Estudo mostra a relação entre perda de passageiros e aumento de tarifa e do tempo de deslocamento dos ônibus na Grande Recife

Ônibus novos atraem mais passageiros. Segundo o trabalho, para cada aumento do tempo médio de viagem de 1%, a demanda se reduz em 0,43%. Já uma elevação do valor da tarifa na ordem de 10% reduz a demanda entre 3,89 e 5,95%.

ADAMO BAZANI

Colaborou Jessica Marques

Um estudo realizado por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco conseguiu quantificar a relação entre amento da tarifa e do tempo de deslocamento com a queda de demanda de passageiros do sistema de ônibus de Recife e região metropolitana.

Segundo o trabalho, para cada aumento do tempo médio de viagem de 1%, a demanda se reduz em 0,43%. Já uma elevação do valor da tarifa na ordem de 10% reduz a demanda entre 3,89 e 5,95%.

O aumento da idade da frota também reduz a demanda de passageiros.

A análise foi feita a pedido do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado de Pernambuco (Urbana-PE) e leva em conta dados sobre o transporte público e a evolução do uso e a ocupação do solo na RMR (Região Metropolitana de Recife) de 2007 a 2018, ou seja, sem a influência na demanda de passageiros ocasionada pela covid-19.

Não foi analisado, entretanto, os impactos dos aplicativos de carros, como Uber e 99, pela ausência de informações completa sobre este tipo de transporte no período.

POLÍTICAS PÚBLICAS DEVEM SER LOCAIS:

De acordo com a Urbana-PE, os pesquisadores concluíram que, por mais que existam problemas estruturais que afetam os usuários e extrapolam a capacidade de intervenção do poder público municipal e estadual, como desemprego e redução de renda, a solução dos problemas mais relevantes depende de ações e políticas públicas de âmbito local.

Um dos exemplos é a priorização maior do transporte coletivo no espaço urbano para ganhar agilidade e competitividade em relação ao transporte individual.

FINANCIAMENTO DE TARIFAS:

O trabalho aponta que, a exemplo do que ocorre em todo o País, as tarifas são altas para os passageiros e insuficientes para custear um serviço adequado e que conquiste mais gente.

Uma das sugestões é formulação de um novo modelo de financiamento do transporte público com adoção de fontes de custeio extratarifárias e a elevação da velocidade operacional pelo aumento da eficiência do serviço, da ampliação da prioridade do transporte público nas vias e do investimento nos corredores estruturais.

Em nota, o professor Oswaldo Lima Neto, um dos responsáveis pelo trabalho disse que “é necessário um novo modelo de financiamento dos serviços, no qual o usuário não seja o único a arcar com os custos do transporte, bem como investimentos públicos em infraestrutura, com a radical transformação na prioridade ao transporte público no espaço viário, uma rede flexível mais adequada às transformações da demanda e uma política pública de ajustes finos na relação entre o uso do solo e o transporte”.

O estudo mostra que o aumento de integrações entre linhas de ônibus e entre ônibus e trilhos aumento a demanda de passageiros, mas também interfere no custeio do sistema e as formas como bancar estas complementações de viagem devem ser aprimoradas.

O diretor de Inovação da Urbana-PE, Marcelo Bandeira, ressaltou, na mesma nota, a iniciativa do sindicato de buscar a academia para debater questões relevantes sobre o transporte público e destaca que o setor “tem procurado entender os fenômenos que acontecem na sociedade para planejar o serviço em busca de melhor qualidade para os nossos clientes”.

FROTA

O estudo também mostrou a relação da idade média da frota com a quantidade de passageiros.

Comprar ônibus novos é um bom negócio para todos: para o passageiro, para a imagem do gestor público, para as empresas e para a cadeia industrial produtiva.

A idade média da frota, como uma proxy de qualidade do serviço, também tem influenciado na redução de demanda por transporte público na RMR. Nessa lógica, manter as frotas modernas e atualizadas representa um incentivo para a aumentar a atratividade do serviço. Para atingir esse objetivo, obviamente a tarifa precisa ser adequada para o cumprimento dessa meta, exigindo também modelos de financiamentos ou de contratação inovadores para isso.

Confira o estudo, na íntegra:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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