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EXCLUSIVO: BYD, Eletra, Marcopolo ou Volvo: quem se deu melhor nos testes de ônibus elétrico em Curitiba?

Urbs divulgou os resultados e Diário do Transporte traz o relatório final na íntegra

ADAMO BAZANI

Colaborou Vinícius de Oliveira

Um dia depois de anunciar o projeto de lei enviado para a Câmara Municipal para a compra de 70 ônibus elétricos e equipamentos de recarga por R$ 317 milhões, a prefeitura de Curitiba divulgou nesta terça-feira, 12 de dezembro de 2023, os resultados dos testes com quatro marcas e sete veículos da BYD, Eletra, Marcopolo e Volvo.

O Diário do Transporte traz na íntegra o relatório final elaborado pelos técnicos da Urbs (Urbanização de Curitiba S.A.), que gerencia os transportes na capital paranaense.

O Diário do Transporte esclarece que os resultados são em relação aos parâmetros exigidos para Curitiba. Assim, o fato de a avaliação de cada modelo em cada item ser favorável ou desfavorável não significa que o ônibus é bom ou ruim para sistemas de outras cidades.

O Diário do Transporte também deixa claro que é um veículo de comunicação profissional e independente que tem o dever de trazer notícias do setor e não admitirá nenhuma interferência de qualquer fabricante. Notas de respostas e esclarecimentos são bem-vindas, mas jamais tentativas de intimidação, assédios ou cerceamento da liberdade jornalística.

Sendo assim, o Diário do Transporte, como seu dever, tão somente está reportando o resultado dos testes.

É um dos primeiros comparativos entre marcas isento de apresentação de fabricantes.

Nos testes, realizados nas linhas Interbairros II e Inter 2, foram avaliados aspectos como desempenho operacional, trafegabilidade, autonomia de bateria, acessibilidade, conforto, desgaste e consumo de energia, dentre outros itens.

Foram cinco modelos padron e dois articulados testados.

Padrons:

Eletra: eBus  Padron 12,1 m (chassi Mercedes-Benz) e Padron 15 m (chassi Scania)

Marcopolo: dois Attivi Integral Padron 12,95 m

Volvo: um BZL 12,58 m (carroceria Marcopolo)

Articulados:

BYD: D11B de 22,16 metros (carroceria Marcopolo)

Eletra: eBus 21,49 metros (chassi Mercedes-Benz) – não completou os testes

BATERIA:

A Urbs explica no relatório que a circulação oficial dos veículos em Curitiba, com programação operacional definida e monitorada através do sistema de bilhetagem eletrônica, se deu entre 26/04/2023 e 06/11/2023, quando cada veículo esteve disponível para as operações de teste por 30 dias em média, com exceção apenas de um Articulado que, devido a problemas em seu trem de força, circulou somente por uma semana e teve de interromper os testes, sendo recolhido à fábrica para ajustes técnicos com a promessa de retorno pelo fabricante/proponente que, entretanto, não se realizou em tempo da vigência do Edital 001/2022, razão pela qual seus testes não foram conclusivos e, portanto, seus dados não serão considerados, tampouco mensurados neste estudo a partir deste tópico.

Para todos os ônibus, padronizou-se a circulação inicial do veículo sem passageiros e com o ar-condicionado desligado, na linha 021 – Interbairros II (Antihorário) em uma tabela-cheia. Ou seja, rodando efetivamente até o limiar de segurança da bateria, sem a parada para recarga de oportunidade, justificando esse procedimento pela busca de maior conhecimento para melhor definição de um padrão de consumo e autonomia para os veículos.

No caso da impossibilidade de embarque de passageiros, foram usadas bombonas de água para simular o peso e foram realizadas paradas em todos os pontos.

Entre os padrons, dentro dos parâmetros verificados, a bateria com maior autonomia foi do Eletra de 15 m, com 265 km. Já especificando os padrons na faixa de 12 m, a maior autonomia foi de um dos Marcopolo, com 250 km exatos

Sobre os articulados, segundo a Urbs, só completou os testes o BYD, que teve autonomia de 297,1 km

CONSUMO:

A Urbs ressaltou que os consumos médios apresentados pelos ônibus foram satisfatórios e dentro dos parâmetros estabelecidos pela gerenciadora para uma frota efetiva, com exceção apenas de um veículo, cujo consumo se apresentou superior ao limite de 1,6 kWh/km definido para o tipo Padron, que foi o Eletra de 15 metros, com 1,71 kWh/km

O mais econômico foi o BLZ, da Volvo, com 1,00 kWh/km.

DESGASTE DE PNEUS:

Em resumo, o modelo padron que apresentou menos desgaste e mais vantagem foi o Volvo BZL, que teve menos desgaste até que o diesel. Já o Eletra 15 m teve desgaste de pneus 157% superior ao diesel.  Entre os ônibus na faixa de 12 m, o desgaste maior foi de um dos Marcopolo Attivi: 35% a mais que o diesel.

Em síntese, nota-se em geral um leve aumento no consumo dos pneus, sem muita elevação, com exceção ao já mencionado acentuado desgaste apresentado em um veículo e ao ligeiro decréscimo do desgaste verificado em outro. Contudo, estes resultados podem ser entendidos como dentro de uma tolerância em relação à média dos veículos a combustão, dadas as limitações desta análise comparativa com os ônibus operantes no Sistema de Curitiba, uma vez que existem vários parâmetros que influenciam no consumo dos pneus e que não podem ser isolados para esta análise, tais como: perfil de condução; linhas e pavimentos em que os ônibus circularam; predominância de tempo seco ou chuvoso; temperatura ambiente durante a operação; procedimentos de gestão dos pneus que serviram de comparação; bem como o desgaste não linear de cada marca de pneu ao longo de sua vida, dentre outros fatores – explicou a Urbs no relatório.

ACESSIBILIDADE, ALTURA E LIMITAÇÕES:

Sobre as características gerais das carrocerias, a Urbs diz que nos veículos avaliados, todos de concepção de embarque de piso baixo, existe um desnível da região traseira do piso em relação às demais áreas do carro devido à alocação das baterias gerando uma restrição de circulação.

Isso gerou algumas reclamações por parte de Conselheiros Municipais dos Direitos da Pessoa com Deficiência que, a convite da URBS, viajaram nos veículos em teste para avaliar.

Contudo, de acordo com o depoimento dos Conselheiros, apesar da restrição de circulação interna imposta pelo referido desnível no salão do ônibus, os veículos ainda assim apresentam uma condição de acessibilidade mais favorável em comparação com os modelos de piso alto, uma vez que o embarque/desembarque é facilitado e dispensa a aplicação de Plataforma Elevatória Veicular, substituindo-a por uma simples Rampa de Acesso Veicular, ressaltando que os bancos preferenciais ficam posicionados na área baixa do ônibus.

Além disso, a altura total externa de todos os ônibus é superior aos demais atualmente operantes em Curitiba.

E para Urbs, isso gera restrições.

Em todos os veículos, verificou-se que a altura total externa é superior aos demais atualmente operantes em Curitiba. Exceção apenas aos Double Deckers da linha Turismo, acarretando, dessa forma, em certa restrição de tráfego em alguns pontos do trajeto das linhas 020, 021 e 023. Além disso, também será necessária a devida avaliação prévia quando do escalonamento de ônibus com essa altura em outros itinerários que possam passar por trincheiras ou outras das chamadas “obras de arte especiais

DOIS FORAM REPROVADOS:

A Urbs diz que dos sete ônibus avaliados, dois veículos não apresentaram, no período dos testes, concordância com as especificações técnicas do Manual de Especificações da Frota da URBS para frota elétrica: Um, por não ter apresentado as condições técnicas para o cumprimento da programação operacional dos testes em Curitiba, no caso o articulado Eletra. E outro, por ter consumo de energia superior àquele preconizado pela URBS no Manual, no caso o de 15 metros da Eletra.

Sobre os outros cinco aprovados, a Urbs ressaltou que todos precisam de adaptações e melhorias.

Nesse contexto, os participantes do Edital 001/2022 devem avaliar o que não foi completamente atendido por seus ônibus nos testes operacionais, de modo que possam analisar a viabilidade de possíveis readequações de concepção de seus veículos para que atendam efetivamente as especificações descritas no Manual da URBS, o qual foi elaborado com base na operação pelo Edital 001/2022, com complemento de demais especificidades regionais como, por exemplo, posicionamento de portas, catraca e leiaute de bancos.

Veja todo o relatório:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Colaborou Vinícius de Oliveira

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