Iveco Bus apostará em mais lançamentos e prevê 2022 com crescimento no mercado de ônibus

Marca tem estratégicas definidas para Brasil, Argentina e demais países da América Latina; Suspensão pneumática está nos planos para ônibus de maior porte

ADAMO BAZANI

Após quase dois anos em dificuldades, o mercado de ônibus no Brasil e nos demais países da América Latina deve começar uma recuperação mais consistente em 2022.

Os números totais de volume de produção e vendas podem não chegar aos mesmos patamares de 2019, período anterior à pandemia de covid-19, mas a própria necessidade de renovação de frota que foi postergada pelos transportadores deve trazer resultados positivos de forma expressiva.

Uma das fabricantes que aposta neste crescimento é a Iveco Bus.

Executivos da empresa conversaram na tarde desta quinta-feira, 23 de setembro de 2021, com o Diário do Transporte e comentaram sobre as principais estratégias da marca para a partir de 2022.

Uma das principais ações será ampliar o portfólio, ou seja, no ano que vem, a Iveco Bus promete mais lançamentos para o Brasil, inclusive cobrindo segmentos que ainda não atende no setor de transportes de passageiros.

“Além do próprio contexto geral de mercado, vamos crescer ampliando nossas opções de produtos”, disse o gerente Comercial da Iveco Bus, Wellington Monte, que adiantou que este movimento já começou neste ano de 2021 com dois lançamentos: a nova linha “Minibus Daily”, em julho de 2021, e o chassi de micro-ônibus 10-190 para os segmentos de fretamento, turismo e transporte urbano/metropolitano.

O 10-190 já existe para o segmento escolar/rural, sendo inclusive listado nas configurações do Programa Caminho da Escola, mas o veículo apresentado neste mês de setembro de 2021, traz diversas diferenças, segundo a fabricante.

“São irmãos, não são os mesmos. O modelo rural tem distância para o solo mais alta, pneu misto, suspensão, bloqueio e diferencial para tráfego severo. Já o lançamento é voltado para tráfego em cidades e rodovias, o conforto, a curva de motor e o desempenho são diferentes. Praticamente entre os dois, as únicas coisas iguais são motor e longarinas dos chassis.” – explicou o gerente de Marketing de Produto da Iveco Bus, Roberto Pavan.

O diretor da IVECO BUS, Danilo Fetzner, projeta que em 2021, o mercado geral de vans e ônibus (incluindo todas as marcas no Brasil) deve fechar com 22 mil unidades. Já em 2022, na visão do executivo, o volume deve ser de 28 mil unidades, se não houver surpresas desagradáveis no meio do caminho.

Entre os fatores que podem explicar este crescimento estão a recuperação econômica da crise gerada pela pandemia de covid-19 com o avanço da vacinação e a renovação antecipada de frota por parte dos empresários para aproveitar os preços atuais antes da entrada das novas normas de redução de poluição Euro 6, previstas para vigorarem no Brasil a partir de 2023, cujos veículos são mais caros que os atuais Euro 5.

Fetzner também destacou os emplacamentos do ciclo da licitação de 2021 para o Programa Caminho da Escola, do Governo Federal, que excepcionalmente em 2022 deve fechar mais cedo, em setembro, por causa da lei eleitoral, já que no ano que vem, há eleições presidenciais e de governadores.

O executivo crê que das sete mil unidades habilitadas nesta edição, cinco mil podem ser emplacadas em 2022.

A Iveco não vai fornecer veículos do Caminho da Escola neste ciclo, mas aposta em vendas públicas do segmento de ônibus escolares, em especial pelas compras por parte dos estados.

Alagoas, por exemplo, abriu um processo de licitação que envolve 300 ônibus escolares de duas categorias: 150 ORE 2 e 150 ORE 3.

LANÇAMENTOS:

Um dos principais focos da Iveco Bus para os lançamentos é dar mais opções ao mercado onde as concorrentes já atuam.

Os lançamentos podem ser de modelos inéditos da marca no Brasil e modernizações ou versões de produtos já existentes.

Por questões estratégicas, os executivos não listaram os modelos, mas é possível verificar que a Iveco Bus tem algumas possibilidades dentro do que o mercado exige.

Uma delas é a suspensão pneumática, ainda não presente, por exemplo, no 170S28, chassi de motor dianteiro para 17 toneladas, que é o segmento de maior venda no mercado de ônibus, atendendo ao transporte urbano/metropolitano e de fretamento.

Outro produto cada vez mais procurado nas cidades, até mesmo pela queda de demanda de passageiros, é o chassi para ônibus de motor dianteiro de 15 toneladas, muito usado para ônibus midi, os chamados micrões, que são maiores que os micros e menores que os ônibus convencionais.

Desta forma, não estão descartadas novidades para o 150S21.

A Iveco também diz já trabalhar e investir na linha de caminhões, vans e ônibus para atender às normas Euro 6 para motores a diesel.

Quanto à tecnologia alternativa ao diesel, a Iveco Bus diz analisar a situação do mercado brasileiro, mas em curto prazo, não tem intenção de trazer ou desenvolver para o País ônibus elétricos, apesar de entender a eletromobilidade como tendência, inclusive com forte participação no mercado europeu de ônibus à bateria e até mesmo em trólebus.

FOCO NO BRASIL E NOS VIZINHOS:

O diretor da Iveco Bus, Danilo Fetzner, disse ainda ao Diário do Transporte que a marca está de olho no crescimento esperado no Brasil, mas também tem focos definidos para os vizinhos latino-americanos.

“Há realidades e oportunidades diferentes nos países da região onde temos planos também de aumentar portfólio e participação” – disse.

Para a América Latina, os ônibus e vans menos poluentes estão nos planos.

No caso da Argentina, o projeto é o desenvolvimento de modelos locais movidos a gás natural.

Para os demais países da região, a Iveco prospecta trazer modelos elétricos e a gás natural importados da Europa, algo que, segundo a marca, não é viável para o Brasil.

Chile, Colômbia, República Dominicana e a caribenha Trindade e Tobago estão entre estes países que devem ter os veículos importados.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Deixe uma resposta