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ENTREVISTA: BRT Sorocaba completa dois anos e comemora grande transformação no serviço de transporte

Para o diretor de operações Manoel Ferreira, número de usuários tem crescido graças à qualidade do sistema, que oferece soluções inteligentes, previsibilidade e rapidez nos deslocamentos

ALEXANDRE PELEGI

O BRT de Sorocaba, importante cidade do interior de São Paulo com quase 700 mil habitantes, completa dois anos de operação.

Até aqui foram mais de 20 milhões de passageiros transportados, junto à aprovação dos usuários do sistema.

Foram mais de 846 mil viagens realizadas nas zonas Norte, Sul, Leste, Oeste e Centro da cidade.

Com a chegada do BRT, a empresa que o constrói e administra afirma que andar de ônibus se tornou mais atrativo, tecnológico, confortável e seguro.

A cidade ganhou mais dois novos terminais, o Vitória Régia e o São Bento, 22 estações distribuídas nos Corredores exclusivos Itavuvu e Ipanema, a revitalização de 91 pontos de parada e uma frota com 77 veículos, sendo superarticulados e padron.

Há previsão de se investir R$ 450 milhões em obras de infraestrutura, projetos, desapropriações, material rodante e ITS (Sistema Inteligente de Transporte).

O Diário do Transporte entrevistou nessa quarta-feira, 31 de agosto, o diretor de operações da BRT Sorocaba, Manoel Ferreira, que fala sobre as conquistas e desafios do projeto.

Diário do Transporte: Qual a importância efetiva para a cidade do BRT? Como isso se traduz?

Manoel Ferreira: Podemos falar da mobilidade urbana da cidade antes e depois do BRT. Antes era analógica, limitada e com pontos de parada simples. Com a chegada do sistema BRT Sorocaba, houve uma reorganização da malha de transporte e os passageiros passaram a usufruir de uma infraestrutura nova e altamente tecnológica com total assistência de ponta a ponta, desde o momento do embarque ao desembarque.

Fizemos uma grande transformação no serviço de transporte, proporcionando deslocamentos mais rápidos, confortáveis e seguros. Disponibilizamos uma nova frota veicular, estações, terminais e pontos de parada em locais estratégicos, flexibilidade nos pagamentos e ampliamos a comunicação. Hoje, a população tem acesso a um serviço de transporte coletivo de qualidade que é referência no país.

DT: O BRT completa dois anos justo no pior momento do transporte do país, afetado duramente pelos impactos causados pela pandemia de covid. Diante disso, os mais de 20 milhões de passageiros transportados até aqui representam quanto da demanda estimada antes da pandemia?

MF: De fato, a pandemia trouxe impactos em diferentes setores e no transporte não foi diferente. No começo, tivemos um período delicado e de adaptação, algo que consideramos natural, pois nunca tínhamos vivido tal situação. O transporte, por ser considerado um serviço essencial, nos permitiu seguir as atividades, superando as situações diárias e transformando a crise em aprendizados.

Lançamos a operação do BRT em um momento desafiador, mas a qualidade do nosso time nos possibilitou vencer as adversidades, trazer o passageiro de volta para o sistema e fideliza-lo. Antes da pandemia estimávamos um volume anual de 15 milhões de passageiros. Contudo, notamos que apesar do déficit do passado, hoje, o número de passageiros tem aumentado a cada dia.

DT: Vocês avaliam que o sistema teve como um dos principais destaques positivos a atração de novos passageiros para o transporte coletivo, além de recuperar outros que o haviam deixado. Como vocês concluíram isso?

MF: Atribuímos o  crescimento de usuários devido a qualidade do sistema com as soluções inteligentes e a previsibilidade e rapidez nos deslocamentos. Conseguimos atrair os passageiros que já utilizavam o antigo transporte coletivo, mas também, novos passageiros, especialmente, os mais jovens que se identificaram com uma operação altamente tecnológica.

Além disso, o nosso sistema BRT trouxe facilidade para pessoas com limitação visual e física. Em todos os terminais, estações, pontos de paradas e no entorno destes locais (cerca de 50 m) instalamos rampas de acesso e piso podotátil que ajuda a conduzir o passageiro até o lugar de embarque. Com isso, possibilitamos que esse passageiro exerça o seu direito de ir e vir com dignidade e segurança. O que nos deixa muito honrados de poder contribuir. Isso também é mobilidade urbana.

Outro fator que favorece o crescimento de usuários foi o aumento dos combustíveis. Muitos cidadãos que andavam de carro, acabaram migrando para o transporte coletivo visando a economia no orçamento.

DT: Se fosse possível em poucas palavras definir Sorocaba antes e depois do BRT, como você explicaria? Quais as grandes mudanças percebidas pelo passageiro?

MF: As mudanças foram muitas e extremas, investimos desde obras de infraestrutura até material rodante. Para resumir, diria que hoje temos um transporte coletivo moderno, tecnológico e eficiente. Investimos R$ 50 milhões em tecnologia e inovação para que soluções inteligentes auxiliem em deslocamentos mais ágeis e com previsibilidade para os passageiros.

No feedback que temos dos passageiros, eles destacam ainda o conforto dos veículos e a segurança de estarem em ambientes monitorados. A frota do BRT é equipada com ar condicionado, tomadas USB, wi-fi, monitoramento de câmeras e painéis de informações. Os veículos possuem elevador e espaços adaptados e dedicados a pessoas com necessidades especiais. Além disso, temos 1902 câmeras espalhadas nos veículos, estações, terminais e vias acompanhando o dia-a-dia do transporte.  Com isso, a população se sente mais à vontade e segura para andar de ônibus.

Além desses fatores, também requalificamos 10 importantes avenidas e 91 pontos de paradas distribuídos nas zonas Norte, Sul, Leste, Oeste e Centro. As avenidas receberam uma faixa especial de concreto e um novo asfalto. Já, os pontos de parada ganharam um mobiliário urbano com cobertura, assentos, espaço reservado para cadeirante, tomadas USB, placas solares e painéis informativos que indicam a chegada do ônibus.

Tudo que mencionei não existia antes. Por isso, a chegada do BRT revolucionou a motilidade urbana da cidade.

DT: Se você pudesse ponderar os avanços tecnológicos trazidos pelo BRT, qual foi sua participação no sucesso do empreendimento?

MF:  Como gestor enxergo o sucesso de forma coletiva. Somos um grande time. Para tudo que realizamos, contamos com o suporte e a capacidade técnica de diversos profissionais e setores. A minha contribuição destaca-se na estratégia de gestão e operação. Coloco todo o meu conhecimento de quase 30 anos de experiência no serviço do transporte à disposição da operação do BRT Sorocaba.

DT: Sabemos que o projeto de BRT é uma PPP, o que significa investimentos e riscos para o investidor. Olhando para os dois anos cumpridos, o que esperar? O projeto é um sucesso que pode melhorar ainda mais?

MF: Somos uma empresa de transporte e o nosso objetivo é ofertar um serviço de qualidade, tendo equilíbrio e satisfação para todas as partes envolvidas. Estes dois anos de operação estão dentro do planejado e estamos muito contentes pelo cenário que conseguimos. Daqui por diante, seguiremos otimistas, trabalhando muito e mantendo o nosso foco de melhoria contínua.

DT: Como a cidade recebeu e como hoje recebe o BRT? O modo de transporte já está incorporado à cultura local? Sorocaba conseguiria passar sem o BRT?

MF: Como toda novidade, no começo tivemos um período de adaptação. O que já era esperado. Agora, a população está familiarizada ao sistema e o BRT já foi incorporado ao cotidiano nas pessoas. Seja para ir trabalhar, estudar ou passear, o BRT está presente. Acredito que ficar sem o BRT na rotina da cidade seria um retrocesso devido as diversas transformações positivas trazidas pelo sistema. Hoje, andar de ônibus com o BRT é mais rápido, seguro, confortável, digital e acompanhando pelo nosso Centro de Controle Operacional. Se o passageiro precisar de algo, conseguimos dar suporte em minutos. Estamos cuidando do nosso cliente que é passageiro e também é cidadão.

 

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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