Licitação de túnel entre as estações Consolação e Paulista recebe propostas de três consórcios

Valores apresentados no certame oscilam de R$ 61 milhões a R$ 84 milhões

ALEXANDRE PELEGI

O Metrô de São Paulo publicou nesta semana a Ata da primeira fase da licitação referente à construção de um novo túnel para atender a demanda de passageiros entre as estações Consolação, da linha 2, e Paulista, da linha 4.

A licitação, antes prevista para 26 de maio, foi adiada para essa segunda-feira, 13 de junho, quando finalmente aconteceu.

Três consórcios apresentaram propostas: Comsa SA do Brasil, Consórcio Construtor Túnel Paulista, e Consórcio Conexão Paulista/Consolação CTS.

O grupo Comsa apresentou proposta de maior valor: R$ 84,2 milhões (R$ 84.237.549,46).

A seguir, a proposta do Consórcio Construtor Túnel Paulista, de R$ 65 milhões (R$ 64.982.000,00).

O Consórcio Conexão Paulista/Consolação CTS apresentou o menor valor no certame, de R$ 61 milhões (R$ 60.965.777,00).

A concorrência envolve obras civis, acabamentos, fornecimento e implantação de sistemas referentes ao túnel que vai complementar a ligação atual, que é muito movimentada.

TÚNEL

Como mostrou o Diário do Transporte, a licitação foi lançada em publicação no Diário Oficial do dia 07 de dezembro de 2020.

Em nota na época, o Metrô informou que, com a conclusão da obra, haverá um túnel para cada fluxo de passageiros

A nova ligação vai ampliar a capacidade da transferência gratuita de passageiros entre as estações, melhorando o fluxo de deslocamento das pessoas.

De acordo com os projetos elaborados, essa nova conexão será feita através de uma nova passagem subterrânea. Com isso, a atual ligação deverá ser usada apenas para o deslocamento no sentido da estação Consolação, enquanto a nova atenderá aos passageiros que seguem para a estação Paulista.

ATA DO CERTAME:

CONTRATO

Diário do Transporte noticiou também que o Metrô de São Paulo divulgou em 16 de maio de 2019 a homologação de licitação, adjudicação e extrato de contrato com o consórcio TPC para elaboração dos projetos executivos de engenharia civil, acabamento, comunicação visual e prestação de serviços de acompanhamento técnico do túnel entre as estações Paulista e Consolação.

O contrato, no valor de R$ 3.881.856,50 conta com recursos do Banco Mundial, e tem prazo de 42 meses.

Como os paulistanos bem sabem, a ligação entre as duas linhas está saturada. São 225 mil pessoas diariamente fazendo a ligação entre as estações no eixo Paulista-Consolação.

O projeto preliminar, que será ampliado e detalhado, prevê um novo túnel conectado ao atual próximo ao início das esteiras que interligam as linhas Amarela e Verde.

Com o túnel pronto, ele será destinado para os usuários com destino à linha 4-Amarela. O atual será usado pelos passageiros com destino à linha 2-Verde.

A nova ligação deve ter 92 metros de comprimento e ser entregue até 2022.

A demanda total prevista é de 34 mil pessoas pelo túnel que tem o objetivo de melhorar o fluxo entre as duas estações.

HISTÓRICO

O início do processo se deu com a publicação no Diário Oficial Empresarial de 31 de outubro de 2017, de um Pedido de Manifestação de Interesse (PMI), com o objetivo de convocar empresas interessadas em apresentar projetos para a construção de um novo túnel ligando as Estações Paulista, da Linha 4-Amarela, e Consolação, da Linha 2-Verde.

O assunto é antigo. Quem usa a ligação entre as estações Paulista e Consolação do metrô paulista sabe como é um sufoco andar por aquele túnel nas horas de maior movimento.

A quantidade de pessoas que passam pela ligação de 195 metros entre as linhas 4-Amarela e 2-Verde é tamanha que o caminho já foi apelidado por usuários de “marcha dos pinguins”. Até mesmo um ex-presidente do Metrô já se referiu à imagem das aves de pernas curtas amontoadas e apressadas para se referir ao movimento intenso numa estação superlotada.

Os engenheiros do Metrô já haviam concluído há alguns anos que seria preciso um novo túnel para contornar o aperto nesta ligação, que havia sido projetada para receber 263 mil pessoas por dia e que opera no limite desde a inauguração da estação Paulista, em 2010.

O processo para contratar o projeto executivo da obra foi aberto com financiamento garantido pelo Banco Mundial.

LICITAÇÃO FRACASSADA

No ano passado, o Metrô não conseguiu realizar essa concorrência, e a relançou no último 16 de março de 2022, como mostrou o Diário do Transporte.

Em Ata publicada no site da Companhia, após entrega das propostas comerciais em 15 de abril de 2021, a licitação foi considerada fracassada com a inabilitação das únicas duas empresas participantes.

A Companhia do Metrô decretou fracassada a licitação após analisar as propostas comerciais e os documentos para habilitação apresentados pelos consórcios CTS – Linhas 2 e 4, e TDEC-TER-SOM.

Em Ata do certame, o Metrô concluiu que “o Consórcio CTS – Linhas 2 e 4 não atendeu aos requisitos de qualificação econômico-financeira estabelecidos no edital de licitação”.

Com isso a Comissão de Licitação e Julgamento inabilitou o Consórcio e propôs a convocação do segundo colocado, o Consórcio TDEC-TER-SOM, “para negociação e apresentação de documentos de habilitação”.

O Consórcio TDEC-TER-SOM, convocado para negociação com vistas a redução da ordem de 19% no valor proposto inicialmente (R$ 70.984.408,37), afim de compatibilizar com o orçamento atualizado do Metrô (R$ 57.601.451,52), informou não ser possível conceder qualquer redução.

“Diante do exposto, esta Comissão de Licitação e Julgamento declara que:

– o CONSÓRCIO TDEC-TER-SOM está desclassificado, com base no item 11.1.2 do Edital;

– a licitação está fracassada com base no item 11.3 do Edital, considerando que não restam outras licitantes no certame”.

O Consórcio TDEC-TER-SOM, composto pelas empresas Teixeira Duarte Engenharia e Construções SA, Terracom Construções Ltda, Somafel Engenharia e Obras Ferroviárias do Brasil, apresentou a proposta de maior valor, R$ 70.984.408,37.

Já o consorcio CTS – LINHAS 2 E 4, integrado pelas empresas Constran Internacional Construções SA, Telar Engenharia e Comercio SA e Sprail Serviços Ferroviários Ltda, foi o que teve a proposta comercial de menor valor, R$ 55.666.607,22.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

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