OPINIÃO: Plástico: um caminho seguro nas rodovias

Sinalização das rodovias pode ser aperfeiçoada

Jorge Alexandre Oliveira e Décio Piemonte*

A segurança nas rodovias há tempos é prioridade nos planos de governo mundo afora. Para além da legislação e do monitoramento da malha viária, alguns países encontraram no plástico uma alternativa mais barata e eficaz para fabricação de dispositivos de sinalização como cones, barreiras e cavaletes, desenvolvendo um mercado específico, que também já é significativo do ponto de vista econômico.

No Brasil, embora esses equipamentos já façam parte do dia a dia de motoristas e pedestres, ainda há um mercado a ser explorado, considerando, principalmente, a capacidade produtiva do país para esse tipo de finalidade, sem necessidade de recorrer à importação, como é o cenário atual.

Nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, empresas do segmento viário apostaram no polietileno (PE) para rigorosos testes, incluindo simulações de acidentes automotivos – os conhecidos crash tests –, para aplicação na fabricação de itens como dispositivos atenuadores de impacto e balizadores, entre outros. Características como versatilidade, durabilidade, leveza, baixo custo e alta performance na absorção de impacto foram fundamentais para levar o produto dos laboratórios para as rodovias pelo mundo. Sabemos que EUA e China estão entre os principais produtores desses dispositivos de segurança, países de onde o Brasil importa boa parte das ideias que são utilizadas na malha rodoviária.

Para se ter uma ideia de grandeza, enquanto o Brasil transforma cerca de 100 toneladas de PE por mês em itens de segurança viária, de acordo com nossas estimativas e pesquisas, apenas um transformador norte-americano produz mensalmente peças com consumo de PE estimado em mil toneladas. O tamanho da malha viária brasileira, com mais de 1,7 milhão de quilômetros de estradas e rodovias – a quarta maior do mundo – e o que ainda precisamos percorrer para garantir mais segurança nas estradas (um estudo da Confederação Nacional do Transporte divulgado em 2018 apontou que os maiores índices de óbitos nas BRs ocorrem em trechos com problemas na sinalização), nos mostra o quanto podemos avançar nesse sentido.

O caminho para abertura desse mercado nacional às novas tecnologias depende também da evolução das normas brasileiras, que, embora alinhadas às regulamentações americanas e europeias, ainda são relativamente recentes. Um bom exemplo é o caso da NBR 7941, que trata de dispositivos antiofuscantes para a segurança viária – aqueles que evitam o ofuscamento pelo sol e pelos faróis dos veículos em contra fluxo. Essa norma foi recentemente revisada e atualizada pela ABNT, uma vez que o crescente nível de segurança que vem sendo exigido nas rodovias brasileiras passa, muitas vezes, pela necessidade de utilização desses dispositivos. Entre as tecnologias previstas na norma, estão as lamelas de polietileno, muito utilizadas em estradas norte-americanas e europeias sobre as barreiras de concreto que separam as vias. Por seu baixo custo, facilidade de instalação e pela manutenção simples, é uma solução que deverá ser adotada em grande escala nas novas obras e também em retrofits, ou seja, na modernização e atualização de rodovias existentes.

Vale lembrar que, distante dos números e de novas perspectivas de mercado, vidas podem ser poupadas com essas inovações a partir do plástico. Mesmo signatário do compromisso da01 para a Década de Ação pela Segurança no Trânsito, cuja primeira etapa terminou no final de 2020, o Brasil ainda registra números alarmantes de mortes e vítimas com lesões permanentes em acidentes de trânsito. Segundo o Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS), entre 2015 e 2019, mais de 30 mil pessoas perderam a vida em acidentes de trânsito no país.

Prover adequada pavimentação, sinalização e proteção nas vias é ação complementar às constantes campanhas de educação no trânsito, sempre voltadas aos condutores e pedestres.

*Jorge Alexandre é executivo de Desenvolvimento de Mercado na Braskem e Décio Piemonte é consultor da Cora Duarte Engenharia.

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