ENTREVISTA: Plenário do Senado aprova empréstimo internacional de US$ 97 milhões para o BRT-Aricanduva em São Paulo

Assessor especial do gabinete do preito Ricardo Nunes, Marcelo Barbieri, e senador Alexandre Luiz Giordano, após a votação. Ao fundo, à mesa, presidente do Senado, Rodrigo Pacheco – Foto: Divulgação/Texto: Adamo Bazani

De acordo com assessor especial do gabinete do preito Ricardo Nunes, Marcelo Barbieri, após sanção presidencial, liberação de verba costuma ser rápida

ADAMO BAZANI

Colaborou Jessica Marques

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O Plenário do Senado aprovou no início da noite desta terça-feira, 14 de dezembro de 2021, a autorização para a prefeitura de São Paulo utilizar US$ 97 milhões de empréstimo do BIRD  (Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento) para o BRT-Aricanduva, um sistema de ônibus rápidos de 13,6 quilômetros que terá início no cruzamento das avenidas e Radial Leste e Aricanduva, seguindo pelas avenidas Aricanduva e Ragueb Chohfi, até o Terminal São Mateus da EMTU, na região da Praça Felisberto Fernandes da Silva.

Há estimativa de uso de ônibus elétricos no sistema.

A compartida da prefeitura será de aproximadamente US$ 23 milhões.

O empréstimo terá garantia da União, por isso a necessidade de aprovação pelo Senado.

O BRT (Bus Rapid Transit), que deve atender a cerca de 300 mil passageiros por dia vai se conectar, em São Mateus, à linha 15-Prata do monotrilho e ao Corredor Metropolitano ABD de ônibus e trólebus gerenciado pela EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), do Governo do Estado, operado pela empresa Next Mobilidade. O trajeto também deve fazer conexão com as linhas 11 e 12 da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), por meio do contato com a linha 3-Vermelha do Metrô ainda na zona Leste

Em entrevista ao Diário do Transporte, o assessor especial do gabinete do prefeito Ricardo Nunes, Marcelo Barbieri, disse que após a sanção presidencial, a liberação do aval para uso do empréstimo costuma ser rápida.

Com o recurso garantido, segundo Barbieri, já será possível fazer a licitação para o BRT.

“Os valores serão desembolsados ao longo do processo licitatório. Agora, a autorização legislativa vai à sanção presidencial. Uma vez sancionado e publicado no Diário Oficial, a cidade de São Paulo está autorizada a receber os recursos e o fará de acordo com o contrato firmado com o BIRD, que envolve um processo de licitação internacional e exige transparência. Não é uma obra pequena, vai exigir um grau de especialidade e de certificação para que a empresa ou as empresas que vencerem o certame, possam realizar a obra de acordo com o que foi acordado com o BIRD” – explicou.

Barbieri disse que as conversas com a área técnica instituição internacional tiveram início ainda nos primeiros meses da gestão do prefeito Bruno Covas, passando pelo aval da Casa Civil do Governo Federal, até chegar ao Senado.

O assessor do gabinete considera que a tramitação no Senado foi rápida.

“Conseguimos que a Casa Civil encaminhasse ao Senado esse processo na semana passada, foi pautado na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) pelo senador Otto Alencar pela manhã. O relatório do senador Giordano [Alexandre Luiz Giordano] foi aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos e à tarde o presidente [do Senado] Rodrigo Pacheco aprovou pautar a matéria no Senado, com a maioria dos votos, e sem seguida colocou em votação o tema e foi aprovado por unanimidade com o relatório do senador Giordano” – disse Barbieri, que não descartou que outros corredores contem com o mesmo expediente, muito embora, lembrou que entre as conversas com os organismos internacionais e a sanção presencial, o caminho é longo.

BRT-ARICANDUVA:

O projeto BRT Corredor prevê atender entre 290 mil e 300 mil passageiros por dia, numa extensão de 13,6 quilômetros. O trajeto terá início no cruzamento das avenidas e Radial Leste e Aricanduva, seguindo pelas avenidas Aricanduva e Ragueb Chohfi, até o Terminal São Mateus na região da Praça Felisberto Fernandes da Silva, onde pode ser conectado à linha 15-Prata do monotrilho e ao Corredor Metropolitano ABD de ônibus e trólebus gerenciado pela EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), do Governo do Estado, operado pela empresa Next Mobilidade/Metra. O trajeto também deve fazer conexão com as linhas 11 e 12 da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), por meio do contato com a linha 3-Vermelha do Metrô ainda na zona Leste.

Também está prevista a construção de um CCO (Centro de Controle Operacional) que fará gestão integrada das operações de ônibus.

O corredor terá cobrança desembarcada, como no metrô. As estações serão construídas no nível do piso do ônibus para facilitar e tornar mais rápidos e acessíveis o embarque e desembarque. Tais características proporcionam aumento da velocidade média dos ônibus, ganhos de tempo de viagem e redução de custos operacionais.
Em ambos os lados do Rio Aricanduva, entre as pistas sentido bairro e centro, o projeto prevê a construção de ciclovia e calçadas, que será totalmente revitalizado atendendo as normas de acessibilidade vigentes.

Além disso, o corredor também contará com sinalização semafórica inteligente, com a implantação da fibra óptica em toda sua extensão, que permitirá maior fluidez aos ônibus em seu horário de pico. Os semáforos inteligentes são capazes de monitorar o volume e o fluxo de tráfego para, então, definir o tempo de duração dos sinais verde e vermelho. A captação das informações sobre o comportamento do trânsito ajudará a definir os intervalos que os semáforos vão operar, contribuindo para a agilidade dos trajetos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Alfredo disse:

    Mais uma promessa que provavelmente não será cumprida, vejam como está o corredor da Avenida Lider, apenas uma pequena parte funciona, os prometidos viadutos no cruzamento da Aricanduva e Itaquera nunca sairam do papel, parte da obra está totalmente abandonada, obra essa que começou com Haddad e não serve pra nada

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