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ANTT declara que Suzantur só poderá operar quatro linhas da Caiçara desde que sem vínculo com identidade visual da Itapemirim

Para operar linhas da Caiçara, empresa não poderá caracterizar seus veículos com a marca da Itapemirim 

ALEXANDRE PELEGI

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) respondeu à Justiça sobre as exigências cumpridas e não cumpridas pela Suzantur (Transportadora Turística Suzano).

Em oficio encaminhado ao Juiz de Direito da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo, a agência ressalta que a Suzantur foi comunicada da ativação das quatro linhas que solicitou da Viação Caiçara, do grupo Itapemirim, no dia 24 de fevereiro de 2023.

As linhas são:

Volta Redonda (RJ) – Curitiba (PR), prefixo nº 07-9002-00;

São Paulo (SP) – Curitiba (PR), prefixo nº 08-9439-00;

São Paulo (SP) – Rio de Janeiro (RJ), prefixo nº 08-9440-00 (Neste caso, a Suzantur deverá ajustar o quadro de horários para atingir a frequência mínima de 28 horários semanais estabelecida para o mercado); e

Guarapari (ES) – Belo Horizonte (MG), via João Molevade, prefixo nº 17-9001-00.

No entanto, a ANTT faz algumas observações a respeito da solicitação da Suzantur.

Em primeiro lugar, para operar linhas da Viação Caiçara Ltda Falida, a empresa não poderá caracterizar seus veículos com a marca da Itapemirim, pois isso “pode caracterizar violação ao que dispõe o art. 37 do Código de Defesa do Consumidor, induzindo-se o consumidor ao erro a respeito da natureza e característica essenciais do serviço de transporte”.

A agência ressalta que não existe a figura de “Grupo Econômico” junto à ANTT e à legislação federal que rege o transporte rodoviário interestadual de passageiros.

Em decorrência disso, os serviços deverão ser operados de forma independente, sem vinculação.

Esta ressalva, diz a ANTT, é relevante pois não há nos autos autorização para fusão entre as sociedades empresárias Viação Itapemirim à Viação Caiçara.

Em segundo lugar, a agência informa outro fato importante: não houve até hoje solicitação para operação de qualquer das 57 linhas base existentes da Itapermirim. Isso, ressalta a ANTT, prejudica “a avaliação de requisitos técnico-operacionais da respectiva Licença Operacional – LOP, diante da ausência de interesse da arrendatária”.

Já no caso da Caiçara, a ANTT informa que a Suzantur manifestou interesse na operação de apenas quatro das 73 linhas base existentes.

ENTENDA:

Contando tributos e débitos com fornecedores, bancos e trabalhadores, o Grupo Itapemirim, que estava em recuperação judicial desde março de 2016, tem dívidas que chegam a R$ 2,2 bilhões. Depois de ter o proprietário afastado, Sidnei Piva de Jesus, suspeito de crimes falimentares e gestão fraudulenta, envolvendo supostas transferências de recursos ilegais das empresas de ônibus para fundar a ITA (Itapemirim Transportes Aéreos), o Grupo Itapemirim teve a falência decretada pela Justiça em 21 de setembro de 2022.

Na decisão pela falência, o juiz João Oliveira Rodrigues Filho, do Tribunal de Justiça de São Paulo, autorizou o arrendamento de linhas e estruturas operacionais da Itapemirim e da Kaissara para a Suzantur, empresa que atuou no ramo de fretamento e opera ônibus urbanos em quatro cidades do ABC Paulista (Santo André, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires) e no município de São Carlos, no interior do Estado de São Paulo. A empresa atuava até 2020 no ramo de fretamento também (Relembre o fim da Suzantur no fretamento https://diariodotransporte.com.br/2020/06/29/exclusivo-grupo-comporte-da-breda-e-piracicabana-vai-assumir-servicos-e-onibus-da-suzantur-fretamento/ )

Contestaram o arrendamento das linhas para a Suzantur, a ANTT Agência Nacional de Transportes Terrestres, a Viação Garcia (empresa de ônibus rodoviários do Sul do País que tinha interesse nas mesmas linhas e que alegar que ofereceu propostas melhores) e o próprio Grupo Itapemirim. A Associação dos Credores da Itapemirim, grupo que diz representar uma parte dos credores, também não quer que a Suzantur opere as linhas.

O Grupo Itapemirim é formado pelas seguintes empresas:

– Viação Itapemirim S.A (CNPJ: 27.175.975/0001-07;

– Transportadora Itapemirim S.A (CNPJ:33.271.511/0001-05);

– ITA Itapemirim Transportes S.A.(CNPJ:34.537.845/0001-32);

– Imobiliária Bianca Ltda. (CNPJ: 31.814.965/0001-41);

– Cola Comercial e Distribuidora Ltda.(CNPJ: 31.719.032/0001-75);

– Flecha S.A.Turismo, Comércio e Indústria (CNPJ: 27.075.753/0001-12);

– Viação Caiçara Ltda.(CNPJ: 11.047.649/0001-84) – marca fantasia: Kaissara

A Suzantur, originária do setor de fretamento, tem como sócio principal o empresário Claudinei Brogliato.

Atualmente a empresa opera linhas urbanas nas seguintes cidades:

– Santo André (Grande São Paulo): Sistema tronco-alimentado de Vila Luzita – em caráter provisório desde 2016 porque a prefeitura ainda não lançou uma nova licitação para conceder este sistema que era operado pela Expresso Guarará. O sistema Vila Luzita, individualmente, atende a maior demanda de passageiros de Santo André;

– Diadema (Grande São Paulo): Todas as linhas municipais por concessão (aquisição das operações da Benfica e MobiBrasil);

– Mauá (Grande São Paulo): Todas as linhas municipais por concessão;

– Ribeirão Pires (Grande São Paulo): Todas as linhas municipais por concessão (aquisição das operações da Rigras);

– São Carlos (Interior de São Paulo): Todas as linhas depois de operações emergenciais com a saída da empresa Athenas Paulista em 2016. O Grupo Suzantur foi considerado vencedor na licitação do sistema em 1º de setembro de 2022, para assumir contrato de 10 anos prorrogáveis por mais 10 anos. O Grupo participou da concorrência com o nome da Rigras, de Ribeirão Pires.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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