bilhetagem da Prefeitura, entendendo a importância de manter o atendimento à população da cidade do Rio. Mesmo ciente de que a mudança não era uma necessidade dos passageiros de transportes municipais, a empresa respeitou a decisão da Secretaria Municipal de Transportes e colaborou integralmente, acatando todas as determinações, inclusive às que não eram favoráveis aos clientes, como a restrição de acesso a serviços importantes.
Mas dois anos após o início da nova operação, o desempenho pífio da empresa contratada pela Prefeitura, que transporta atualmente apenas 1,7% do total de passageiros dos transportes municipais (ônibus, vans, BRT e VLT), não permite uma transição adequada entre os dois sistemas de bilhetagem. As dificuldades do Consórcio Bilhete Digital, responsável pelo cartão Jaé, refletiram em perdas para a Riocard Mais, que, mesmo assim, está mantendo o pleno funcionamento da sua operação no Município.
Em relação ao Bilhete Único Intermunicipal, a Riocard Mais ofereceu como solução a manutenção de um validador em cada meio de transporte municipal para uso exclusivo do benefício tarifário do Estado, proposta que não foi aceita pelos representantes da Secretaria Municipal de Transportes.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
