Ônibus municipais de São Paulo recebem adesivos para divulgação da 1ª Expo Internacional da Consciência Negra

Além disso, motoristas e cobradores recebem treinamento contra a discriminação racial; SPTrans firmou parceria com o Banco Mundial em projeto para reduzir as desigualdades de gênero e raça na mobilidade urbana

ADAMO BAZANI

Pelo menos 62 ônibus municipais da capital paulista vão circular em todas as regiões da cidade com uma adesivação especial no vidro traseiro para divulgar a 1ª Expo Internacional da Consciência Negra de São Paulo, realizada pela Secretaria Municipal de Relações Internacionais, de 19 a 22 de novembro, no Pavilhão 10 do Anhembi.

Os veículos operam com os adesivos até o dia 23 de novembro.

O evento é inédito na cidade. São esperadas cerca de cinco mil pessoas e o objetivo é buscar e apresentar formas de educar, sensibilizar e engajar a todos na causa contra a discriminação racial, com uma experiência sensorial que inclui elementos lúdicos e educativos para recontar a história desde o início da humanidade, nas ciências e inovações tecnológicas.

Os protocolos de segurança sanitária vão ser adotados no evento que vai ainda oferecer aos participantes conferências com nomes de referência nacional e internacional no tema.

Além de divulgar o evento, a adesivação dos ônibus buscará mostrar a todos a necessidade de eliminação de qualquer tipo de preconceito e discriminação.

A ação faz parte do programa “São Paulo, Farol de Combate ao Racismo Estrutural”, que busca dar visibilidade à importância da luta antirracista junto à sociedade, e é uma parceria da Secretaria Executiva de Mobilidade Urbana (SETRAM) e da SPTrans com empresas de ônibus da cidade.

Já adesivaram os veículos as companhias Alfa Rodobus, Gato Preto, Grajaú, KBPX, MobiBrasil, Sambaíba, Santa Brígida e Transcap.

JORNAL DO ÔNIBUS E TERMINAIS:

O Jornal do Ônibus, informativo impresso afixado nos coletivos, terá duas edições especiais tratando do tema.

Entre os dias 15 e 22 de novembro será colocada uma menção para o fato de que atos racistas são crimes. A frase “Racismo é crime: ligue 156 e denuncie”  é para incentivar a participação de todos no combate a este mal.

Já a outra edição especial do Jornal do Ônibus, a ser divulgada entre 23 e 30 de novembro, foi desenvolvida em parceria com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania e também vai destacar a frase “Racismo é crime”.

A mensagem vai ser ainda veiculada no sistema de som dos terminais de ônibus municipais e, também, em 150 cartazes afixados nos quadros de avisos destes terminais entre 4 e 30 de novembro.

TREINAMENTO DE MOTORISTAS E COBRADORES:

De acordo com a SPTrans, além dessas ações em novembro, são realizados treinamentos constantes com motoristas, cobradores, fiscais e outros trabalhadores dos transportes para reduzir o número de casos de racismo e de conscientizar os operadores.

A Secretaria de Direitos Humanos em parceria com a SPTrans e companhias de ônibus, desenvolve a capacitação dos multiplicadores dos setores de Recursos Humanos das empresas operadoras para subsidiar as ações de desenvolvimento para os operadores (motoristas, cobradores e fiscais).

Segundo a SPTrans, o contrato celebrado com as empresas operadoras prevê conteúdos, carga horária e periodicidade de treinamento para motoristas e cobradores. Além disso, desde 2017 o Programa Viagem Segura realiza acompanhamento mais próximo aos RH’s das empresas para intensificar a formação dos instrutores das empresas e verificar o cumprimento dos treinamentos.

PARCERIA COM BANCO MUNDIAL:

A SPTrans ainda informou que firmou uma parceria com o Banco Mundial, por meio do Smart Mobility Program, do Governo do Reino Unido, que engloba uma série de projetos, dentre os quais, um exclusivamente voltado a ações de Gênero e Raça na mobilidade.

A gestora de transportes diz que o projeto busca contribuir para conscientização, capacitação e aprimoramento do setor de transporte da Região Metropolitana de São Paulo de modo a reduzir as desigualdades de gênero e raça na mobilidade urbana; assim como capacitar as equipes administrativas, de planejamento, de projetos e operação quanto à perspectiva interseccional entre gênero e raça.

O projeto tem a consultoria do ITDP (Institute for Transportation and Development Policy) e do CEERT (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades), considerados referências na construção de políticas públicas de mobilidade e pelo fim das desigualdades.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Deixe uma resposta