Mercedes-Benz chega a 50,1% de participação do mercado de ônibus e lidera segmento de micros pela primeira vez

De acordo com Walter Barbosa, para 2022 há mais oportunidades do que desafios. Foto: Divulgação.

Oportunidades para 2022 estão em compras antecipadas devido à chegada do Euro 6, eleições, compras governamentais e demanda represada nos segmentos urbano e rodoviário

JESSICA MARQUES

A Mercedes-Benz está com 50,1% de participação do mercado de ônibus e está liderando o segmento de micro-ônibus pela primeira vez.

Os detalhes foram divulgados pelo diretor de Vendas e Marketing Ônibus da Mercedes-Benz do Brasil, Walter Barbosa, em entrevista coletiva nesta quarta-feira, 13 de julho de 2022, com participação do Diário do Transporte.

Em 2021, a participação estava em 38,3%, portanto houve um crescimento de 27%. Atualmente, o maior market share é no segmento de rodoviários, com 75%. Em seguida, está o de urbanos, com 72%.

Por sua vez, o fretamento está em 43,5% de participação. Por fim, nos escolares, o market share é de 30,6%. O segmento é o único em que a Mercedes-Benz não está na liderança.

“É a primeira vez que a Mercedes-Benz atinge também a liderança no segmento de micro-ônibus. Graças ao foco que nós tivemos em conjunto com a rede de concessionárias, em um trabalho específico e dedicado ao varejo, com inteligência de mercado. Fizemos um programa junto com a rede e tivemos uma participação forte da Volare, que contribui para que a gente tivesse essa performance”, afirmou Walter Barbosa.

Segundo o diretor, no segmento de escolares, o número também é positivo, apesar de a empresa não ser líder neste mercado. Afinal, o desempenho depende de preços devido às licitações.

RESULTADOS POR SEGMENTO

De acordo com Barbosa, o melhor melhor ano dos últimos tempos foi 2019, com 20.741 unidades emplacadas. Em 2018, foram 14.452. Em 2020, foram 13.830 e em 2021, 13.926.

Comparando o primeiro semestre de 2021 com o mesmo período deste ano, houve uma queda de 2,6%, passando de 7.493 para 7.297. Entretanto, as entregas estão atrasadas, o que compromete os números.

“A falta de componentes tem feito um descompasso total entre a realidade de vendas efetivas versus o que está se entregando. Isso vale para todo o segmento”, explicou Barbosa.

“As entregas dos veículos estão atrasadas. O Renavam normalmente representava 3 meses para trás do mercado, mas agora representa muito mais. Estamos entregando agora veículos que foram fechados em janeiro. Todos os fornecedores têm pedidos previstos para serem entregues até o final do ano. Isso está dando um descompasso completo em relação ao Renavam. O mercado cresceu até 50% neste ano, mas ainda não é possível ver isso nos emplacamentos”, detalhou.

O diretor projeta que este será um ano promissor para urbanos. Detalha ainda que os rodoviários estão com crescimento de 159% porque a base é pequena para 2021.

“Mas mesmo assim vai ser um ano muito bom para o rodoviário e a tendência é ter volumes maiores nos próximos anos também, por algumas razões. Primeiro os custos elevados da malha aérea. O quanto subiram os custos do transporte aéreo gera uma procura maior pelo segmento rodoviário”, avaliou.

“Nós temos empresas novas surgindo no mercado, com serviços on demand [sob demanda]. O rodoviário tende a mudar um pouco a composição. Em vez de se concentrar nos grandes operadores, é dar uma balanceada. Ainda ficará a maior parte com os grandes, mas novos clientes estão chegando mês a mês, ano a ano para trabalhar no segmento de rodoviários”, complementou.

OPORTUNIDADES EM 2022

De acordo com Walter Barbosa, 2022 é um ano de virada de chave. Há mais oportunidades do que desafios.

“As coisas começaram a melhorar em meados de 2021, quando a população atingiu um índice de vacinação superior a 70%. Graças à vacinação, boa parte do transporte retomou. A gente não vai ver 100% do transporte, por conta dos novos hábitos, do home office. Até mesmo a Mercedes-Benz aplica um sistema híbrido de trabalho onde 50% fica em home office. Isso tudo faz com que o transporte não chegue a 100%, mas em alguns municípios já chega a 90%”, pondera.

Contudo, o diretor afirma que em ano eleitoral há uma grande demanda de veículos urbanos, renovação de frota e compras governamentais.

“Esse ano será sem dúvida o maior volume de Caminho da Escola dos últimos tempos. Neste ano, foram 10 mil veículos comprados pelo governo, desde o final do ano passado. Mas estes precisam ser entregues neste ano, porque são Euro 5”, projetou.

“Em 2020 e 2021 praticamente não teve demanda significativa em urbano e rodoviário. A demanda está represada e neste ano veio fortemente nos municípios, em ambos os segmentos. O pré-buy também. A maior parte dos empresários não quer pagar custos de tecnologia do Euro 6 e querem antecipar as compras”, avaliou também.

Além disso, atualmente a disponibilidade de crédito ainda não está boa, mas já está melhor do que no período inicial da pandemia, segundo Barbosa.

“Todos os clientes, ou a grande maioria, fizeram renegociações com bancos, o que impacta em créditos futuros. Essa fase está caminhando por um momento melhor gradativamente. Ainda acho que a disponibilidade é um desafio. A demanda de passageiro menor que 2019 faz todo o sentido e será assim. Aumentos de custos é um problema que afeta diversos setores, não só o de transporte”, considera.

“A gente fala muito em semicondutores, mas também não é apenas semicondutores que faltam no mercado. Eu diria que houve um descompasso mundial na cadeia logística. Isso está afetando muito a indústria automobilística. Algumas mais, outras menos. Depende de uma série de fatores. No caso da Mercedes-Benz, no urbano, se a gente tem 70% de participação, a falta de semicondutores vai afetar muito mais a empresa neste sentido. Isso está sendo um problema, porque acaba limitando a nossa produção neste ano de 2022. Se os desafios não forem solucionados até o final do ano, podem impactar fortemente no volume”, comenta também.

AÇÕES DURANTE A PANDEMIA

Nestes últimos dois anos de pandemia, a Mercedes-Benz lançou diversos produtos com o menor custo operacional, com o menor consumo de combustível e até com o menor preço de aquisição, como o caso do OF 1621, dedicado ao fretamento.

Além disso, para os usuários, a empresa fez a campanha “Vá de Ônibus, Vá Seguro”, mostrando as tecnologias que para reduzir o contágio pela covid-19 nos ônibus.

Também foi feita a doação de dois ônibus para a Cruz Vermelha, que já somam mais de 80 mil atendimentos em vacinação.

Barbosa detalha que também foram feitas várias discussões sobre como apresentar uma proposta incluindo infraestrutura, financiamento, qualidade, transparência, com diversas parcerias.

“Foram mais de 3 mil secretários de transporte, mais de 10 lives apresentando essas propostas de trabalho para que a gente pudesse implementar nos próximos anos. Eu diria que em 2022 a gente já consegue colher frutos desse trabalho do Marco Zero Legal do Transporte. A gente consegue enxergar muitos municípios querendo implementar subsídios para poder suportar o sistema de transporte”, finalizou.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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Comentários

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  1. é…Não tem prá ninguém….parabéns Mercedes por fazer da mobilidade, carro chefe da vida humana trabalhadora. Pena agora faltar peças e ter de travar o andamento da área. Hoje tive a oportunidade de ainda ver rodando o MBB LP 321 cara chata, que era muito famoso aqui no Brasil,,,

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