Governo Doria abre novo crédito de R$ 200 milhões para o Metrô de SP, e de R$ 142 milhões para a STM

Foto ilustrativa.

Em menos de dois meses, Companhia do Metropolitano já recebeu aportes de quase R$ 600 milhões

ALEXANDRE PELEGI

Após aportar crédito suplementar de R$ 125 milhões ao Orçamento Fiscal na Secretaria dos Transportes Metropolitanos (STM) para repasse à Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô há dois dias, o Governo Doria voltou a abrir crédito para equilibrar o caixa da estatal.

Em publicação do Diário Oficial do Estado desta quinta-feira, 09 de dezembro de 2021, o governador João Doria abriu novo crédito ao Metrô, de mais R$ 200 milhões.

Em apenas 45 dias, este já o quarto repasse, somando cerca de R$ 580 milhões.

Na mesma publicação de hoje, foi aberto também crédito de R$ 142 milhões para o orçamento da Secretaria dos Transportes Metropolitanos.

No caso do repasse ao Metrô, os recursos visam atender a despesas de capital.

Já no caso da STM, os R$ 142 milhões serão destinados ao orçamento da pasta.

Despesas de Capital referem-se à aquisição de bens (desapropriações, veículos, equipamentos de informática e outros). O valor remete ao equilíbrio financeiro da Companhia do Metrô de SP, que desde o início da pandemia vem enfrentando queda na receita.

Como mostrou o Diário do Transporte, nos dias 21 de outubro e 23 de novembro deste ano Doria socorreu o caixa da Companhia do Metrô de SP com aporte de R$ 178 milhões e R$ 76 milhões respectivamente. Da mesma forma que agora, os recursos foram destinados a despesas de Capital.

Na ´terça-feira dessa semana, 07 de dezembro, foram aportados mais R$ 125 milhões ao orçamento do Metrô de SP.

Com a liberação anunciado hoje, em menos de dois meses o Metrô repasses para despesas de capital que somam cerca de R$ 580 milhões.

Relembre a sequência de liberações de crédito:

Doria aporta mais R$ 125 milhões ao orçamento do Metrô de SP


PREJUÍZO

O Metrô de São Paulo amargou um prejuízo de R$ 1,7 bilhão em 2020. Em comparação a 2019, ano em que a estatal já computara prejuízo de R$ 599 milhões, o crescimento de 184% na perda de receitas foi explicado pela menor atividade comercial imposta pela pandemia da COVID-19.

Mas a segunda onda continuou impactando nas receitas da estatal. Apenas no primeiro trimestre deste ano, o resultado foi de R$ 363 milhões negativos.

O Metrô de SP, assim como a CPTM, é uma estatal dependente de recursos do Tesouro, uma vez que não consegue substituir apenas com suas receitas. Por outro lado, o transporte público, serviço essencial, é fartamente subsidiado pelo estado em todos os países avançados.

Esta situação causa uma diferença importante entre o Metrô do Rio, explorado pela iniciativa privada, e o caso paulistano, onde todos os modos têm o suporte público.

No caso do Rio, todas as concessionárias públicas, de trens a barcas, de ônibus (BRT) e VLT ao Metrô, amargam prejuízos por não contarem com uma política que assuma o transporte como essencial, portanto passível de aportes do Tesouro para garantir sua essencialidade.

As dívidas agravadas pela pandemia jogaram o sistema multimodal do Rio de Janeiro à beira do colapso, sem solução à vista.

Atualmente esta situação pode ser lida em números:

Metrô – operando com 50% da demanda hoje (com R$ 546 milhões de prejuízo em 2020);

Trens – operando com perda de 45% da demanda (R$ 352 milhões de prejuízo em 2020, situação agravada pelo aumento de furtos de fios e cabos, o que prejudica o atendimento;

Barcas – o modal em pior situação, operando com perda de 70%.

Ônibus – o setor um pouco melhor nesse quesito, com 25% de queda, mas com um prejuízo acumulado de R$ 2 bilhões na pandemia, e para piorar o reajuste do diesel, que apenas em 2021 já chegou a 51%.

Sem subsídios, o sistema corre o risco da paralisia.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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