Presidente da divisão de mobilidade, Márcio Hannas, disse ao Diário do Transporte que foi surpreendida com o estado da frota de trens e infraestrutura recebidas, mas ressaltou que não houve má fé da CPTM; auditoria foi apenas visual
ADAMO BAZANI/WILLIAN MOREIRA
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A ViaMobilidade deve colocar em operação nos próximos dias quatro trens recebidos da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, e assim reforçar o atendimento nas duas ligações.
Estes trens estavam previstos em contrato para ser repassados para a concessionária, mas ainda não haviam sido entregues.
A informação é do Presidente da Divisão de Mobilidade do Grupo CCR, controlador das linhas, Márcio Hannas, em entrevista exclusiva para o Diário do Transporte.
O executivo explicou que um destes quatro trens já foi entregue na última sexta-feira, mas ainda passará por uma auditoria, antes de ser colocado em operação. Ainda nesta semana, a ViaMobilidade, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos e a CPTM, vão se reunir para definir os detalhes da transferência dos demais e também outros pontos que podem melhorar o atendimento nestas duas linhas que têm sido alvos de reclamações dos passageiros e palcos de muitos problemas.
Hannas prometeu, na entrevista, que em 45 dias os principais problemas hoje enfrentados pelos usuários serão resolvidos com o atendimento no mínimo ficando no mesmo parâmetro do período de quando a CPTM operava as duas linhas.
Para isso, o presidente da divisão de mobilidade disse que várias ações e investimentos foram antecipados, tais como a limpeza de 580 aparelhos de ar condicionado (70% da frota), reforma dos banheiros em nove estações, troca dos rolamentos dos trens e revisão na rede aérea de alimentação elétrica dos trens.
Outro ponto também destacado é que a ViaMobilidade mantém a versão de que foi surpreendida com tantos problemas, mesmo o contrato dizendo que as linhas seriam aceitas na condição em que se encontravam.
Foram encontradas segundo Márcio Hannas, cerca de 700 falhas de emendas de cabos, diversos equipamentos dos postes de subestações estavam corroídos e vários tirantes rompidos.
O executivo confirmou que 65% da frota recebida estava com mais de 1,2 milhão de quilômetros rodados sem nenhuma evidência de que tinha sido feita a manutenção indicada e que no edital a CPTM não era obrigada a comprovar a realização destas revisões.
Hannas acredita que a transferência de trens usados em outras linhas da estatal e com maior idade em relação a outros trens tenha concentrado problemas nas linhas 8 e 9.
“Não acho que teve nenhuma má intenção na forma como foi feito todo o processo, o edital e tudo no melhor interesse da sociedade. Agora o que a gente não esperava que é o que a gente está constatando agora é que nessa troca de tirar os trens que operavam nas linhas 8 e 9 passar para outras linhas e trazer trens de outras linhas para cá, talvez tenha concentrado nas linhas 8 e 9 uma quantidade de problemas que não tinha no passado.”
Hannas disse que a auditoria externa independente sobre as condições das linhas e trens foi apenas visual e que problemas foram percebidos na medida em que a concessionária já estava operando o serviço.
Segundo o executivo, este é um dos motivos da concessionária não ter pedido maior prazo da concessão.
“Você tinha um relatório de auditoria que era visual, os problemas identificados no relatório da auditoria não indicavam que a gente teria uma quantidade de falhas como nós estamos tendo. Eram questões que precisavam ser investidas, precisavam ser corrigidas, mas não que tivesse um impacto tão grande na operação”, disse Márcio Hannas destacando também que não foi possível perceber estes problemas no mês de operação compartilhada com a CPTM.
Durante a entrevista também foi abordo o problema da falta de informações e transparência aos passageiros, que se queixam diariamente da ausência de comunicação de problemas ou alterações na circulação dos trens. Sobre isso, o presidente do setor de mobilidade afirmou que melhorias serão implantadas na comunicação, como maior agilidade na informação e no uso de terminologias mais práticas que permitem uma compreensão maior por parte dos passageiros do que de fato está acontecendo.
Já sobre a questão de atos de vandalismo e furtos, Hannas entende que isso é um problema não só criminal, mas de questão social, agravado devido a pandemia onde muitas pessoas perderam seu meio de renda, recorrendo então a essa prática. Entretanto, ressaltou que os furtos não ocorrem apenas nas linhas 8 e 9, mas sim em diferentes pontos da cidade e do país usando como exemplo outra concessão do grupo, o Metrô de Salvador, mas também espera um empenho maior do poder público e as forças de segurança para investigar e coibir essas ações.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes e Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte
