ENTREVISTA: Busscar quer 20% do mercado de carrocerias no Brasil e confirma que vai descontinuar modelos que já têm proporcionais da família NB1 (VÍDEO)
Publicado em: 14 de agosto de 2024
Segundo diretor comercial da fabricante, Paulo Corso, aceitação do NB1 de dois andares na Lat.Bus 2024 foi “total” e carrocerias para chassis de motor dianteiro serão as últimas a integrar nova geração de modelos
ADAMO BAZANI
Veja o Vídeo:
A Busscar, de Joinville (SC), projeta ter uma participação de 20% no mercado de carrocerias de ônibus no Brasil.
Assumida em leilão por sócios da Caio (encarroçadora de ônibus urbanos, localizada em Botucatu, no interior paulista), no ano de 2017, após a decretação da falência, a Busscar retomou a fabricação de ônibus de forma gradativa, lançando modelos novos, mas que ainda remetiam ao design dos produtos da época em que a gestão ainda era da família Nielson, fundadora da empresa.
Agora, após um reposicionamento da marca no mercado de ônibus, a fabricante quer crescer mais.
Quem explica é o diretor comercial da Busscar, Paulo Corso, em entrevista exclusiva à aliança jornalística Diário do Transporte, Podcast do Transporte e Technibus na Lat.Bus 2024, feira de mobilidade que ocorreu na capital paulista entre os dias 06 e 08 de agosto, com organização da editora OTM.
Corso disse que um dos principais desafios da Busscar neste momento é encontrar mão de obra qualificada para corresponder a estes planos de crescimento.
“A gente tem algumas limitações relacionadas à falta de mão de obra. Nós pretendemos ir crescendo conforme conseguirmos captar mão de obra. Nosso objetivo é ter nossos 20% de share (participação de mercado) e, para isso, em 2025, vamos ter de crescer um pouquinho” – disse Paulo Corso.
E uma das apostas para este crescimento é a nova geração de modelos chamada pela Busscar de “Família NB1”.
O destaque da empresa na Lat.Bus 2024 foi o lançamento do Busscar Panorâmico DD – NB1, ônibus rodoviário de dois andares, cuja produção em série deve começar no primeiro trimestre de 2025. Os dois veículos apresentados no evento são protótipos.
Corso já havia adiantado ao Diário do Transporte que, em 2025, devem ser lançados ao menos outros dois modelos da geração NB1: o 400 (correspondente ao LD – Low Driver, com grandes bagageiros e salão de passageiros em nível superior ao posto de trabalho do motorista) e o 385 (com 3.85 m de altura e piso único).
Relembre:
A chamada família NB1 foi apresentada oficialmente ao mercado em 23 de maio de 2023, com dois modelos Busscar Vissta Buss (VB) 345 e o 365, de um piso.
Relembre:
Paulo Corso disse à aliança jornalística Diário do Transporte, Podcast do Transporte e Technibus na Lat.Bus 2024 que agora é hora de descontinuar os modelos da antiga geração que são proporcionais aos ônibus da família NB1 que já estão em produção ou serão produzidos.
“Nós vamos crescer com a família [NB1]. Nós temos um caminho longo pela frente que é fazer os modelos que estão faltando. Faltam ainda, dos modelos pesados, o 385 e o 400 [correspondente ao LD]. Depois temos toda a gama dos motores dianteiros, essa que não vai ser completa no ano que vem [2025], mas a gente pouco a pouco vai lançando cada um. Vai ter um momento de ‘corte’. Nós estamos já com o 340 e o 360, está quase na hora de cortar, porque o 345 e o 365 [família NB1] já estão introduzidos. Com o DD [Double Decker, de dois andares] vai acontecer a mesma coisa” – disse Paulo Corso a Adamo Bazani e Luiz Romagnoli na gravação do Podcast.
Sobre o lançamento Panorâmico DD – NB1, Paulo Corso disse que a “aceitação foi total” na Lat.Bus, com boas reações de frotistas e técnicos das empresas de ônibus.
O executivo destacou que, entre os diferenciais do modelo, estão peitoril das janelas mais altos para maior segurança em caso de acidentes, novo design que segue o da família que recebeu premiação internacional e que o Panorâmico DD – NB1 possui a “cabine do motorista mais ampla do mercado”.
Segundo Corso, além de atender ao mercado de linhas rodoviárias regulares, o modelo vai atender ao segmento de turismo, no qual o frotista, em geral tem menos veículos e também dirige os ônibus.
“As empresas de transportes rodoviários regulares estão comprando muito DD [Double Decker, de dois andares], mas há muito operadores de turismo e o chamado fretamento de compras. E, nestes segmentos, muitas vezes o próprio motorista é o proprietário do ônibus. Ele tem um ônibus, dois ou três. Uma empresa de turismo com 20 ônibus é muito grande. Esses empresários que dirigem sabem detectar o conforto da cabine do motorista. E esse ônibus [Panorâmico DD – NB1] a gente se preocupou muito com isso. Nós estamos com a cabine mais ampla do mercado. Nós também temos acabamento sem parafusos, quase de automóveis. Nós temos diversas saídas de ar-condicionado para o conforto do motorista. Nossos componentes para o motorista guiar o ônibus não são touch screen (tela sensível ao toque), mas são de teclas, existe muita reclamação dos “touchs”. Então, a gente se preocupou com isso, para o motorista acertar melhor os comandos a noite, trabalhar mais tranquilo. Isso é conforto e qualidade para quem conduz o ônibus e está no ônibus.” – finalizou Paulo Corso.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

