Denarc apreende fuzis, pistolas e revólveres em operação contra integrantes de empresa de ônibus da cidade de São Paulo

OUÇA: Polícia Civil apura que UPBus fazia lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e apreende armamento com pessoas ligadas à empresa de ônibus

Policiais do Denarc ainda investigam esquemas de laranjas e aberturas de empresas fantasmas

ADAMO BAZANI/WILLIAN MOREIRA

OUÇA:

O Denarc (Departamento de Narcóticos) da Polícia Civil de São Paulo está convencido que uma empresa de ônibus com origem em cooperativa de transportes do sistema urbano da capital paulista fazia lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e tinha membros ligados a uma facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios.

As investigações ocorreram na companhia “UPBus Qualidade em Transportes S.A,” que chegou a se chamar Qualibus, originária da garagem 2 da Associação Paulistana, que opera no subsistema de transportes em parte da zona leste da capital

O departamento policial realizou nesta quinta-feira, 02 de junho de 2022, uma operação na empresa e endereços ligados a sócios na qual foram cumpridos 62 mandados de busca e apreensão e encontrados dois fuzis, pistolas, revólveres e grande quantidade de munição armamentos.

Além do armamento foram apreendidos documentos, celulares e computadores.

O delegado Genésio Léo Júnior, diretor do Denarc, disse em entrevista coletiva da qual participou o Diário do Transporte, que as investigações começaram há mais de um ano a partir da morte Anselmo Santafausta, o Cara Preta, por questões ligadas ao crime organizado.

Segundo o delegado, boa parte dos mais de 60 sócios da empresa têm passagens pela polícia e ainda é envolvida com a criminalidade.

“Anselmo era parte integrante de uma empresa de transporte coletivo na zona leste de São Paulo, que se iniciou próximo dos anos 2000, como sendo uma cooperativa, depois ela é transformada numa sociedade anônima, e como sociedade anônima, não se consegue registros nos órgãos de registros oficiais porque trabalha com sistema de ata. Dentro da configuração desta empresa, nós temos cerca de 60 acionistas. Neste quadro, existem vários com passagens policiais, vários deles pertencentes à facção criminosa e organizações criminosas. Também nesse quadro societário existem parentes destes criminosos, além de outros laranjas” – explicou o delegado, que continuou dizendo que o papel da empresa no esquema era fazer a lavagem de recursos do crime.

“Essa empresa [de ônibus] faz a lavagem de capitais, inclusive com a integração de valores de seus acionistas e muitos deles com profissões, quando tem profissões declaradas, são profissões que não propiciam um regular aporte financeiro dentro desta empresa, o que nos chamou a atenção” – explicou.

O delegado ainda informou que Anselmo Santafausta, o Cara Preta, tinha um documento com o nome falso de Eduardo Camargo de Oliveira e, com essa identidade, abriu uma empresa em 2007, mesmo ano em que foi indiciado por associação ao tráfico.

Essa empresa criada em nome de Eduardo era de contabilidade.

Em 2021, pouco antes de Anselmo ser morto, foi aberta por este contador uma empresa de administração de bens imóveis.

O delegado diz que ainda não há como afirmar se outras empresas de ônibus advindas de cooperativas de transportes possam estar envolvidas no esquema investigado e que não há ainda como descartar a possibilidade que para a lavagem de dinheiro houve fraude na bilhetagem eletrônica.

“Com relação à fraude, a investigação vai demonstrar exatamente como está sendo feita. Pode ser por fraude? Pode. Mas tem inúmeras outras possibilidades de isso acontecer” – disse em resposta a uma pergunta do Diário do Transporte.

O Diário do Transporte procurou a UPBus. Após ser atendida pelo PABX, a ligação foi passada para uma mulher que se identificou como responsável pelo RH da empresa. A reportagem, se identificando desde o início como órgão jornalístico, pediu um posicionamento da empresa, mas a mulher disse que a companhia não queria se manifestar, desligando em seguida.

O espaço continua aberto.

Adamo Bazani e Willian Moreira, jornalistas especializados em transportes

 

Segundo as investigações, dinheiro do tráfico de drogas era lavado no transporte de passageiros

ADAMO BAZANI

Policiais do Denarc (Departamento de Narcóticos) da Polícia Civil de São Paulo realizaram na manhã desta quinta-feira, 02 de junho de 2022, uma operação contra integrantes de empresa de ônibus na cidade de São Paulo suspeitos de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas.

Foram cumpridos 62 mandados de busca e apreensão e encontrados dois fuzis, pistolas, revólveres e grande quantidade de munição armamentos.

Além do armamento foram apreendidos documentos, celulares e computadores.

A Polícia não divulgou oficialmente ainda o nome da empresa.

Segundo nota do Denarc, integrantes do crime organizado compraram uma empresa de transporte coletivo de passageiros para lavagem do dinheiro do tráfico de drogas.

A investigação durou mais de um ano e teve início em apuração de identidades usadas por Anselmo Santafausta, o Cara Preta, morto em questões ligadas ao crime organizado.

Policiais Civis da 4a. DISE/DENARC, com apoio das demais DISES-DENARC, GRT (DEMACRO), GARRA/DOPE e GER – cumpriram 62 (sessenta e dois) Mandados de Busca e Apreensão* expedidos pela 1a. Vara de Crimes Tributários e Financeiros, ORCRIM e Lavagem de Dinheiro da Capital, em Inquérito Policial respectivo, nas circunscrições do DECAP, DEMACRO e DEINTER 1.

O Denarc ainda informoi que a investigação apura Lavagem de Dinheiro realizada por membros de ORCRIM, empresários, “laranjas”, empresas de Contabilidade e de Transporte Coletivo, tendo como objetivo a apreensão de objetos e documentos, além da coleta de outros indícios e provas, para continuidade dos trabalhos investigativos, identificação e responsabilização de todos os integrantes do esquema criminoso, bem como recuperação de ativos adquiridos com dinheiro ilícito.

Participaram 250 policiais em 92 viaturas,

(MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO)

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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