Goiânia tem apenas 2% das vias preferenciais ou exclusivas para ônibus

Com vias exclusivas, os ônibus aumentam a velocidade em até 80%. Foto: Divulgação.

Levantamento foi divulgado pelo Mova-se Fórum de Mobilidade 

JESSICA MARQUES

A cidade de Goiânia tem apenas 2% das vias preferenciais ou exclusivas para ônibus.

O levantamento foi divulgado pelo Mova-se Fórum de Mobilidade.

“Desde 2011, quando começaram a serem implantadas as vias exclusivas e preferências para os ônibus em Goiânia, pouco se avançou. Deveríamos ter pelo menos 15% dos quase 2.750 km utilizados pelo transporte coletivo da capital”, avalia o estudo do fórum.

De acordo com o Plano Diretor de Goiânia, são 122 km de corredores exclusivos e 134 km de vias preferenciais para o transporte coletivo.

Na avaliação dos integrantes do Mova-se Fórum de Mobilidade, o aumento na velocidade do transporte coletivo seria essencial para atrair passageiros.

Na cidade, 137 mil pessoas deixaram de utilizar o transporte coletivo nos dois anos de pandemia.

Com vias exclusivas, os ônibus aumentam a velocidade em até 80%.

Confira a extensão das vias exclusivas para ônibus em Goiânia

Eixo Anhanguera: 13,6 km

BRT Norte Sul: 21,7 km (ainda em obras)

Vias preferenciais para ônibus em Goiânia 

T-63: 5,6 km

T-7: 10,4 km

T-9: 12,0 km

VELOCIDADE

No estudo, o Mova-se Fórum de Mobilidade, calculou a velocidade nos corredores de ônibus de Goiânia.

Para isso, foram considerados os dados de tempo de viagem dos ônibus em segmentos do sistema viário principal que foram selecionados, obtendo-se as velocidades correspondentes.

Segundo o estudo, os segmentos não necessariamente correspondem aos mesmos empregados na pesquisa realizada em 2008 por ocasião dos estudos do NPO.

“Os dados de 2008 foram obtidos na pesquisa de velocidade e retardamento, em 3 medidas por período de pico (Manhã e Tarde). Os demais dados foram obtidos por meio da análise mensal de das quartas-Feiras, apenas em dias úteis.”

As informações utilizadas para o cálculo da velocidade média dos ônibus nas vias são obtidas a partir de dados do ITS4Mobility (Sistema Inteligente de Controle Operacional utilizado pelo RedeMob).

O sistema fornece o tempo de deslocamento entre o ponto “A” até o ponto “B”, baseado na distância entre eles. Aplicando a fórmula de velocidade, que consiste em “Distância / Tempo, obtém-se o valor da velocidade média de cada trecho. Adotou-se a velocidade crítica de cada corredor.

RESULTADOS

Segundo o estudo, pode-se observar que a velocidade no pico manhã no sentido mais crítico teve uma redução de 16,90 km/h para 11,52 km/h, logo, de -32%. No pico tarde a redução foi menor, de 30%.

“Temos que as velocidades são muito ruins para um transporte coletivo de qualidade. Vale dizer que, além do tempo no ônibus, há o tempo de caminhada e de espera. Quando acrescidos esses tempos, a velocidade da viagem completa por ônibus, cai pela metade, assim, a ‘velocidade da viagem’ dos passageiros de ônibus é da ordem de 5,5 km/h no pico manhã e de 6 km/h no pico da tarde chegando quase a mesma velocidade de caminhada e inferior ao deslocamento de bicicleta”, diz trecho do estudo.

Outro impacto direto desta queda na velocidade operacional é que se 1.000 ônibus em 2008 conseguiam fazer 10.000 viagens ao longo de um dia útil, a mesma frota conseguiria fazer somente 700 viagens ao longo do dia.

Então, para manter a mesma oferta de horários deveria ser incrementado na operação outros 300 ônibus resultando assim num acréscimo de 42,85% na frota.

Confira os dados:

MULTAS

Segundo o artigo 184 do Código de Trânsito Brasileiro, transitar em faixa de ônibus em qualquer cidade brasileira é uma infração gravíssima.

O motorista leva sete pontos na carteira e o valor da multa por andar na faixa de ônibus é de R$ 293,47.

A exceção, em Goiânia, vale as vans do transporte escolar e os táxis, podem trafegar nas vias para ônibus em qualquer horário e nem o transporte por aplicativo tem essa autorização. 

Multas em corredores de ônibus em Goiânia:

2019 – 96.160 (equivale a 10,11% das multas aplicadas)

2020 – 71.457 (8,97%)

2021 – 54.341 (8,33%)

2022 – 28.775 (11,23%)

PROJETOS

Ao Diário do Transporte, o Superintendente de Mobilidade de Goiânia, Marcos Villas Boas, afirmou que o município é um dos que possuem menos quilometragem de vias exclusivas para transporte coletivo do país e que este é um dos principais problemas de mobilidade.

“Foi muito tempo de omissão e o poder público acabou não construindo uma infraestrutura necessária para que o transporte seja atrativo. Afinal de contas, se o ônibus não for competitivo você vai perdendo passageiros e a cidade vai se adensando em termos de veículos e hoje está virando um nó”, avaliou.

“É uma emergência segundo a nossa visão. Goiânia teve no passado projetos muito importantes. Eram oito projetos de corredores exclusivos para transporte coletivo ou ou corredores preferenciais”, completou.

“Nos últimos dez anos, esses projetos foram se perdendo porque o município não foi capaz de fazer a sua contrapartida e todos eram com financiamento federal. Os financiamentos foram sendo cancelados”, detalhou.

Segundo o superintendente, muitos projetos ainda podem ser retomados. A Secretaria de Mobilidade está com todos os projetos que foram feitos naquela época, para analisar as adaptações e atualizações que precisam ser realizadas para o início de um processo licitatório.

“Todos na Secretaria de Mobilidade têm consciência de que a infraestrutura de transporte público é uma dívida histórica. Foi uma omissão muito grave das políticas públicas durante muito tempo e precisa ser retomado como prioridade. Se não houver transporte público competitivo, nós não conseguimos tirar carro das ruas, não conseguimos melhorar a qualidade de vida da população”, finalizou.

Na cidade, já foram realizadas sete audiências públicas e a Prefeitura está fazendo uma pesquisa de Origem e Destino para colocar em um Plano de Mobilidade e melhorar a infraestrutura do transporte coletivo da cidade. O objetivo da atual gestão é resgatar essa dívida histórica.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. Geyson Gomes disse:

    Só que Goiânia pelo menos o povo não é obstrutor de vias e roda presa como os de Brasília

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