Valor proposto é de R$ 90 milhões por linhas de ônibus, marca, móveis, imóveis, agencias, guichês, veículos, acervo, propriedade intelectual e demais bens tangíveis e intangíveis. Para aérea, proposta é de R$ 34 milhões
ADAMO BAZANI
Colaborou Alexandre Pelegi
A Viação Itapemirim, Viação Caiçara (Kaissara) e a Imobiliária Bianca, que fazem parte do Grupo Itapemirim, receberam uma proposta de compra de R$ 90 milhões por uma empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, consideradas um dos maiores paraísos fiscais do mundo.
Já a ITA (Itapemirim Transportes Aéreos) teve uma proposta formal de compra por R$ 34,1 milhões por um grupo sediado na China, Londres e Estados Unidos.
O Grupo Itapemirim tem dívidas de R$ 2,2 bilhões, está em recuperação judicial desde março de 2016, teve pedido de falência feito pela administradora judicial EXM Partners e o seu atual proprietário, Sidnei Piva de Jesus, está afastado por ordem judicial do comando das empresas sob suspeita de fraudes, desvios de dinheiro e outros crimes financeiros que são negados pelo empresário.
Os pedidos foram protocolados no processo de recuperação judicial e serão analisados pela Justiça, que pode encaminhá-los a uma AGC (Assembleia Geral de Credores).
ÔNIBUS E IMOBILIÁRIA:
No caso das operações de ônibus, que constituem o maior patrimônio do Grupo Itapemirim já que a ITA (Itapemirim Transportes Aéreos) devolveu os aviões que usava, a proposta de R$ 90 milhões foi feita pela Paparino Holding Corp.
A companhia se apresentou na petição como sociedade constituída como BVI Business Company, ou seja, atua de acordo com as leis das Ilhas Virgens.
No pedido, Paparino é representada por Gabriel Luiz Santos da Silva (“Companhia”) e Safer LlC, com sede na Califórnia (EUA).
A empresa propõe as seguintes condições de pagamento:
- Depósito na conta judicial de R$ 5.000,000,00 (cinco milhões de reais)-
- Disponibilização de R$ 25.000.000,00 (vinte e cinco milhões de reais) em Cédulas de Crédito Bancário (CCB);
- Após transcurso de prazo carencial de 12 (doze) meses, quitação do saldo remanescente em 36 (trinta e seis) parcelas mensais, iguais e sucessivas;
Caso seja aprovada a alienação, a Paparino pede que acabe a atuação do Watchdog (espécie de fiscal das contas da Itapemirim) e do Gestor Judicial.
A proposta é datada de 02 de agosto de 2022 e tem validade de 30 dias.
AÉREA:
Já a ITA (Itapemirim Transportes Aéreos), empresa constituída por Sidnei Piva de Jesus, que parou de voar repentinamente em 17 de dezembro de 2021, depois de seis meses de atividade deixando milhares de passageiros na mão, recebeu proposta de compra da Atlantic Inc Holding Ltd, com sede em Londres, com as empresas Atlantic Capital Inc (Miami/EUA) e Shark Enterprises Company Limited (Hong Kong/China).
Na petição, o grupo de empresas diz que é representada no Brasil por Nelson Luiz de Carvalho Taborda e as companhias Atlantic Bank Ltda (São Paulo/SP) e Atlantic In The Air Inc Ltda (Rio de Janeiro/RJ).
A Atlantic propõe o “pagamento do mútuo”, ou seja, do repasse ou empréstimo das empresas de ônibus para aos aviões (ITA) feito por Piva, no valor de R$ 34 milhões (R$ 34.113.178,00).
Em troca, o grupo internacional deteria a ITA e a retiraria da posse do Grupo Itapemirim. Diferentemente das empresas de ônibus (Viação Itapemirim e Viação Kaissara – Caiçara), a ITA não está na recuperação judicial.
A proposta tinha validade até 12 de julho de 2022, mas dependendo o parecer da Justiça e de credores, pode ser renova.
Veja a documentação:
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
