Criminosos colocam fogo em ônibus em Sete Lagoas (MG)

Em bilhete, bandidos pedem melhores condições em presídio

ADAMO BAZANI

Por causa de bandido preso, quem depende de transporte coletivo para trabalhar, inclusive para pagar imposto e manter os presídios, voltou a ser prejudicado em Minas Gerais.

Uma dupla de criminosos entrou em um ônibus por volta de 22h30 desta sexta-feira, 17 de junho de 2022, no bairro Silva Xavier, zona rural de Sete Lagoas, ameaçou motorista e passageiros, ordenou que os ocupantes descessem do veículo, jogou gasolina e ateou fogo, fugindo em seguida.

O veículo fazia a linha 14 Silva Xavier – Centro.

A dupla deixou um bilhete pedindo melhores condições para os presos m Patrocínio (MG).

“Ai nois estamos queimando esse ônibus devido a opressão lá na penitenciária de Patrocínio e enquanto não parar com a oprimissão encima dos amigos lá, nois vai destruir tudo – o crime”, escrito com o mau uso da língua típico de criminoso desse nível desqualificado.

A polícia vai investigar.

CRIMES

Apesar de, inacreditavelmente, algumas pessoas defenderem estes elementos e até reclamarem quando a realidade dos fatos é colocada, mas muito mais que puro vandalismo, ataques a veículos de transportes coletivos, colocar em risco a integridade física de passageiros, fiscais, motoristas e cobradores, além de impedir circulação de serviço essencial, são classificados como crimes pelo Código Penal Brasil.

A lei é clara em classificar como criminoso quem comete crime.

Veja os artigos:

artigo 163 do Código Penal deixa claro que destruir inutilizar ou deteriorar o bem ou serviços de uma união, tanto estado, quanto município é considerado crime contra o patrimônio público. São enquadrados também bens privados a serviço público, que é o caso de ônibus de concessionárias e permissionárias de transporte público.

artigo 262 considera crime expor a perigo meio de transporte público, impedir-lhe ou dificultar-lhe o funcionamento. A pena é de detenção, de um a dois anos.

artigo 132, por sua vez, classifica como crime expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente.

No caso de incêndio a ônibus, outro artigo pode ser invocado.

artigo 250 descreve o delito de incêndio, que consiste na atitude de gerar um incêndio que coloque em risco a vida ou os bens de outra pessoa e cita o transporte como fatores de agravamento da pena: c) em embarcação, aeronave, comboio ou veículo de transporte coletivo; d) em estação ferroviária ou aeródromo;

QUEM COLOCA FOGO EM ÔNIBUS É SUBCATEGORIA ATÉ NO MUNDO DO CRIME

Na escala do crime, bandidos que atacam ônibus são considerados inferiores e, sem habilidades intelectuais ou mesmo com baixa inteligência, são recrutados para fazerem o serviço braçal para seus chefes dos bandos. Isto é, no próprio mundo do crime, quem ateia fogo em ônibus é considerado massa de manobra, descartável e inferior. Seria uma espécie de subcategoria de indivíduo numa estrutura criminosa, por não ser capaz de pensar em ações mais elaboradas e por não ter competência e habilidade para combater forças policiais, já que normalmente estes elementos atacam cidadãos e trabalhadores desarmados.
Em suma, quem coloca fogo em ônibus é o baixo escalão e dificilmente, passará disso. Na maior parte das vezes, existem mandantes, ou seja, a quem o incendiador serve, com seu papel não passando disso: obedecer o bandido-chefe.

Manifestações?

Já em supostas manifestações (o Direito Brasileiro não considera ataque a ônibus como forma de manifestação), quem coloca fogo ou depreda acaba se tornando um criminoso, uma vez que pratica atos previstos nos artigos 163, 262, 132 e 250 do Código Penal.

O agravante é que além de prejudicar sua própria comunidade, tira o foco da manifestação e o transfere apenas para o ataque.

As emissoras de TV, rádios, jornais e sites, na maior parte das vezes, enfatiza o ataque, mesmo porque, os órgãos de imprensa têm de dar destaque à utilidade pública., ou seja, informar que determinadas linhas de transporte público foram prejudicadas, que houve interrupção de serviços, que há risco de as pessoas irem a determinado local.  O suposto motivo da manifestação pode até ser citado, mas nunca com destaque.

Além disso, na imensa maioria das vezes, estas “manifestações” com fogo ou ataques em ônibus não resultam em nada e o suposto motivador destes atos não é resolvido.

Um exemplo é a injusta violência policial contra os mais pobres, seja por racismo ou outras formas de exclusão social. Em nenhuma comunidade, a violência policial acabou por causa de fogo em ônibus.

“Molecagens”

Da mesma forma, depredações a ônibus ou outros meios de transporte público feitos por ação em bando ou grupos, sejam de jovens voltando de bailes, praias ou outros eventos, enquadra os autores nas mesmas tipificações criminais.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Daniel disse:

    Eu acho um absurdo!
    Não há punição dos meliantes.

  2. Geraldo Telles Sodré de Menezes Ramos disse:

    “Apesar de, inacreditavelmente, algumas pessoas defenderem estes elementos e até reclamarem quando a realidade dos fatos é colocada…”
    Pois não é…

    Então…
    Cada um tem o “bandido” favorito para chamar de seu…
    Uns amam os incendiários de ônibus…
    Outros idolatram os empresários de ônibus…
    E ainda outros bajulam os panfletários de ônibus…

    Que coisa maluca! Pura insanidade!
    Vai entender…

  3. Geraldo Telles Sodré de Menezes Ramos disse:

    Depende de qual meliante.
    Se for o meliante formal, aquele que, disfarçado de CNPJ, de “honorável empregador e pagador de impostos’, frauda, adultera, sonega, corrompe, influencia, desvirtua, até mata… também concordo: é um absurdo. Não há punição.
    E tem gente que os defende. Até idolatra. A bajulação não tem fim.

    Esses pé de chinelo incendiarios aí são só fruto imundo do resultado nefasto dos anteriores honoráveis que citei fazem para a sociedade. Aprenda!

    1. diariodotransporte disse:

      Mas aí é o bom senso do NEM e do TODO.

      NEM todo o empresário é criminoso, mas TODO o incendiador de ônibus é.

      NEM todo comentário que recebemos é raso e clichezão, mas TODO comentário será respeitado, mesmo que este não acrescente nada

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