Estatal fez balanço de redução de consumo que pode chegar a R$ 35 milhões por ano com tecnologias que vão desde novas lâmpadas até equipamentos de sinalização do sistema
ADAMO BAZANI
O CBTC (siga em inglês para Controle de Trens Baseado em Comunicação), que é um sistema de controle e sinalização de trens, além de permitir a redução da distância entre uma composição e outra possibilitando aumento da quantidade de trens em uma linha, pode também reduzir o consumo de energia elétrica.
É o que diz o Metrô de São Paulo em comunicado desta quinta-feira, 28 de julho de 2022, em balanço sobre investimentos em tecnologias para deixar os gastos com energia menores.
Segundo a estatal, por causa de ações que vão desde a instalação de novas lâmpadas até a compra de equipamentos para a movimentação dos trens, tem sido possível reduzir anualmente em R$ 35 milhões a conta de energia.
O CBTC, por exemplo, gera uma economia de 11% por ano no consumo em comparação com os sistemas de controles mais antigos.
O problema é que o CBTC já não é mais nenhuma novidade no mercado e ainda não são todas as linhas que possuem a tecnologia em São Paulo.
Segundo o Metrô, no balanço, o sistema ainda está sendo instalado na linha 3-Vermelha, a mais movimentada da rede.
Na linha 1-Azul, a mais antiga, a implantação da tecnologia só foi finalizada neste ano.
Na linha 2-Verde, o funcionamento já ocorre há mais tempo e o monotrilho da linha 15-Prata já foi inaugurado com o sistema.
O novo sistema de sinalização e controle, chamado de CBTC, já presente nas Linha 1 – Azul, Linha 2 – Verde e Linha 15 – Prata, além de proporcionar maior regularidade na oferta de viagens, gera uma economia de energia na ordem de 11% quando comparado aos sistemas convencionais. Para a Linha 3 – Vermelha os equipamentos já estão instalados e os softwares desenvolvidos serão testados e avaliados em plataformas de desenvolvimento, testes de fábrica, e posterior uso na operação comercial.
Quanto à iluminação de prédios, estações, plataformas e áreas técnicas, o Metrô diz que em 2017 começou a trocar lâmpadas fluorescentes por modelos de LED com a meta de 150 mil lâmpadas e uma economia de R$ 2 milhões por ano só com a iluminação.
A instalação do Inversor de Tração nas subestações também foi citada no balanço.
Este equipamento consegue reaproveitar a energia regenerada pelos trens e disponibilizá-las para outros trens em circulação na mesma linha.
A empresa explica que os trens do Metrô são concebidos com um sistema de freio elétrico capaz de regenerar energia elétrica a partir da energia cinética dos trens em movimento.
Isso, segundo o Metrô, traz um ganho significativo no desempenho energético dos trens, ou seja, os motores dos trens são transformados em geradores elétricos durante as frenagens. “Maximizar esse efeito é o grande desafio dos especialistas em tração elétrica. Essa tecnologia é utilizada também nos carros elétricos e até nos carros de corrida da Fórmula 1.” – explica a nota.
O Metrô diz que criou um Comitê de Energia, formado por funcionários de diferentes áreas da Companhia, que monitora o consumo de energia em determinadas áreas como subestações elétricas, tração de trens, sistemas de sinalização, de equipamentos auxiliares, entre outros, e propõe estratégias de contratação, estratégias operacionais e os requisitos de manutenção para o desempenho perfeito dos sistemas.
“No momento, o Comitê de Energia concentra 19 atividades, que foram apontadas e propostas por seus participantes, entre as quais a aquisição de painéis solares para estações, a revisão permanente do Programa de Oferta de Trens e gestão do contrato de fornecimento de energia.” – explica a nota.
Ainda de acordo com a nota, as ações para tentar reduzir o consumo energético receberam reconhecimento de especialistas internacionais.
Este trabalho de redução de consumo de energia elétrica foi reconhecido nos Congressos da UITP – União Internacional de Transportes Públicos, em 2018; e da UIC – União Internacional de Ferrovias em maio de 2022, onde foi selecionado entre os três melhores projetos na categoria “Melhor Adaptação e Resiliência às mudanças Climáticas”.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
