VÍDEO: Mato Grosso vai quitar financiamento de R$ 560 milhões do VLT com a Caixa para licitar BRT Cuiabá-Várzea Grande

Governador Mauro Mendes disse que licitação está pronta e só existe esta pendência para ser lançada

ADAMO BAZANI

O governador do Mato Grosso, Mauro Mendes, disse nesta quinta-feira, 25 de novembro de 2021, que negocia com a CEF (Caixa Econômica Federal) a quitação de R$ 560 milhões com recursos estaduais do financiamento restante do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) para finalmente poder licitar a implantação de um sistema de corredores de ônibus rápidos e elétricos (BRT – Bus Rapid Transit) entre a capital Cuiabá e a cidade de Várzea Grande.

A implantação de um meio de transporte de maior capacidade que os ônibus comuns deveria ocorrer até a Copa do Mundo de Futebol de 2014, mas foi alvo até mesmo de investigações policiais porque o modelo original seria um BRT, mas foi trocado por um VLT, o que culminou na “Operação Descarrilho”, que apontou indícios de fraudes para beneficiar o sistema de trilhos. As obras não avançaram e em 2020, a gestão Mauro Mendes decidiu retomar o projeto de BRT. (Veja mais abaixo)

Segundo o governador nesta quinta-feira (24), só basta a definição deste financiamento que o Estado lançará a licitação para o BRT.

Mauro Mendes ainda disse que a medida foi tomada por causa da demora da Caixa Econômica em responder os pedidos do Estado.

Veja a declaração em vídeo veiculado pelo setor de comunicação do próprio Governo do Estado.

“O Governo do Estado de Mato Grosso encaminhou oficialmente à Caixa Econômica Federal o pleito para quitar o financiamento feito para o VLT. Vou pagar 100% desse financiamento, encerrar essa relação que o Governo do Estado tinha para o financiamento. R$ 560 milhões é o que falta, o financiamento está literalmente em dia, mas o Estado vai quitar isso, e encerrar a relação que existia com a Caixa Econômica e uma dependência” “Estamos aguardando deles, uma tratativa para autorizar a migração em função de ter um financiamento, como eles estão demorando muito, isso foi pedido já no início do ano, a licitação está pronta para sair, já há alguns dias, nós não podemos soltar essa licitação antes que haja uma decisão deles porque são agentes financiadores”, – disse

Também nesta quinta-feira (24), o Tribunal de Contas da União (TCU) proibiu que financiamentos e verbas federais que seriam para o VLT fossem transferidos para a construção do BRT.

O governador disse que não serão necessários estes recursos federais e que o Estado tem como bancar.

Sobre o valor de R$ 1,2 bilhão que o consórcio que implantaria o VLT teria de devolver ao Estado, no entendimento da gestão, Mauro Mendes diz que o assunto foi judicializado.

Operação Descarrilho:

Em agosto de 2017, a operação “Descarrilho”, da Polícia Federal, revelou esquemas de corrupção no processo licitatório e implantação da obra do VLT.

Com isso, o governador Pedro Taques decidiu rescindir o contrato com o Consórcio VLT-Cuiabá/Várzea Grande, formado pela CR Almeida, CAF, Santa Barbara e Magna.

Antes da operação da Polícia Federal, Taques chegou a cogitar o pagamento de R$ 922 milhões para o consórcio retomar as obras.

De acordo com a Polícia Federal, ocorreu um superfaturamento superior a R$ 120 milhões para a compra dos trens, fruto do RDC – Regime Diferenciado de Contratações, que tem regras mais “flexíveis” que as previstas pela “lei de licitações” 8666/93. O RDC foi usado em várias obras para a Copa em diversas partes do país.

No dia 06 de junho de 2019, em segunda instância, o TJMT – Tribunal de Justiça de Mato Grosso negou recurso contra a rescisão do contrato, movido pelo consórcio da CR Almeida, CAF, Santa Barbara e Magna.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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