Controladoria da Prefeitura de São Paulo abre apuração sobre empresas de ônibus investigadas pela Polícia Civil por suspeita de lavagem de dinheiro do crime

Informações serão compartilhadas com as frentes policiais

ADAMO BAZANI

A CGM (Controladoria Geral do Município) da capital paulista abriu sindicância para apurações internas sobre as empresas de ônibus que têm contrato com a prefeitura e que são investigadas pela Polícia Civil a respeito de um suposto envolvimento com o crime organizado em São Paulo.

De acordo com a prefeitura, haverá um compartilhamento de informações com as frentes policiais.

“A decisão foi tomada pela CGM após liderar reunião de representantes da gestão municipal com a Polícia Civil para compartilhamento das informações apuradas nas investigações sobre a utilização de empresa de transporte público para lavar dinheiro para organização criminosa”.

Como mostrou o Diário do Transporte, pelo menos seis empresas de ônibus que atuam no subsistema local e que surgiram de cooperativas de transportes são investigadas pelo Deic (Departamento de Investigações Criminais) e pelo Denarc (Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico).

Em duas destas empresas já houve operações: a UPBus e a TransUnião, todas que servem à zona leste. Os nomes das outras companhias ainda não foram revelados pela Polícia para não atrapalhar as investigações.

– OPERAÇÃO ATARAXIA – DENARC (UPBUS)

Condução: Denarc – sobre UPBus (empresa da zona Leste com 13 linhas), que chegou a se chamar Qualibus, originária da garagem 2 da Associação Paulistana

Deflagração da Fase I: 02 de junho de 2022

Investigações começaram há mais de um ano a partir da morte Anselmo Santafausta, o Cara Preta, por questões ligadas ao crime organizado.

Segundo as apurações, boa parte dos mais de 60 sócios da empresa têm passagens pela polícia e ainda é envolvida com a criminalidade. A UPBus, de acordo coma Polícia, lava dinheiro de facções criminosas. O esquema também envolvia ganhos na Loteria Federal também para dar uma aparência legal ao dinheiro obtido em atividades criminosas.

Deflagração da Fase II: 15 de junho de 2022

Foram bloqueados entre R$ 40 milhões e R$ 45 milhões em imóveis e veículos da empresa de transportes urbanos UPBUS, que opera na zona Leste de São Paulo, e de investigados da “Operação Ataraxia”, que apura o uso da companhia de ônibus por uma facção criminosa para lavagem de dinheiro.

Todos os veículos da empresa UPBUS, dentre eles quase 250 ônibus, também foram objetos de sequestro, impedindo eventual a alienação dos veículos por parte da empresa.  Estes ônibus poderão continuar operando, só que os ônibus não podem ser vendidos e a arrecadação da operação vai para conta judicial.

UPBus não se manifestou

OPERAÇÃO PRODITOR

Condução: Deic – sobre TransUnião (empresa da zona Leste com 524 ônibus), que surgiu da cooperativa Nova Aliança

Deflagração: 09 de junho de 2022

Investigações começaram após assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-diretor, ocorrido em 04 de maio de 2020.

Polícia aponta que Adauto era “testa de ferro” do vereador Senival Moura (PT) na direção da empresa, que era utilizada para a lavagem de dinheiro de membros do PCC (Primeiro Comando da Capital). O próprio vereador era proprietário de 13 ônibus que prestavam serviços para a empresa. O parlamentar nega.

A Polícia chegou a apreender 18 ônibus, 14 operacionais e quatro que estavam na reserva em manutenção, mas os veículos foram devolvidos para operação.

A TransUnião não se manifestou.

MINISTÉRIO PÚBLICO:

O Gaeco, do Ministério Público do Estado de São Paulo, passou também investigar a possível ligação de empresas de ônibus da capital paulista com o crime organizado.

De acordo com o delegado-geral Oswaldo Nico Gonçalves, em 15 de junho de 2022, foi montada uma força-tarefa entre os promotores e a Polícia Civil.

CÂMARA MUNICIPAL:

Em 15 de junho de 2022, na Câmara Municipal de São Paulo, foi protocolado por um delegado da Polícia Civil um pedido na corregedoria da casa para investigar o vereador Senival Moura, do PT.

No dia 10 de junho de 2022, um pedido de abertura de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) foi aberto pelo vereador Mario Palumbo Junior, o delegado Palumbo, do MDB. Houve poucas assinaturas no início: Fernando Holiday (Novo), Érica Hilton (PSOL), Sonaira Fernandes (Republicamos) e Marlon Luz (MDB), porém, Marlon Luz retirou sua assinatura.

Veja em:

https://diariodotransporte.com.br/2022/06/10/apos-operacoes-policiais-pedido-de-cpi-dos-onibus-de-sao-paulo-e-protocolado-na-camara-municipal/

CONTROLADORIA DO MUNICÍPIO:

A CGM (Controladoria Geral do Município) da capital paulista abriu sindicância para apurações internas sobre as empresas de ônibus que têm contrato com a prefeitura e que são investigadas pela Polícia Civil a respeito de um suposto envolvimento com o crime organizado em São Paulo.

De acordo com a prefeitura, haverá um compartilhamento de informações com as frentes policiais.

“A decisão foi tomada pela CGM após liderar reunião de representantes da gestão municipal com a Polícia Civil para compartilhamento das informações apuradas nas investigações sobre a utilização de empresa de transporte público para lavar dinheiro para organização criminosa”.

Polícia aponta queinvestigados da UPBus recebiam dinheiro da companhia antes mesmo de se tornarem acionistas e destaca movimentações suspeitas apontadas pelo Coaf

Suspeitos se tornaram sócios da empresa de ônibus após terem praticado esquema com bilhetes da Loteria Federal

ADAMO BAZANI

O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que é a Unidade de Inteligência Financeira (UIF) do Brasil para evitar e identificar crimes de lavagem de dinheiro, fez diversos alertas sobre ao menos 18 dos 60 sócios da UPBus, empresa de ônibus da zona Leste de São Paulo, que é investigada pela Polícia Civil de São Paulo por ligação com uma facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios.

Segundo uma representação de bloqueio de bens elaborado pelo Denarc, departamento que investiga o tráfico de drogas, à qual o Diário do Transporte teve acesso, além de movimentações financeiras milionárias incompatíveis com a renda de parte dos investigados, o que a Polícia já havia informado, a movimentação apurada pelo órgão federal demonstra que alguns dos suspeitos recebiam dinheiro da UPBus antes mesmo de se tornarem sócios já recebiam dinheiro da companhia de ônibus.

“Nota-se que futuros acionistas da empresa já recebiam valores altos da UPBUS, valores estes, inclusive, superiores aos de acionistas atuais, o que indica a existência de sócios ocultos. Neste sentido, destaca-se o fato de ADMAR DE CARVALHO MARTINS ter recebido em um período próximo a 7 meses, entre Janeiro e Julho de 2018, um montante de 1.088.594,48. valor superior ao do detentor de 1/3 das ações na época, UBIRATAN ANTONIO DA CUNHA, que no mesmo período recebeu R$ R$ 732.769,36. UBIRATAN, por sua vez, embora tenha perdido porcentagem de cotas, aumentou seu valor de ações na empresa e ainda possui status de acionista.

Para se ter uma ideia da incoerência, outro detentor de 1/3 das ações da empresa na época, MARCELO PASCHOAL, recebeu valor bem próximo ao de ADEMAR (R$ 1.088.594,48), o indica poder de ADEMAR sobre a empresa bem antes de se tornar acionista.

Já o terceiro acionista, também detentor de 1/3 das ações, LUIZ CARLOS CALEGARI, não recebeu valores consideráveis da empresa neste mesmo período, mas pelo contrário, depositou cerca de R$ 25 mil na conta da empresa. – diz trecho da representação.

Nos próprios relatórios e alertas, o Coaf deixa clara a frase“alto para lavagem de dinheiro”, a respeito de acionistas.

Em outro trecho, com base nas próprias apurações e nos levantamentos do Coaf, a Polícia aponta o “caminho” da lavagem de dinheiro.

Primeiro, segundo a Polícia, o grupo ganhava na Loteria, por meio de uma estratégia pela qual apostavam em valores superiores aos recebidos, estudando combinações numéricas e apostando em cada jogo, uma quantidade maior dezenas que a dos clientes comuns de loterias têm o costume de fazer.

Somente uma das investigadas ganhou 49 vezes na loteria.

Uma vez o dinheiro “limpo” pela Loteria, ele era “pulverizado” em sócios-laranjas e depois “investido” na empresa de ônibus que surgiu de uma cooperativa da zona leste.

Em outro ponto do documento obtido pelo Diário do Transporte, a Polícia diz que, para escapar de bloqueios judiciais e rastreamentos, recursos relacionados à empresa eram movimentados por meio de contas pessoais.

O principal remetente de recursos é a empresa com participação do cliente, UPBUS QUALIDADE TRANSPORTES S.A. Movimentação poderia ser considerada compatível com a capacidade financeira do cliente, caso considerássemos o faturamento da empresa na qual possui participação. No entanto, observa-se que tais transações sugerem utilização de conta pessoal para movimentar recursos de sua empresa, na intenção de burlar mecanismos de controle de bloqueios judiciais;

Diário do Transporte procura os representantes da UPBUS e os citados no documento oficial da Polícia e deixa o espaço aberto para manifestações.


– OPERAÇÃO ATARAXIA – DENARC (UPBUS)

Condução: Denarc – sobre UPBus (empresa da zona Leste com 13 linhas), que chegou a se chamar Qualibus, originária da garagem 2 da Associação Paulistana

Deflagração da Fase I: 02 de junho de 2022

Investigações começaram há mais de um ano a partir da morte Anselmo Santafausta, o Cara Preta, por questões ligadas ao crime organizado.

Segundo as apurações, boa parte dos mais de 60 sócios da empresa têm passagens pela polícia e ainda é envolvida com a criminalidade. A UPBus, de acordo coma Polícia, lava dinheiro de facções criminosas. O esquema também envolvia ganhos na Loteria Federal também para dar uma aparência legal ao dinheiro obtido em atividades criminosas.

Deflagração da Fase II: 15 de junho de 2022

Foram bloqueados entre R$ 40 milhões e R$ 45 milhões em imóveis e veículos da empresa de transportes urbanos UPBUS, que opera na zona Leste de São Paulo, e de investigados da “Operação Ataraxia”, que apura o uso da companhia de ônibus por uma facção criminosa para lavagem de dinheiro.

Todos os veículos da empresa UPBUS, dentre eles quase 250 ônibus, também foram objetos de sequestro, impedindo eventual a alienação dos veículos por parte da empresa.  Estes ônibus poderão continuar operando, só que os ônibus não podem ser vendidos e a arrecadação da operação vai para conta judicial.

UPBus não se manifestou

OPERAÇÃO PRODITOR

Condução: Deic – sobre TransUnião (empresa da zona Leste com 524 ônibus), que surgiu da cooperativa Nova Aliança

Deflagração: 09 de junho de 2022

Investigações começaram após assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-diretor, ocorrido em 04 de maio de 2020.

Polícia aponta que Adauto era “testa de ferro” do vereador Senival Moura (PT) na direção da empresa, que era utilizada para a lavagem de dinheiro de membros do PCC (Primeiro Comando da Capital). O próprio vereador era proprietário de 13 ônibus que prestavam serviços para a empresa. O parlamentar nega.

A Polícia chegou a apreender 18 ônibus, 14 operacionais e quatro que estavam na reserva em manutenção, mas os veículos foram devolvidos para operação.

A TransUnião não se manifestou.

MINISTÉRIO PÚBLICO:

O Gaeco, do Ministério Público do Estado de São Paulo, passou também investigar a possível ligação de empresas de ônibus da capital paulista com o crime organizado.

De acordo com o delegado-geral Oswaldo Nico Gonçalves, em 15 de junho de 2022, foi montada uma força-tarefa entre os promotores e a Polícia Civil.

CÂMARA MUNICIPAL:

Em 15 de junho de 2022, na Câmara Municipal de São Paulo, foi protocolado por um delegado da Polícia Civil um pedido na corregedoria da casa para investigar o vereador Senival Moura, do PT.

No dia 10 de junho de 2022, um pedido de abertura de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) foi aberto pelo vereador Mario Palumbo Junior, o delegado Palumbo, do MDB. Houve poucas assinaturas no início: Fernando Holiday (Novo), Érica Hilton (PSOL), Sonaira Fernandes (Republicamos) e Marlon Luz (MDB), porém, Marlon Luz retirou sua assinatura.

Veja em:

https://diariodotransporte.com.br/2022/06/10/apos-operacoes-policiais-pedido-de-cpi-dos-onibus-de-sao-paulo-e-protocolado-na-camara-municipal/

CONTROLADORIA DO MUNICÍPIO:

A CGM (Controladoria Geral do Município) da capital paulista abriu sindicância para apurações internas sobre as empresas de ônibus que têm contrato com a prefeitura e que são investigadas pela Polícia Civil a respeito de um suposto envolvimento com o crime organizado em São Paulo.

De acordo com a prefeitura, haverá um compartilhamento de informações com as frentes policiais.

“A decisão foi tomada pela CGM após liderar reunião de representantes da gestão municipal com a Polícia Civil para compartilhamento das informações apuradas nas investigações sobre a utilização de empresa de transporte público para lavar dinheiro para organização criminosa”.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. carlos souza disse:

    Trinca PT-MDB-Centrão que comanda a subsidiária brasileira desse sistema criminoso e ilegal.Já não chega esse Bozogado e sua familícia?

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