OUÇA: Empresas de ônibus do Rio de Janeiro vão propor que prefeitura assuma gestão de bilhetagem e falam em subsídios de R$ 70 milhões por mês para a as operações

Valor é ainda uma estimativa; crise nos transportes da capital serão debatidos novamente nesta terça-feira com mediação da Justiça

ADAMO BAZANI

OUÇA:

As empresas de ônibus municipais do Rio de Janeiro propõem que a prefeitura do Rio de Janeiro assuma a gestão da bilhetagem eletrônica, crie uma conta própria para depositar a receita bruta das catracas e depois faça um rateio pagando os consórcios pela prestação de serviços de transporte.

O RioCard, entretanto, continuaria sendo operado pelas empresas de ônibus.

A informação é do porta-voz do Rio Ônibus, sindicato que reúne as companhias, Paulo Valente, em entrevista ao Diário do Transporte nesta segunda-feira, 02 de maio de 2022.

A proposta vai ser debatida em mais uma audiência de conciliação entre a prefeitura e as viações que ocorre nesta terça-feira, 03 de maio de 2022, com mediação da Justiça.

Segundo Valente, a prefeitura divulgou em ocasiões anteriores que uma estruturação mais efetiva do setor, com a melhoria dos serviços e até subsídios, seria possível somente com maior transparência e controle do poder público sobre a arrecadação por meio da bilhetagem.

Como mostrou o Diário do Transporte, a prefeitura tentou licitar a bilhetagem, mas ninguém apresentou proposta no dia 07 de dezembro de 2021.

No dia 25 de fevereiro de 2022, uma nova licitação foi lançada por R$ 1,3 bilhão, com estimativa de abertura de propostas para o dia 24 de maio.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/02/25/prefeitura-do-rio-de-janeiro-abre-de-novo-licitacao-de-r-13-bilhao-para-conceder-bilhetagem-do-transporte-urbano/

Para Valente, se não tiver outro esvaziamento, um novo sistema só deve ser implantado completamente entre 2023 e 2024 e, diante da situação caótica dos serviços de ônibus, não dá tempo de esperar.

Além disso, para o representante dos empresários, não é a bilhetagem eletrônica o problema nos transportes do Rio de Janeiro e, sim, a falta de equilíbrio econômico.

“O sistema é referência de tecnologia e integração. Hoje o RioCard é aceito em diferentes modais e em vários municípios da região metropolitana. Não é fácil integrar tudo do zero. Não faz sentido ir na contramão e regredir. Hoje o que o RioCard oferece, até mesmo São Paulo busca, uma bilhetagem entre diferentes modais, sistemas e cidades” – disse

R$ 70 MILHÕES:

As empresas de ônibus calculam que o sistema de transportes para se manter necessitariam de um subsídio de em torno de R$ 70 milhões por mês.

Paulo Valente diz que o número é apenas uma estimativa e que mais estudos devem ser feitos, porém, é um “ponto de partida” para as discussões.

O número é uma projeção com base na complementação entre R$ 12 milhões e R$ 13 milhões por mês que a prefeitura tem feito hoje no BRT-Rio, que é operadora pelo poder público, e levando em conta também que o BRT responde por cerca de 10% do sistema de transportes sobre pneus da cidade.

Diversos municípios subsidiam os serviços de ônibus no Brasil, mas ainda são minoria.

O exemplo mais conhecido é o da capital paulista, cujos subsídios mensais são de cerca de R$ 290 milhões por mês (R$ 3,5 bilhões por ano).

De acordo com a prefeitura de São Paulo, sem os subsídios, a tarifa da cidade que hoje é de R$ 4,40, seria de aproximadamente R$ 8.

“Creio que no Rio, a tarifa não seria muito diferente disso, por isso, os subsídios são importantes, para que o passageiro pague o menos possível. Se tiver reajuste, não seria tão grande e não penalizaria o usuário” – diz.

Há mais de três anos não há reajuste tarifário nos ônibus da cidade do Rio de Janeiro.

“Estamos para ouvir também as propostas da prefeitura. Algo prático tem de ser apresentado pelo poder público, do jeito que está, a situação não se sustenta mais” – disse ao falar que desde o início da pandemia de covid-19, em março de 2020, as empresas de ônibus deixaram de arrecadar cerca de R$ 2,5 bilhões.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Comentários

  1. João Luis Garcia disse:

    Segundo o que entendi o Sindicato das Empresas aceita que o recurso seja gerido pelo Poder Público, porém o sistema continuaria a cargo do RioÔnibus, acho pouco provável que a Prefeitura aceite essa proposta.

  2. ROBERTO SANTANA CRUZ disse:

    Covil de bandidos. Sequer mencionam o sofrimento que os Usuário estão sofrendo no calor infernal do Rio dentro desses veículos sem manutenção, altamente precários. Se aproveitaram da Pandemia pra não ligar mais o AR CONDICIONADO.

  3. Rejane Guanabara de Almeida disse:

    Uma vergonha transporte no Rio de janeiro trabalhadores sitiados sem poder trabalhar por falta de transporte sepetiba não demora muito e.as pessoas vão trabalhar de charrete não temos uma condução para o centro da cidade
    Não temos condução para lugar nenhum

  4. Araújo disse:

    É muito fácil melhorar o transporte público no Rio de Janeiro é só obrigar os aplicativos de carros pagarem tributos para o estado eles estão quebrando o metrô os trens os ônibus e escravizando os motoristas que trabalham para sem dar nenhuma segurança

Deixe uma resposta