Prefeitura de São Paulo realiza pesquisa de análise de impacto social do entorno do futuro BRT Aricanduva

Dados serão coletados em bairros como Aricanduva, Carrão, Cidade Líder, Cidade Tiradentes, Iguatemi, José Bonifácio, Parque do Carmo, São Mateus, São Rafael, Sapopemba e Vila Matilde. Foto: Renan Deodato / Ônibus Brasil.

Iniciativa, em parceria com o Banco Mundial, tem como objetivo identificar padrões de mobilidade da população mais vulnerável da região para propor soluções que melhorem deslocamentos na área de implantação do corredor

JESSICA MARQUES

A Prefeitura de São Paulo, por meio da SETRAM (Secretaria Executiva de Transporte e Mobilidade Urbana) e da SPTrans, está iniciando uma pesquisa domiciliar para levantar informações a respeito do perfil socioeconômico e dos padrões de mobilidade da população que mora no entorno da área onde será construído o futuro BRT Aricanduva, com extensão prevista de 13,6 quilômetros, na zona leste da cidade de São Paulo.

O estudo é realizado em parceria com o Banco Mundial. Segundo a SPTrans, a coleta de dados, que está sendo realizada por 16 pesquisadores devidamente identificados e divididos em dois grupos, começou no mês de novembro de 2021 e tem duração prevista até o fim de janeiro de 2022.

“O foco do estudo é compreender as principais necessidades relacionadas aos deslocamentos diários da população mais vulnerável no entorno do BRT Aricanduva, que é aquela mais impactada por problemas na mobilidade: pessoas de baixa renda, mulheres, gestantes, lactantes, crianças, adolescentes, jovens, idosos, pessoas com deficiência, pessoas em moradias precárias e em localidades com falta de segurança”, detalhou a SPTrans, em nota.

Ainda segundo a SPTrans, as informações obtidas com o levantamento vão servir de base para o desenho e o desenvolvimento de políticas públicas voltadas para a melhora da mobilidade desses grupos com maior vulnerabilidade que vivem na área de abrangência do futuro corredor.

ETAPAS

Ao todo, devem ser realizadas cerca de 8,5 mil pesquisas domiciliares na região, divididas em três etapas mensais. Os dados serão coletados em bairros como Aricanduva, Carrão, Cidade Líder, Cidade Tiradentes, Iguatemi, José Bonifácio, Parque do Carmo, São Mateus, São Rafael, Sapopemba e Vila Matilde.

A primeira etapa, em novembro de 2021, tem a previsão de realização de 2.616 entrevistas em quatro semanas. Em dezembro, irá ocorrer a segunda etapa, quando devem ser realizadas 3. 270 entrevistas durante cinco semanas. E a etapa final está programada para janeiro de 2022, com o restante das entrevistas.

PROJETO

O projeto BRT Corredor Aricanduva visa melhorar a acessibilidade para usuários do transporte público, e prevê atender 290 mil passageiros por dia, em sua extensão de 13,6 quilômetros. Seu trajeto terá início no cruzamento das avenidas e Radial Leste e Aricanduva, seguindo pelas avenidas Aricanduva e Ragueb Chohfi, até o Terminal São Mateus da EMTU, na altura da Praça Felisberto Fernandes da Silva. Também está prevista a construção de um moderno Centro de Controle Operacional que fará gestão integrada das operações de ônibus.

O corredor terá cobrança desembarcada, como no metrô. As estações serão construídas no nível do piso do ônibus para facilitar e tornar mais rápidos e acessíveis o embarque e desembarque. Tais características proporcionam aumento da velocidade média dos ônibus, ganhos de tempo de viagem e redução de custos operacionais.
Em ambos os lados do Rio Aricanduva, entre as pistas sentido bairro e centro, o projeto prevê a construção de ciclovia e passeio, que será totalmente revitalizado atendendo as normas de acessibilidade vigentes.

Além disso, o corredor também contará com sinalização semafórica inteligente, com a implantação da fibra óptica em toda sua extensão, que permitirá maior fluidez aos ônibus em seu horário de pico. Os semáforos inteligentes são capazes de monitorar o volume e o fluxo de tráfego para, então, definir o tempo de duração dos sinais verde e vermelho. A captação das informações sobre o comportamento do trânsito ajudará a definir os intervalos que os semáforos vão operar, contribuindo para a agilidade dos trajetos.

O projeto será parcialmente financiado pelo Banco Mundial, sendo US$ 97 milhões provenientes da entidade e outros US$ 24,25 milhões em contrapartidas da Prefeitura, totalizando US$ 121,25 milhões, aproximadamente.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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