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SMT convoca reunião do CMTT para discutir redução de emissão de carbono com a substituição da frota de ônibus da capital paulista

Decisão recente da prefeitura proíbe empresas do sistema municipal de transporte coletivo de comprarem veículos a diesel a partir de agora

ALEXANDRE PELEGI

A polêmica sobre a recente manifestação da SPTrans, com apoio do prefeito Ricardo Nunes, de impedir a introdução a partir de agora de ônibus a diesel no sistema de Transporte Coletivo da capital será tema de pauta da próxima reunião do CMTT – Conselho Municipal de Trânsito e Transporte.

A convocação do Conselho foi feita em Diário Oficial nesta quarta-feira, 19 de outubro de 2022, pelo Secretário Municipal de Mobilidade e Trânsito, Ricardo Teixeira.

A reunião será realizada nesta sexta-feira (21) das 09h às 12h. A participação, além dos conselheiros, está aberta à população através da plataforma Teams.

O segundo item da pauta aparece como “redução de emissão de carbono com a substituição de frota de ônibus”.

Como mostrou o Diário do Transporte em primeira mão no sábado, 15 de outubro de 2022, que véspera (14) a SPTrans enviou às companhias uma circular, com a rubrica da Superintendência de Contratos do Sistema de Transporte, proibindo a inclusão de novos ônibus a diesel nas linhas municipais a partir de segunda-feira (17).

A medida causou surpresa no setor, que foi pego de surpresa.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, reforçou a decisão. Nessa terça-feira (18) ele disse que teve de ser contundente para que as empresas de ônibus começassem de fato a buscar modelos menos poluentes e, assim, cumprirem os contratos assinados em 2019 e a Lei de Mudanças Climáticas que determinam reduções de emissões de poluentes pelos transportes coletivos sobre pneus na cidade.

Segundo o prefeito, a administração pública tentou buscar diálogo com as empresas e que, para que houvesse a possiblidade real do cumprimento da meta de 2,6 mil ônibus elétricos operando na cidade de São Paulo até o fim de 2024, foi necessária uma “atitude contundente”.

O presidente do SPUrbanuss, entidade que representa as empresas de transportes da capital paulista, Francisco Christovam, em entrevista na tarde de segunda-feira (17) ao Diário do Transporte, afirmou que a determinação da SPTrans vai aumentar os custos de produção dos serviços de transportes na cidade e, com isso, os subsídios e as tarifas devem aumentar. Os ônibus a diesel em circulação não serão retirados, podendo operar até o fim da idade permitida.

Dos quase 14 mil ônibus, municipais, a cidade de São Paulo conta hoje com 219 ônibus elétricos, sendo 201 trólebus (conectados à rede aérea operados pela empresa Ambiental do Consórcio TransVida) e 18 movidos a bateria (operados pela Transwolff, na zona Sul de São Paulo).

Christovam diz que, em média, um ônibus elétrico custa três vezes mais que um modelo similar a óleo diesel e que os custos operacionais são hoje entre 10% e 15% maiores que dos ônibus à combustão tradicional.

Segundo o presidente da entidade, contratualmente, as empresas devem ser remuneradas pelos serviços prestados e pelos custos. Sendo assim, se os custos sobem, logo sobem os recursos necessários para bancar os serviços; estes recursos hoje são provenientes da tarifa e dos subsídios.


Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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