Em audiência pública, representantes do grupo debateram riscos de perda de postos com automatização da cobrança de tarifa
GUILHERME STRABELLI
Representantes dos cobradores de ônibus do sistema rodoviário do Distrito Federal participaram de uma audiência pública na Câmara Legislativa Distrital para debater o risco da perda de postos de trabalho. O encontro aconteceu nesta terça-feira, 12 de dezembro de 2023.
Os trabalhadores temem perder seus empregos após a automação da cobrança da tarifa. O receio se intensificou após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que declarou inconstitucional a lei distrital n° 3.923/2006, que assegurava a manutenção dos postos de trabalho mesmo com a automação.
O deputado Ricardo Vale cobrou do Executivo empenho para assegurar a manutenção dos empregos, avaliando que o serviço deles é imprescindível ao transporte público.
“Os cobradores cumprem um papel extremamente importante nos ônibus. Auxiliam os motoristas e orientam os passageiros, não é só cobrar a passagem. Em outros estados, com a automação, eles acabaram perdendo seus empregos. Em um ônibus sem o cobrador não há diálogo com a população”, afirmou Vale.
O distrital pediu que o governo e as empresas levem em consideração o fator social relacionado à categoria. Segundo ele, as iniciativas de corte de custos não refletem em um transporte de melhor qualidade e mais seguro.
A reunião contou com a presença do chefe Secretaria de Transporte e Mobilidade (SEMOB), Flávio Murilo Prates, que afirmou que o governo não tem a intenção de cortar postos de trabalho.
Segundo o secretário, há uma tendência de automatização na cobrança da tarifa, mas que a pasta estuda formas se absorver a mão de obras dos cobradores em outras funções.
“Quando houver a automação, vamos fazer um planejamento de longuíssimo prazo para absorver essa mão de obra. Uma ideia é a de utilizá-los como comissário de bordo”, afirmou.
Guilherme Strabelli, para o Diário do Transporte
