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Metrô de BH tem velocidade reduzida por furto de cabos no 1° dia de retorno após greve de um mês

Alguns trechos só terão normalização plena no sábado (25); Contrato com iniciativa privada deve ser assinado em breve

ADAMO BAZANI

A vida de quem depende do Metrô em Belo Horizonte e região metropolitana não está nada fácil.

Depois de uma greve de mais de um mês, nesta segunda-feira, 20 de março de 2023, o sistema apresenta velocidade reduzida e maior tempo de parada em diversos trechos.

De acordo com a CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos), ocorreram furtos de cabos, deixando as operações com lentidão principalmente entre as estações Cidade Industrial e José Cândido.

A previsão é de reparo e normalização plena somente no próximo sábado (25).

Em alguns pontos, as composições não ultrapassam a 25 km/h.

A Polícia Civil vai iniciar uma investigação.

O contrato de concessão à iniciativa privada deve ser assinado nos próximos dias.

O Sindimetro-MG (Sindicato dos Empregados em Transportes Metroviários e Conexos de Minas Gerais) é contra a privatização, motivo da greve que começou no dia 14 de fevereiro de 2023 e só terminou nesta segunda-feira, 20 de março de 2023.

O contrato com a Comporte Participações, gigante do setor de ônibus urbanos e rodoviários, deveria ter sido assinado em março. O Sindimetro-MG quer que o processo de concessão seja anulado, mas na impossibilidade, pede mais garantia de permanência no emprego dos 1,6 mil funcionários atuais.

A categoria espera uma resposta do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) responsável por dar garantias de financiamento e autorizar a transferência do sistema para a iniciativa privada.

HISTÓRICO:

A greve dos metroviários de BH começou em 14 de fevereiro de 2023, mas antes já ocorreram outras paralisações contra a concessão.

A volta ao trabalho ocorreu apenas no dia 20 de março de 2023, quando o passageiro ainda sentiu dificuldades por causa de furto de cabos que deixou lentas as operações em diversos trechos, principalmente entre as estações Cidade Industrial e José Cândido. Em alguns pontos, as composições não ultrapassam a 25 km/h.

O TRT-MG (Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais) determinou o bloqueio total das contas bancárias de responsabilidade do Sindimetro-MG (Sindicato dos Empregados em Transportes Metroviários e Conexos de Minas Gerais). A decisão judicial atende a CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos).

A Justiça determinou ainda frota mínima de 70%, e equipe de segurança atuando em 100% das jornadas.

A multa diária por descumprimento foi fixada em R$ 100 mil, sendo elevada para R$ 150 mil entre os dias 17 e 22 de fevereiro por ser Carnaval, quando os deslocamentos se intensificaram.

A CBTU protocolou pedido na Justiça no dia 17 de fevereiro de 2023, elevação da multa diária para R$ 1 milhão.

O motivo é o mesmo: os trabalhadores são contra a privatização o sistema de metrô de BH e região metropolitana.

Como mostrou o Diário do Transporte, o leilão de concessão do Metrô de Belo Horizonte ocorreu no dia 22 de dezembro de 2022 e as operações foram concedidas ao Grupo Comporte Participações S.A. que ofereceu o único lance e arrematou por R$ 25,75 milhões (R$ 25.755.111,00), a concessão por 30 anos do Metrô de Belo Horizonte, atualmente sob responsabilidade da CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos). O ágio foi de 33% aproximadamente em relação ao valor mínimo do edital.

O Grupo é ligado à família do empresário Constantino de Oliveira, fundadora da Gol Linhas Aéreas e um dos maiores frotistas de ônibus do País, com empresas de ônibus rodoviários como Expresso União – Patrocínio/MG; Viação Piracicabana – Piracicaba/SP; Empresa Cruz – Araraquara/SP; Princesa do Norte – Santo Antônio da Platina/PR; Penha – Curitiba/PR; Expresso Maringá – Maringá/PR; Expresso Itamarati – São José do Rio Preto/SP; Expresso de Prata – Bauru/SP; Expresso Caxiense – Caxias do Sul/RS; e urbanos, suburbanos e metropolitanos como Viação Piracicabana – Santos/SP; Viação Piracicabana – Praia Grande/SP; BR Mobilidade Baixada Santista – Ônibus Intermunicipais e VLT – São Vicente/SP; Expresso Maringá do Vale – São José dos Campos/SP; Joseense Transportes – São José dos Campos/SP; Princesa do Norte Mogi das Cruzes – Mogi das Cruzes/SP; Empresa Cruz – Araraquara/SP; Viação Luwasa – Catanduva/SP; Expresso Itamarati – São José do Rio Preto/SP; Expresso Itamarati – Votuporanga/SP; Expresso de Prata – Bauru/SP; TCGB – Transporte Coletivo Grande Bauru – Bauru/SP; Cidade Verde Transporte Rodoviário – Sarandi/PR; TCCC – Transporte Coletivo Cidade Canção – Maringá/PR; VAL – Viação Apucarana – Apucarana/PR; BluMob – Blumenau/SC; Viação Piracicabana – Brasília/DF; Viação Pioneira LTDA – Brasilia/DF; Empresa de Transportes Líder – Uberaba/MG; Viação São Geraldo Sacramento – Uberaba/MG, entre outras em sociedade ou de controle único.

Na área de trilhos, o Grupo Constantino atua no VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) entre Santos e São Vicente, no litoral Sul de São Paulo, por meio da empresa BR Mobilidade.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/12/22/grupo-comporte-da-familia-de-constantino-de-oliveira-arremata-concessao-do-metro-de-belo-horizonte/

O contrato com a Comporte Participações, gigante do setor de ônibus urbanos e rodoviários, deveria ter sido assinado em março. O Sindimetro-MG quer que o processo de concessão seja anulado, mas na impossibilidade, pede mais garantia de permanência no emprego dos 1,6 mil funcionários atuais.

A categoria pediu uma resposta do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) responsável por dar garantias de financiamento e autorizar a transferência do sistema para a iniciativa privada.

 

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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