Metrô de SP rompe com Consórcio contratado para modernização de 25 trens da frota Cobrasma da Linha 3 – Vermelha

Contrato foi assinado em 2009; Consórcio MTTrens foi multado ainda em R$ 85 mil por descumprir cláusulas

ALEXANDRE PELEGI

Em publicação na edição do Diário Oficial do Estado deste sábado, 18 de setembro de 2021, a Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô comunicou a rescisão unilateral do contrato firmado com o Consócio MTTrens destinado à prestação de serviços de modernização de 25 trens com elaboração de projeto executivo e fornecimento de equipamentos para a frota Cobrasma da Linha 3 – Vermelha.

O Consórcio, constituído pelas empresas s MPE Montagens e Projetos Especiais; Trans Sistemas de Transportes e Temoinsa do Brasil venceu a licitação do Lote 2 de uma licitação internacional que, em seu conjunto, previa a modernização total de 98 trens.

O Lote 1 era composto por 51 trens da frota da Linha 1 – Azul, e foi vencido pelo Consórcio Modertrem; já o Lote 3 era formado por 22 trens da frota Mafersa também da Linha 3 – Vermelha, e foi vencido pelo Consórcio Reforma Metrô (Alstom e IESA).

Os contratos foram celebrados em 2009, e na época da licitação, realizada em 2008, o valor do orçamento estimado pela Companhia do Metrô era de quase R$ 1,6 bilhão (R$1.582.059.774,18, referente à data base 01/06/08.

No caso do Lote 2, vencido pelo Consórcio MTTrens, o valor era de R$ 388.944.898,88.

Além da rescisão contratual, o Metrô aplicou sanção de multa no valor de R$ 85.542,04, na data base 01/12/2008, conforme previsão contida no Contrato firmado com o Consórcio MTTrens, “em razão do descumprimento de cláusulas
contratuais, conforme documentos constantes no Processo Administrativo n° 4137721201/26“.

Pelo menos duas das cláusulas que previam rescisão foram descumpridas pelo Consórico, como a que define “cumprimento irregular de cláusulas contratuais, especificações, projetos e prazos” e a que especifica “ lentidão do seu cumprimento, levando a Administração a comprovar a impossibilidade da conclusão da obra, do serviço ou do fornecimento, nos prazos estipulados”.

PROBLEMAS EM SÉRIE

Em 2014 o Centro de Controle Operacional do Metrô de São Paulo registrou uma falha no sistema de fechamento de portas de um trem na estação Bresser-Mooca da linha 3-Vermelha.  Logo depois, um defeito no sistema de tração fez com que o trem passasse a operar no modo manual. As falhas levaram as equipes técnicas do Metrô a evacuarem o trem na estação Tatuapé, o que impediu a passagem de outras composições e gerou atrasos em cascata na rede inteira.

Da chamada “frota K”, de trens fabricados pela Cobrasma, a composição K-07, protagonista dos problemas, já havia descarrilado em agosto de 2013.

O Ministério Público investigava irregularidades nas reformas das composições da frota K desde 2012, sob suspeição de que os preços contratados pela Companhia eram mais altos do que se fosse comprado um trem novo.

A modernização dos 98 trens – incluindo os da frota K – das Linhas Azul e Vermelha foi orçada em R$ 1,6 bilhão, mas acabou batendo em R$ 2,5 bilhões.

 

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Comentários

  1. Reginaldo Silva disse:

    Fui funcionário do Metrô por vinte quatro anos, sempre desconfiei desses contratos,pois minha função era operar trens. Por mais leigo que sou sabia que comprar trens novos era mais barato. Máquina pública, é complicada…..

  2. Mauro Gomes disse:

    Sempre deixei meus comentários em vários canais.. ISSO FOI A MAIOR PICARETAGEM está reforma de trens.. Valores gastos ficaram mais caros do que compra de novas composições.
    Agora começa a pipocar falhas graves que compromete operações..
    Todos os dias falhas..
    Até acontecer algo mais grave envolvendo usuários..

Deixe uma resposta