Abrati e Setpesp discutem importância da responsabilidade ambiental e do respeito aos clientes no transporte rodoviário

Letícia Pineschi, conselheira da Abrati e Pedro Lins, professor da Fundação Dom Cabral

Temas que compõem uma agenda ESG foram foco de webinar promovido pelas duas entidades nesta terça-feira (13)

ALEXANDRE PELEGI

Numa parceria entre Abrati e Setpesp, aconteceu nesta terça-feira, 13 de setembro de 2021, a webinar “ESG: Como se preparar para uma governança sustentável?”.

A Abrati é a Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros e o Setpesp o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de São Paulo.

Como implementar a agenda ESG (sigla em inglês para Governança Ambiental, Social e Corporativa) nas empresas de transporte rodoviário? Do que se trata esse tema? O que é ser sustentável nos negócios?

Estas e outras perguntas formaram o foco para a apresentação de três convidados, que apresentaram suas abordagens sob a moderação de Letícia Pineschi, conselheira da Abrati.

Para o professor da Fundação Dom Cabral, Pedro Lins, especialista em projetos nas áreas de Competitividade Sustentável, competitividade e sustentabilidade são absolutamente compatíveis, ao contrário do que muitos pensam. É possível ser agressivo no mercado de negócios e proteger o meio ambiente, respeitar os clientes, investir nos colaboradores.

Fugindo de posições extremistas que defendem sustentabilidade ambiental como não poluir o ambiente, Pedro Lins esclareceu que a importância de uma ação responsável diante do planeta precisa necessariamente ter como foco principal o ser humano. A busca do equilíbrio entre as fontes naturais e as ações das empresas deve estar centrada em diminuir os impactos negativos sobre o meio, ao mesmo tempo que amplificar as ações positivas que são assumidas em sua defesa e proteção.

O transporte por ônibus, diante da realidade de um país como o Brasil, é naturalmente um exemplo de sustentabilidade, quando a realidade da mobilidade urbana em que vivemos traz quase sempre o individual prevalecendo sobre o coletivo.

O Gestor e Consultor Financeiro e Conselheiro de Administração do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), Leonardo Wengrover, definiu a importância de as empresas assumirem posturas corporativas que promovam o que chamou de “externalidades positivas”, e reduzam as “externalidades negativas”, como desperdício de água e combustível, falta de investimento em respeito aos colaboradores, falta de transparência em ações diante da sociedade e dos clientes dos serviços.

Na mesma toada, a engenheira ambiental Maria Constantino, experiência em Sustentabilidade e Mobilidade Urbana, reforçou a tese de que é preciso diminuir impactos negativos e potencializar os positivos. Ou seja, com palavras diferentes, ela traduziu a principal preocupação de seus colegas.

As empresas de transporte rodoviário já atuam de forma sustentável, mas isso não é mostrado, e algumas vezes sequer é percebido pela sociedade e pelos clientes, garante Maria Constantino. Defendendo que é preciso não apenas ser sustentável, mas “parecer sustentável”, ela ressaltou a importância da comunicação, tanto com clientes, quanto com os próprios colaboradores.

Maria acredita que deve nascer das próprias garagens muitas ideias e ações que construam atitudes transformadoras. Desde o reuso de água, até o cuidado com a manutenção do veículo para mitigar os danos à poluição ambiental.

Letícia Pineschi destacou as ações preventivas que muitas empresas já realizam de treinamento e cuidados essenciais junto aos colaboradores, como os motoristas, responsáveis não somente por ativos das empresas, mas principalmente pela vida, bem-estar e segurança dos clientes.

Construída em quatro pilares, a competitividade sustentável deve ter como foco o bem-estar da comunidade, seja aí o que se entende como os clientes diretos (passageiros), seja as cidades onde as empresas atuam e/ou têm suas sedes de negócios.

Governança Ambiental, Social e Corporativa, portanto, é um processo constante e crescente, que deve fazer parte da “alma” da empresa.

De acordo com todos os participantes, uma empresa que atua desta forma consegue perenizar sua presença na sociedade, garantir mercado, acolher respeito.

A transparência, termo tão em voga nos últimos tempos, deve fazer parte da vida da empresa, não como um adereço ou acessório, mas como uma prática diária e natural.

Por fim, uma empresa que atua com esses princípios saberá sempre entender os riscos do negócio como oportunidades de crescimento. No ambiente da pandemia, ao que Pedro Lins chamou de “novo diferente”, esse será o grande diferencial.

Para pensar assim é preciso que a empresa seja grande. Não se trata de tamanho de frota, nem de volume de capital, mas da forma como ela deve se posicionar socialmente e lidar com seus clientes e a comunidade em que está inserida.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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