Para presidente da Fabus, projeto de renovação de frota seria mais indicado do que insistir em cronograma atual do Euro 6

Ruben Bisi, presidente da Fabus

Ruben Bisi afirmou que setor vive tempestade perfeita, e nesse momento nova tecnologia traria uma série de custos que segmento não suportaria

ALEXANDRE PELEGI

Em participação em seminário técnico do Setpesp – Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de São Paulo na manhã dessa quinta-feira, 25 de novembro de 2021, o presidente da Fabus – Associação Nacional dos Fabricantes de ônibus, fez um balanço da situação da crise do setor de transporte.

Para Ruben Bisi, o transporte vive no país o que ele descreveu como uma tempestade perfeita.

Nesse quadro de crise, ele defendeu que ao invés de introduzir o Euro 6 no cronograma previsto, em 2023, seria mais factível e produtivo para o país investir em um programa de renovação da frota de ônibus e caminhões velhos, que ainda rodam com versões antigas do Euro, e além da poluição, trazem insegurança para a sociedade.

Trata-se do programa Renovar, há tempos em discussão no país.

Ao descrever a tempestade perfeita, cenário no qual atuam o aumento de todos os insumos, a ausência de financiamento adequado, além de outras questões, Bisi agregou o caso do transporte urbano sobre pneus, que diante do aumento do diesel e da perda de passageiros atravessa sua pior crise.

“Vamos insistir na prorrogação do prazo de implantação do Euro 6”, disse Bisi, afirmando que ao contrário das versões anteriores não traz como contrapartida economias para o setor.

Introduzir o Euro 6 não traz receita, apenas custos, e custos têm de ser repassados”, alertou Bisi.

O presidente da Fabus citou que a introdução do Euro 6 traz ainda problemas como aumento de peso nos chassis (de 150 a 250kg, a depender do modelo), e aumento da temperatura, questões que a engenharia precisa resolver sem que isso impacte ainda mais nos custos finais.

Na ausência de financiamentos que possam mitigar os custos do Euro 6, Bisi destacou o programa de renovação de frota para caminhões e ônibus.

Há linhas de financiamento que podem auxiliar num programa como este”, disse Bisi, que destacou que como resultado imediato trará não somente um ganho ambiental, como também de segurança.

Dentre os vários temas que Bisi destacou, ficou evidente a ausência da União no equacionamento do problema. “O governo federal precisa participar da situação, viabilizando fontes de recursos para garantir que o setor de transporte possa atravessar essa grave crise”.

Em resumo: investir no programa Renovar seria mais importante para a economia, diante do quadro que vive o país, do que insistir no cronograma de implantação do Euro 6 em 2023, afirmou Ruben Bisi.

SOLUÇÕES SCANIA

A Scania, que fabrica chassis de ônibus, motores a diesel e caminhões, também participou do encontro nesta quinta (25). Na ocasião, o gerente de Vendas e Soluções de Mobilidade, Celso Mendonça, detalhou as soluções da empresa no quesito sustentabilidade. Entre as alternativas apresentadas está o ônibus movido a gás.

“Para o condutor, não faz diferença se ele está dirigindo um motor a gás ou a diesel. Todos os problemas que existiam há 10, 20 anos, não existem mais. Era outra tecnologia de produto e de combustível”, afirmou.

Segundo Mendonça, alguns parâmetros já foram resolvidos: o abastecimento é rápido; os tanques de gás permitem autonomia superior a 300 quilômetros; e o custo do quilômetro rodado é inferior quando comparado ao diesel, devido ao preço dos combustíveis.

MERCEDES-BENZ

O diretor de Vendas e Marketing da Mercedes-Benz do Brasil, Walter Barbosa, no painel da tarde do evento do Setpesp destacou que as dificuldades para a implantação do Euro 6 no Brasil vão além das questões técnicas.

O executivo destacou que, diferentemente do que ocorreu em diversos países, o governo brasileiro não deu nenhum incentivo para o desenvolvimento e implantação do padrão Euro 6 ou mesmo de outras tecnologias menos poluentes, que, apesar dos benefícios ambientais, têm um custo e custo alto.

Walter Barbosa disse que os custos valem a pena pelo bem do meio ambiente e da saúde, mas que seria justo que houvesse um incentivo e uma melhor distribuição do custeio destes investimentos, assim como poderia ser repensado o momento de implantação. A pandemia de covid-19 impactou de forma agressiva financeiramente a indústria de ônibus e os operadores, que perderam passageiros.

O diretor de Vendas e Marketing da Mercedes-Benz do Brasil ainda lembrou que o Euro 6, em sua opinião, não passa de uma tecnologia transitória.

“Não existe nenhuma tecnologia em que todo mundo vai sair feliz e ganhar, será ônus e esforço para todos. Toda tecnologia transitória ou definitiva vai exigir investimentos. O Euro 6, o HVO, o biodiesel, o gás natural são tecnologias transitórias, elas não vieram para ficar. São ganhos e benefícios para a sociedade sim e vão reduzir custos governamentais em saúde pública, mas, mesmo que menos, ainda emitem poluentes. Tecnologias definitivas são de emissões zero, como elétricos e hidrogênio” – disse Walter Barbosa.

O Euro 6 deveria ter entrado em vigor em 2016.

Confira a apresentação dos detalhes:

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. CLAUDIO disse:

    Certo o Presidente da Fabus. Criar um programa para incentivar o sucateamento em definitivo de ônibus com mais de 15 anos e caminhões ídem. Ex. MBB 1111, 1113, 1313 Scania B76, B111 etc….

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