Fabricantes dizem que incentivos devem ser para produção local neste momento em que sistemas de transportes estão entrando na fase da eletrificação
ADAMO BAZANI
Colaborou Arthur Ferrari
OUÇA:
Neste momento em que parece que a eletromobilidade vai ganhar fôlego no Brasil, em especial com os investimentos anunciados na eletrificação de frotas de ônibus urbanos, as montadoras instaladas no Brasil se sentem mais ameaçadas por fabricantes de veículos elétricos que não têm plantas no País, mas que querem vender seus ônibus, caminhões e carros à eletricidade por aqui.
Nesta terça-feira, 05 de setembro de 2023, o presidente da Anfavea, que reúne as fabricantes instaladas no Brasil, Márcio de Lima Leite, em entrevista coletiva, acompanhada pelo Diário do Transporte, diz que a entidade vai pedir ao Governo Federal que as alíquotas dos impostos sobre importação em relação aos veículos elétricos subam novamente para 35%.
Na próxima semana, representantes da Anfavea e do Governo Federal devem se reunir para debater o assunto.
De acordo com Lima, é proposta a criação de um regime de cotas para evitar o “efeito da China” na América Latina, cuja participação subiu de 4,6% para mais de 21% em dez anos no mercado de veículos elétricos.
Enquanto isso, no mesmo período, a participação da indústria instalada no Brasil caiu 19,4% no segmento de elétricos, ainda de acordo com o presidente da Anfavea.
Lima disse ainda que o Governo brasileiro sinalizou que não tem interesse em mudanças abruptas nas alíquotas sobre os veículos elétricos. Assim, a sugestão é de que os 35% voltem gradativamente em três anos.
Desde 2015, os veículos 100% elétricos não pagam nada de imposto de importação e os híbridos (motor a combustão mais um motor elétrico) tiveram a alíquota reduzida de 35% para até 7%. O objetivo desde então era permitir a entrada de veículos elétricos no Brasil.
A proposta das cotas, para aumento gradual até 35% de taxa em três anos, é para dar tempo de as atuais importadoras decidirem se instalam ou não plantas no Brasil.
“Eu vou investir na produção de um carro elétrico no Brasil ou eu vou importar? Ele vai importar! Porque custa mais barato fazer lá fora nas nossas próprias fábricas. Defendemos 35% de imposto de importação para os veículos elétricos, para que se tenha a introdução da nova tecnologia, mas que não seja usado como uma entrada para acabar com o mercado local. Uma alternativa que tem-se discutido é que haja uma gradualidade num espaço de três anos para se voltar a alíquota de 35%.” – disse o presidente da Anfavea.
No caso dos ônibus elétricos, o mercado está entre os mais promissores.
Somente na capital paulista, a frota pode chegar a 2,6 mil ônibus elétricos em circulação até o fim de 2024, de acordo com promessa do prefeito Ricardo Nunes. Desde 17 de outubro de 2022, as empresas operadoras do transporte da cidade não podem mais comprar ônibus médios e grandes movidos a diesel e uma lei determina que até 2037, os coletivos tenham emissão zero de gás carbônico.
Outros sistemas de ônibus pelo País também anunciaram ou já iniciaram a eletrificação, como na Grande São Paulo (BRT-ABC), Campinas (SP), São José dos Campos (SP), Grande Vitória, Salvador (BA), Manaus (AM), entre outros.
Em relação à indústria, produzem ônibus elétricos ou tecnologias para eletrificação, a brasileira Eletra (São Bernardo do Campo-SP), a brasileira Marcopolo (Caxias do Sul-RS), a alemã Mercedes-Benz (São Bernardo do Campo-SP), a chinesa BYD (Campinas-SP) e começará a produção a sueca Volvo (Curitiba-BR). A sueca Scania (São Bernardo do Campo-SP) fornece chassis para eletrificação da Eletra. A BYD ainda faz baterias em Manaus (AM) e vai instalar uma planta em Camaçari (BA).
A chinesa Higer anunciou importações de ônibus elétricos para o Brasil, mas diz que abrirá fábricas no Ceará e em um estado ainda a ser definido no Centro-Oeste.
Em julho de 2023, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC informou que três empresas chinesas demonstraram interesse em se instalar na região: Sinomach (China National Machinery Industry Corporation), Chery e Beijing Peak Automotive, que assinaram cartas de intenções com a entidade trabalhista.
Relembre:
Em relação a veículos menores, a Great Wall prepara uma fábrica comprada da Mercedes-Benz no interior de São Paulo
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Colaborou Arthur Ferrari
