Criminosos em carros se identificam como motoristas de aplicativo, prometem tarifas menores, mas clonam cartões de banco e até raptam passageiros que são obrigados a fazer saques em caixas eletrônicos
ADAMO BAZANI
O casal W.B. de 82 anos, e AJB, de 73 anos, saía de uma clínica médica em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, quando em um carro cinza, um homem muito simpático pergunta se os idosos tinham chamado Uber ou táxi.
Claro que o motorista suspeitava que, pela forma como o casal de idosos mexia no celular e olhava para os lados, o objetivo era procurar um transporte para ir para a casa.
Dito e feito. WB e AJB queriam mesmo um carro e ainda não tinham chamado.
O motorista, então, disse que trabalhava para a Uber, mas que tinham cancelado sua corrida, se oferecendo, assim, para levar o casal de volta.
Marido e mulher entram no carro e a conversa foi agradável. Na hora de pagar a corrida, anunciada por R$ 15,90, WB quis fazer o pagamento dinheiro, mas o “simpático” motorista disse que não aceitava dinheiro e pediu que o pagamento fosse em cartão de banco.
O idoso de 82 anos aceitou e entregou o cartão para passar na maquininha, que “falhou” em duas tentativas, aceitando a transação na terceira.
Momentos depois, já em casa, o idoso recebe a notícia do banco: foram retirados R$ 4 mil de sua conta na exata hora do pagamento da corrida.
O casal caiu em um golpe.
O fato ocorreu por volta de 12h da última quinta-feira, 31 de agosto de 2023, e segundo especialistas em segurança pública, apesar de perder R$ 4 mil, o casal teve “sorte”.
Uma porque a ação criminosa se “limitou ao golpe”, sem sequestro, rapto ou uso de violência.
Em alguns casos, as vítimas são obrigadas a realizar saques em caixas eletrônicos ou são até mesmo levadas para cativeiros.
Outra sorte é porque o casal pediu para o motorista, em vez de deixá-los em casa, terminasse a corrida em uma padaria que fica perto da residência. Ou seja, o golpista não ficou sabendo onde WB e AJB moram.
Muitos podem pensar que foi uma extrema ingenuidade do casal, mas foi isso mesmo.
E os golpistas se aproveitam desta ingenuidade, em especial quando percebem que as potenciais vítimas são mais vulneráveis, como idosos. O casal não anotou placas e sequer sabia o modelo do carro.
Por isso, as dicas valem para quem está lendo e também para conversar com pais, avós, tios, tias, vizinhos e amigos:
– Corridas por aplicativos, como SPTaxi, Uber, 99, etc; só devem ser solicitadas por meio do celular pelo próprio aplicativo escolhido.
– Nunca aceite propostas de motoristas que se oferecem em saídas de hospitais, clínicas, terminais de ônibus, aeroportos, igrejas, entre outros estabelecimentos.
– As solicitações por aplicativos sempre mostram para o passageiro a cor do carro, modelo, placas e nome do motorista. Sempre confira antes da viagem estas informações e não entre em veículos que tiveram dados diferentes, mesmo que seja um só.
– Se você não pode acompanhar seus pais, tios e avós e nem solicitar para eles os carros de aplicativo e eles não terem afinidade com uso de tecnologia e celulares, melhor que sigam de ônibus, trem, metrô ou peçam táxi por telefone, como pelas centrais de rádio-taxi. Nestes casos, melhor também, se for possível, pagar a corrida em dinheiro.
– Oriente seus pais, avós e tios, em eventual conversa com o motorista, que evitem falar de assuntos pessoais que entreguem a rotina, endereços, posses, horários e pontos fracos.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
