Região de Ciudad del Este ganha força nos planos da Master Transportation Bus Manufacturing Ltd.
ADAMO BAZANI
Colaborou Guilherme Strabelli
Tiveram novos avanços nesta semana as conversas entre a fabricante de Taiwan, Master Transportation Bus Manufacturing Ltd., e o governo do Paraguai para instalar no País um fábrica de ônibus elétricos.
A primeira reunião formal entre o poder público paraguaio e diretores da empresa ocorreu em 22 de fevereiro de 2024 e, desde então, o diálogo continuou.
O local da nova planta ainda não foi definido, mas a região de Ciudad del Este, perto da fronteira com Argentina e Brasil e já cogitada inicialmente, ganha força nos planos da empresa.
Os investimentos iniciais pretendidos devem ser de US$ 30 milhões. Devem ser gerados entre 2 mil e 2,5 mil empregos diretos.
O foco de tamanho investimento não será somente o mercado paraguaio, mas toda a América do Sul, em especial o Brasil e Argentina, considerados potenciais compradores deste tipo de ônibus, uma vez que o Chile e Colômbia já possuem uma operação mais consolidada de coletivos movidos à eletricidade.
São Paulo é visto pela fabricante como um dos impulsionadores de investimentos regionais, apesar de derrapar nas metas de eletrificação da frota de ônibus pela falta de infraestrutura nas garagens e nas redes de distribuição para carregarem as baterias.
Empresas de ônibus, o prefeito Ricardo Nunes, que proibiu desde outubro de 2022 a compra de coletivos a diesel, e a distribuidora ENEL parecem não falar a mesma língua.
Como mostrou o Diário do Transporte, até o dia 15 de março de 2024, a prefeitura de São Paulo, por meio da gerenciadora de transportes SPTrans (São Paulo Transporte) e a ENEL vão tentar um acordo.
Ricardo Nunes ameaça processar a ENEL por não avançar com a infraestrutura e por, ainda segundo o prefeito, aumentar de R$ 650 milhões para R$ 1,6 bilhão, a estimativa de custo para implantar a infraestrutura necessária para os ônibus elétricos.
A ENEL contestou veemente as declarações de Nunes ao informar que o valor de R$ 1,6 bilhão, que foi citado pelo prefeito, “não está correto” e que se refere não à estimativa de custo para a infraestrutura, mas a soma de toda as opções disponíveis que estão sendo escolhidas ainda pelas empresas de ônibus.
A meta da prefeitura de São Paulo é colocar em operação 2,6 mil ônibus elétricos até dezembro de 2024, sendo que Nunes havia anunciado cerca de 600 até o fim de 2023, mas até agora, em março de 2024, só existem 84 ônibus elétricos rodando na cidade e nem todos simultaneamente.
Estudos realizados pela ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) revelam que em cidades cuja rede de distribuição é de baixa tensão, como ocorre em São Paulo, se 50 ônibus carregarem as baterias ao mesmo tempo, ainda que na madrugada, pode cair a energia de casas, comércios e hospitais de bairros inteiros.
Relembre:
A empresa de Taiwan vê, com a planta no Paraguai, potencial de exportação para o Brasil mesmo com as regras anunciadas pelo Governo Federal brasileiro que voltam a aumentar os impostos sobre veículos elétricos produzidos em outros países.
Em 10 de novembro de 2023, o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) decidiu retomar o imposto de importação sobre ônibus, carros e caminhões elétricos.
Relembre:
A retomada do imposto tem sido gradual desde janeiro de 2024, levando em conta se o veículo é elétrico puro ou se é híbrido, com as alíquotas subindo gradativamente.
Foi criada a categoria para caminhões com menos etapas.
Também foram estipuladas cotas de importação de acordo com os tipos de veículos
Alíquotas:
HÍBRIDOS COM COMBUSTÃO:
– 12% em janeiro de 2024;
– 25% em julho de 2024;
– 30% em julho de 2025;
– 35% em julho de 2026.
HÍBRIDOS PLUG-IN:
– 12% em janeiro de 2024,
– 20% em julho de 2024,
– 28% em julho de 2025
– 35% em julho de 2026
ELÉTRICOS PUROS:
– 10% em janeiro de 2024,
– 18% em julho de 2024,
– 25% em julho de 2025,
– 35% em julho de 2026
AUTOMÓVEIS ELÉTRICOS PARA TRANSPORTE DE CARGA OU CAMINHÕES ELÉTRICO
– 20% em janeiro de 2024
– 35% em julho de 2024
Cotas:
As empresas têm até 30 de junho de 2026 para continuar importando com isenção até determinas cotas de valor.
HÍBRIDOS COM COMBUSTÃO
– US$ 130 milhões até junho de 2024;
– US$ 97 milhões até julho de 2025;
– US$ 43 milhões até 30 de junho de 2026.
HÍBRIDOS PLUG-IN
– US$ 226 milhões até julho de 2024;
– US$ 169 milhões até julho de 2025;
– US$ 75 milhões até 30 de junho de 2026.
ELÉTRICOS PUROS:
– US$ 283 milhões até julho de 2024;
– US$ 226 milhões até julho de 2025;
– US$ 141 milhões até 30 de junho de 2026.
CAMINHÕES ELÉTRICOS
– US$ 20 milhões até julho de 2024;
– US$ 13 milhões até julho de 2025;
– US$ 6 milhões até 30 de junho de 2026.
Por meio de nota, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse que além de estimular a produção para o mercado interno, o objetivo é também tornar o Brasil um polo exportador de carros, caminhões e ônibus elétricos.
“É chegada a hora de o Brasil avançar, ampliando a eficiência energética da frota, aumentando nossa competitividade internacional e impactando positivamente o meio ambiente e a saúde da população”.
ÔNIBUS:
No caso dos ônibus, está no Plano de Transformação Ecológica (PTE) do Ministério da Fazenda para 2024.
O Diário do Transporte mostrou que em 08 de novembro de 2023, o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloísio Mercadante, disse a abertura o 6º Brasil Investment Forum (BIF 2023), no Palácio Itamaraty, em Brasília, que o Brasil precisa ter empresas especializadas em oferecer leasing para ônibus elétricos.
De acordo com a Agência Brasil, Mercadante explicou que o modelo de leasing é indicado para os coletivos movidos à eletricidade porque estes modelos chegam a ser três vezes mais caros que os ônibus a diesel e grande parte das empresas hoje não têm condições de comprar os coletivos com bateria.
Relembre:
Entre as fabricantes de ônibus elétricos instaladas no Brasil, estão BYD, Eletra (integração e tecnologia), Marcopolo (integral), Mercedes-Benz e Volvo.
As carrocerias são fornecidas pela Caio e Marcopolo. A Mercedes-Benz também oferece chassis para projetos da Eletra, assim como a Scania, mas esta não tem tecnologia própria, disponibilizando apenas a plataforma.
PRESSÃO DA ANFAVEA:
No dia 05 de setembro de 2023, o presidente da Anfavea, que reúne as fabricantes instaladas no Brasil, Márcio de Lima Leite, em entrevista coletiva, acompanhada pelo Diário do Transporte, diz que a entidade vai pedir ao Governo Federal que as alíquotas dos impostos sobre importação em relação aos veículos elétricos subam novamente para 35%.
De acordo com Lima, na ocasião, a proposta era de criação de um regime de cotas para evitar o “efeito da China” na América Latina, cuja participação subiu de 4,6% para mais de 21% em dez anos no mercado de veículos elétricos.
Enquanto isso, no mesmo período, a participação da indústria instalada no Brasil caiu 19,4% no segmento de elétricos, ainda de acordo com o presidente da Anfavea.
Relembre:
QUANDO FOI ZERADO:
Desde 2015, os veículos 100% elétricos não pagam nada de imposto de importação e os híbridos (motor a combustão mais um motor elétrico) tiveram a alíquota reduzida de 35% para até 7%. O objetivo desde então era permitir a entrada de veículos elétricos no Brasil.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
