Goiás apresenta primeiro ônibus articulado 100% elétrico para o Eixo Anhanguera

Ao todo serão mais de 100 ônibus elétricos para o eixo, com expectativa de entrarem em circulação ainda no semestre de 2022. Foto: Reprodução.

Veículo fabricado pela BYD possui carroceria Marcopolo Attivi Express

JESSICA MARQUES

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado apresentou nesta segunda-feira, 17 de janeiro de 2022, o modelo do primeiro ônibus 100% elétrico que vai substituir a frota do Eixo Anhanguera nos próximos meses.

O veículo, fabricado pela montadora chinesa BYD, possui carroceria Marcopolo Attivi Express. Segundo o governo, o ônibus vai passar por um período de avaliação de viabilidade técnica e econômica para implantação. Entretanto, nesta fase de estudo, o modelo não vai circular com passageiros.

O ônibus possui autonomia de 250 quilômetros, é equipado com ar-condicionado, carregadores de celular e foi desenvolvido com suspensão pneumática em todos os eixos, o que proporciona mais conforto para os usuários.

Ainda de acordo com o Governo do Estado, serão mais de 100 ônibus elétricos para o eixo, com expectativa de entrarem em circulação ainda no semestre de 2022.

De acordo com a projeção do governo, cada veículo elétrico deixa de emitir 110 toneladas de CO2 por ano. O Eixo Anhanguera possui atualmente 86 ônibus, com dez anos de uso.

O modelo integra o projeto “O Futuro é Agora: Apresentação da Modernização do Eixo Anhanguera”. A iniciativa é implementada por meio da Metrobus, em parceria intermediada pela Secretaria-Geral da Governadoria (SGG) com o consórcio formado pelas empresas Enel X, Marcopolo e Consórcio HP-ITA (Urbi Mobilidade Urbana).

FUNCIONAMENTO DO ÔNIBUS ELÉTRICO

De acordo com o coordenador técnico do Mova-se Fórum de Mobilidade, Miguel Angelo Pricinote, um ônibus elétrico a bateria é um veículo elétrico que substitui o tradicional motor de combustão e transmissão por um motor elétrico e uma bateria. Em um ônibus elétrico, não há mais motor, nem tanque de combustível. Em vez disso, o motor elétrico do ônibus serve como motor e transmissão, enquanto a bateria é essencialmente o “tanque de combustível”.

“Os ônibus elétricos funcionam enviando um sinal para o controlador do sistema de trem de força na partida. Esse sinal energiza a bateria de alta tensão, onde a energia química é armazenada, e a converte em energia elétrica . Essa energia elétrica é então distribuída por todos os diferentes componentes que fazem o ônibus funcionar, como o motor elétrico e o sistema de gerenciamento térmico”, explica o especialista.

Ainda segundo Pricinote, os ônibus elétricos também têm torque instantâneo que melhora a dirigibilidade/desempenho. Os motoristas são capazes de acelerar de forma mais responsiva, tornando os ônibus com sistemas eletrificados mais desejáveis.

“A sustentabilidade é um dos principais impulsionadores dos ônibus elétricos cada vez mais comuns. À medida que os governos implementam regulamentações de emissões mais intensas e as empresas avançam em suas metas de sustentabilidade, os ônibus elétricos são vistos como a solução de emissão zero adequada que pode ajudar cidades e comunidades a atingir seus objetivos ambientais, sem comprometer sua infraestrutura de transporte”, considera.

CONFORTO AO MOTORISTA

O especialista ressalta ainda que os ônibus elétricos também oferecem maior conforto ao motorista. Segundo ele, isso ocorre porque os motores elétricos são muito mais silenciosos e permitem um manuseio suave.

Assim, a experiência de condução melhorada reduz a fadiga do condutor e aumenta também o conforto dos passageiros, uma vez que elimina os ruídos e favorece a inserção de veículos 100% piso baixo.

CUSTO

Para Pricinote, embora o custo inicial da compra de um ônibus elétrico não seja mais barato do que os ônibus diesel eles estão se tornando mais acessíveis.

Há uma série de programas de incentivo em vigor que os compradores podem aproveitar para fazer com que os ônibus elétricos tenham o mesmo custo que um ônibus convencional”, detalha.

Portanto, a economia de custos ocorre na operação de frotas de ônibus elétricos ao longo do tempo. Têm custos de manutenção e custos de “combustível” mais baixos, uma vez que não necessitam de combustível fóssil.

“Os ônibus elétricos também funcionam com mais eficiência com a frenagem regenerativa, que simultaneamente reduz o desgaste do sistema de frenagem e captura a energia cinética para realimentar a bateria e estender o alcance do ônibus. Com a frenagem tradicional, a energia cinética já foi ‘desperdiçada’ pelos freios de serviço e transferida para o calor, o que significa que a frenagem regenerativa é mais eficiente”, afirmou também o especialista.

Outro ponto de destaque ressaltado por Pricinote é o menor custo de implantação e a flexibilidade de um projeto de ônibus elétricos frente aos investimentos necessários para implantação dos VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos).

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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