Estudo envolvendo 14 cidades da região metropolitana mostra que migração se concentrou em usuários com maior renda salarial e escolaridade
GUILHERME STRABELLI
Um estudo coordenado pela COPPE UFRJ confirmou que o transporte público coletivo do Rio de Janeiro perdeu passageiros para o transporte individual após a pandemia de Covid-19. Na prática, os passageiros passaram a preterir os serviços públicos por carros particulares ou aplicativos de transportes.
O estudo mostrou que o sistema de ônibus, responsável por 74% dos deslocamentos, sofreu redução de 2,1% em relação ao período pré-pandemia. A integração entre ônibus e outros meios de transporte também teve queda de 2,9%. Esses números indicam uma taxa de migração modal de 5%, ou seja, uma evasão de passageiros do sistema de ônibus para outros meios de transporte, segundo a pesquisa.
A pesquisa mostra que, dentre os modos sem ônibus, o crescimento do uso dos serviços de aplicativos em 5,8% e a manutenção do automóvel particular como meio de transporte regular pelos participantes do levantamento, com 43% do total.
Ao todo, foram ouvidas 4.323 pessoas entre agosto e outubro deste ano em 14 cidades da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O levantamento mostrou que a migração ficou concentrada no grupo de usuários com maior renda salarial e escolaridade.
Em relação à escolaridade, as maiores alterações aconteceram nos grupos com pós-graduação completa (42,55%) e ensino superior completo (30,86%). Do outro lado, os passageiros com menor acesso permaneceram no transporte público, como ensino fundamental completo (10,1%) e ensino médio incompleto (8,21%).
No aspecto econômico, o efeito é maior nos que recebem os maiores salários, como os passageiros que recebem entre 7 e 10 salários (60%). Os com menores ganhos, como 1 e 2 salários (11,49%) foram menos afetados.
Por outro lado, o estudo mostrou que o custo do transporte se tornou o critério mais importante na decisão de deslocamento, superando outros itens, como rapidez, conforto e segurança.
Segundo o estudo, 55,83% das pessoas consideram o preço o principal critério. Falta de opção vem atrás com 29,86%, seguido pelo menor tempo de viagem, com 4,77%.
Já entre os que não usam o sistema de ônibus, os fatores mais apontados são tempo de viagem (17,29%), tempo de espera no ponto (16,36%) e falta de conforto (14,49%).
O desemprego é citado no estudo como principal causador de mudanças de comportamento no comportamento dos passageiros, sendo destacado com 23,61% dos entrevistados. A mudança do local de destino vem em seguida, com 19,61%.
A pesquisa “Será que mudamos? Um panorama do transporte público na Região Metropolitana do Rio de Janeiro” será apresentada na próxima sexta-feira, 8 de dezembro de 2023, no segundo dia do congresso Rio de Transportes. O evento deve reunir 450 participantes, incluindo pesquisadores, técnicos de transporte, estudantes, entre outros.
Guilherme Strabelli, para o Diário do Transporte
