OUÇA: Ricardo Nunes anuncia congelamento de tarifa de ônibus na capital paulista e subsídios podem passar de R$ 4 bilhões

Em dez anos, inflação oficial subiu 77% e subsídios podem acumular alta 183,7%

ADAMO BAZANI

Colaboraram Alexandre Pelegi e Willian Moreira

OUÇA

 

Um dia depois de mais uma greve de motoristas e cobradores de ônibus a cidade de São Paulo, o prefeito Ricardo Nunes garantiu nesta quinta-feira, 30 de junho de 2022, que não haverá neste ano aumento da tarifa das linhas municipais, mas disse que os subsídios às operações das empresas de ônibus podem ultrapassar R$ 4 bilhões.

Segundo o prefeito, este valor já contabiliza o reajuste nos salários e no vales-refeições de 12,47% dos motoristas e cobradores, uma das causas das paralisações.

Em 2020 e em 2021, os subsídios ficaram em torno de R$ 3,3 bilhões por ano.

Nunes disse que os R$ 4 bilhões são uma estimativa e que o valor até o fim de 2022 depende de fatores como se a quantidade de passageiros vai subir ou não, se vão ter novos aumentos do óleo diesel e a definição de outras cláusulas trabalhistas, entre outros fatores.

O prefeito ainda contou que se reuniu com o governador Rodrigo Garcia que garantiu que não haverá reajustes nas tarifas dos ônibus metropolitanos, trólebus e VLT gerenciados pela EMTU, dos trens metropolitanos, monotrilho e metrô.

Nos últimos dez anos, confirmando a estimativa de R$ 4 bilhões para 2022, os subsídios podem acumular elevação de 183,7% enquanto o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação oficial, foi de pouco mais de 77%

Veja a evolução

– 2012: R$ 1,41 bilhão

– 2013: R$ 1,64 bilhão

– 2014: R$ 2,15 bilhões

– 2015: R$ 2,13 bilhões

– 2016: R$ 2,62 bilhões

– 2017: R$ 2,92 bilhões

– 2018: R$ 3,3 bilhões

–  2019: R$ 3,3 bilhões

–  2020: R$ 3,3 bilhões

–  2021: R$ 3,3 bilhões

–  2022: R$ 4 bilhões (estimativa)

Para falar do aumento dos subsídios e congelamento de tarifa, Nunes citou em entrevista coletiva o diesel e o reajuste salarial.

“Nós estamos há dois anos sem fazer a correção da tarifa, vocês sabem que o diesel de junho do ano passado até junho agora aumentou 107%, teve agora 12,47% de aumento dos funcionários do transporte, motoristas e cobradores, também sobre o vale, evidentemente o custo do transporte tem aumentado bastante.”

O prefeito ainda disse que o Estado terá de fazer aportes para os transportes metropolitanos.

“Conversei ontem com o governador Rodrigo Garcia, ele não vai aumentar o trem e o metrô e a Prefeitura de São Paulo, portanto, também não fará o aumento da tarifa de ônibus esse ano, mas evidentemente a gente vai ter que aportar mais recursos de subsídio, como o Estado vai fazer também com o Metrô também. O Metrô é uma empresa não dependente e vai passar, inclusive, a ser dependente porque vai ter recursos do Governo do Estado para poder manter a tarifa.”

Nunes acrescentou que o cálculo dos subsídios é uma “conta diária”.

“Ano passado nós tivemos R$ 3,3 bilhões, ano retrasado também os R$ 3,3 bilhões. O subsídio depende muito de como vai ser o comportamento do custo, portanto, do custeio e do volume de passageiros e o ingresso dos valores no sistema. A gente imagina que deva passar de R$ 4  bilhões o custeio deste ano, mas a gente não tem esse número fechado ainda porque estamos em junho, vai depender se a gente vai ter mais aumento do diesel, vai reduzir o diesel, se vai ter aumento de passageiro, se vai diminuir o número de passageiro, isso é uma conta diária. Então hoje no dia 30 de junho nós temos a previsão de R$ 4 bi, pode ser para mais ou para menos.”

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Colaboraram Alexandre Pelegi e Willian Moreira

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Comentários

Comentários

  1. laurindo junqueira disse:

    23 bi em 10 anos …

  2. Sidnei Pereira da silva disse:

    Boa noite ,gostaria de saber como vai ficar a questão das empresas novas ? Porque queremos a equiparação dos nossos salários

  3. Ricardo Klaudino disse:

    É um absurdo que o governo municipal subdisie empresários de ônibus. Deveria fazer inversamente a isso e, abrir licitação para cada uma das quase 10 mil linhas da capital e, contratar empresarios pequenos com micro onibus e vans pra operar nessas linhas sem subsídios, por conta propria com limite/tabela de preços para passagens. Esse sistema atual é falido e caro. Milhares de empresários se habilitstuam a trabalhar sem subsídios como eram as lotações antigamente, com risco econômico próprio mas parece que esses políticos querem é dividir com os nega empresários de ônibus que ganham e muito

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