Protesto de rodoviários da Coleurb, em Passo Fundo, paralisa transporte por duas horas nessa quarta (11)

Foto: Divulgação

Ônibus só começaram a circular às 8h devido a protesto dos trabalhadores por melhores salários

ALEXANDRE PELEGI

Os trabalhadores da Coleurb – Coletivo Urbano Ltda, empresa que opera no transporte coletivo de Passo Fundo (RS), paralisaram os serviços de ônibus da cidade na manhã desta quarta-feira, 11 de maio de 2022.

Eles se reuniram em assembleia para discutir a situação salarial.

Os ônibus só saíram da garagem por volta das 8 horas.

Apenas os ônibus da Codepas, empresa municipal de transporte, circularam normalmente.

Os trabalhadores reivindicam 15% de aumento, 10% de reajuste inflacionário e 5% de reposição salarial.

Em nota divulgada nessa terça-feira, a Coleurb afirmou não ter condições de conceder reajustes.

“São três anos já operando em prejuízo e, ainda assim, tentando manter as obrigações em dia, com colaboradores, fornecedores e população”, diz a nota.

A Coleurb conclui afirmando compreender a posição dos colaboradores, “que têm justa expectativa em relação a reajustes periódicos de salário”.

No entanto, diz que “o momento é de trabalhar pela manutenção dos postos de trabalho e pela busca de alternativas que viabilizem a atividade das empresas que realizam o transporte público municipal”.

Leia a nota na íntegra:

ESCLARECIMENTOS AOS COLABORADORES E COMUNIDADE

Terça-feira, 10 de maio de 2022 17:04

Como é de conhecimento público e notório, as dificuldades econômicas enfrentadas pelas empresas de transporte coletivo já vinham ocorrendo, ano após ano, em decorrência da perda significativa do número de passageiros transportados. Com a pandemia de Covid-19, a situação em muito se agravou. 

Desde o início da pandemia, em março de 2020, a COLEURB adaptou o serviço para atender às orientações dos órgãos de saúde na prevenção do coronavírus, ofereceu serviço superior à demanda planejada para garantir o distanciamento social e a segurança no transporte e investiu valores relevantes para aquisição de álcool em gel, máscaras, bactericidas e outros equipamentos e insumos para garantir a segurança dos colaboradores e da população usuária do transporte.

Em 2019, transportávamos, em média, 45 mil passageiros por dia. No início da pandemia, chegamos a transportar, em média, 8 mil, ou seja, houve queda de 82%. Em outubro de 2020, este número passou a 24 mil passageiros por dia, o que representa uma média de 50% da quantidade habitual transportada antes da pandemia. Até dezembro de 2021, não houve um crescimento significativo no número de passageiros transportados, ficando a média anual em 26 mil.

Em 2022, mesmo com a retomada das atividades produtivas e o retorno da circulação da população, a média de passageiros transportados até abril é de 30 mil passageiros por dia, o que representa cerca de 65% da quantidade de 2019.

Em paralelo a essa situação, os insumos (pneus, combustível, peças, etc.) tiveram grande aumento de preços. O diesel, por exemplo, somente em 2022, teve reajustes de cerca de 47%[1][1] nas refinarias, impactando gravemente na saúde financeira da empresa. Nesta terça-feira, 10 de maio, foi anunciado um novo reajuste, de R$ 0,40 por litro.

Mesmo diante deste cenário, com a impactante diminuição da receita e aumento de despesas, a COLEURB não mediu esforços para manter o pagamento dos salários e encargos dos colaboradores em dia, assim como os compromissos com fornecedores. Para isso, nos anos de 2020 e 2021, contratou empréstimos bancários de valores vultosos, inclusive para suportar os reajustes concedidos aos salários. Estes empréstimos começam a ser pagos em 2022. Além disso, a COLEURB não deixou de fornecer serviços para os usuários, buscando realizar a operação conforme a demanda.

Nos anos de 2020 e 2021, mesmo com todas as dificuldades financeiras e operando com prejuízo, a empresa acordou a realização de reajustes salariais, o que acabou aumentando a dívida atual. Foram dois anos de grande prejuízo, que se acumulou para o ano de 2022.

Em 2022, o reajuste concedido pelo Poder Público à tarifa nem de perto gerou o necessário equilíbrio entre receita e despesas. Atualmente, considerando o número de passageiros transportados e o custo da operação, a empresa ainda opera em prejuízo, mês a mês, mesmo após o reajuste tarifário. A concessão de reajuste salarial, neste momento, ainda mais nos percentuais pretendidos, poderá inviabilizar em definitivo a continuidade da operação. São três anos já operando em prejuízo e, ainda assim, tentando manter as obrigações em dia, com colaboradores, fornecedores e população. 

A empresa compreende a posição dos colaboradores, que têm justa expectativa em relação a reajustes periódicos de salário. Pondera, entretanto, que o momento é de trabalhar pela manutenção dos postos de trabalho e pela busca de alternativas que viabilizem a atividade das empresas que realizam o transporte público municipal. 

 

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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