Associação de Credores e ex-funcionários da Itapemirim se manifesta contra decretação de falência

Administradora judicial EXM Partners pediu que Justiça decretasse fim da Itapemirim e apontou propostas da Suzantur e da Ricco Transportes como alternativas

ADAMO BAZANI

A Associação de Ex-Funcionários e Credores do Grupo Itapemirim S/A se manifestou nesta quarta-feira, 20 de julho de 2022, contra a decretação de falência das empresas, como a Viação Itapemirim e Viação Caiçara (Kaissara).

A Justiça ainda vai decidir se o Grupo Itapemirim vai falir ou não.

Como mostrou o Diário do Transporte, a administradora judicial EXM Partners entendeu que as companhias não têm mais condição de se reerguer e pediu que a Justiça decretasse o fim da Itapemirim, Kaissara, entre outras companhias, e apontou as propostas da Suzantur e da Ricco Transportes para assumir as linhas como alternativas.

A oferta da Suzantur é mais abrangente. Enquanto a Ricco quer arrendar somente as linhas da Kaissara, a Suzantur, empresa de ônibus urbanos do ABC Paulista e que atuou em fretamento,  quer operar por 12 meses todas as linhas da Itapemirim, Kaissara, guichês e estruturas.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/07/19/itapemirim-veja-a-proposta-da-suzantur-para-assumir-linhas-e-estruturas/

O presidente da entidade, Paulo Marcos Adame, classificou na manifestação o pedido de falência como “absurdo” e, ainda em seu texto, chegou a levantar a possibilidade de haver interesses financeiros da EXM na defesa da proposta da Suzantur e na decretação da falência.

Isso só nos leva a acreditar que possam existir interesses financeiros por parte da Administradora Judicial na decretação da falência do Grupo Itapemirim. Afinal, recentemente ela recebeu proposta da TRANSPORTADORA TURÍSTICA SUZANO LTDA “manifestando interesse no arrendamento, pelo prazo de 12 (doze) meses, renovável por igual período, de todas as linhas, guichês, marcas e parte dos imóveis operacionais das Recuperandas.” Ora, esta Associação tem o direito de saber o porquê de a Suzano ser favorecida sendo que ela não é a única empresa do ramo no mercado e, com certeza, existem outras empresas com interesse e com valores e/ou propostas melhores.

A associação prosseguiu as críticas à administradora judicial, classificando sua atuação como “apática” e ainda sustentou que a falência desrespeitaria uma decisão recente, de 18 de maio de 2022, da AGC (Assembleia Geral de Credores), na qual foi nomeado um novo gestor no lugar do empresário Sidnei Piva de Jesus (afastado por ordem judicial) para apresentação de um novo plano de recuperação judicial e tentativa de reerguer as empresas.

A entidade disse acreditar que com a falência, os credores e ex-funcionários terão mais dificuldades para receberem.

 

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. vagligeiro disse:

    Oi Associação de Credores e (ex-)Funcionários, licença para uma opinião de leigo?

    Já que vocês não querem a falência, não seria interessante VOCÊS MESMOS chegarem no juíz e propor a operação de forma cooperativa? Ou seja, as operações Kaissara/Itapemirim sejam feitas por funcionários (ou ex-funcionários recontratados) em regime de cooperativa? Bastaria fazer cálculos para ver o quanto compensaria para a operação render os valores tanto para funcionários quanto para pagar credores da Itapemirim, e pronto! A empresa mantém a marca, as linhas e os pontos, assim podendo operar até a hora que garantir a própria saúde financeira, pagando os devedores e funcionários.

    Do jeito que está, só tem abutre comendo carcaça, se entendem a analogia aqui. Ou todos os interessados – credores e funcionários ativos ou desligados – se unem para reativar a empresa e faze-la minimamente viável para pagar as próprias dívidas, ou os abutres vão comer o resto da empresa.

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