CPI do transporte coletivo de Belo Horizonte pede quebra do sigilo bancário de 23 empresários

Solicitação foi feita nesta semana. Foto: Divulgação / Câmara Municipal de Belo Horizonte.

Citado para prestar esclarecimentos, o sócio administrador da Tecnotrans não compareceu

WILLIAN MOREIRA

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que está investigando os contratos do transporte coletivo de Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais, solicitou nesta quarta-feira, 11 de agosto de 2021, a quebra do sigilo bancário de 23 pessoas envolvidas no processo investigatório.

Estes nomes são de empresários que podem estar envolvidos em um suposto esquema de cartel realizado na licitação de 2008, que é alvo de uma análise mais criteriosa da comissão parlamentar. 

“A população deseja isso. A cidade já pagou caro demais por este conluio de 2008 até aqui. Que essa quebra seja realizada não apenas para a CPI, mas também para seus desdobramentos. Se há um sistema corrupto, temos que apontar quem são os corruptores, sem o prejuízo dos agentes públicos envolvidos”, afirmou a vereadora Bella Gonçalves, em nota divulgada para a imprensa. 

Também integram esse pedido de quebra de sigilo, os nomes de quatro pessoas ligadas à empresa Sinergia Estudos e Projetos, que tinha a responsabilidade de analisar as propostas enviadas na concorrência pública.

Veja abaixo a relação das pessoas com a quebra do sigilo aprovada:

* Roberto José de Carvalho, dono da Rodopass Transporte Coletivo de Passageiros; 

* Rosângela Ribeiro Melo Peixoto e Charles Sírio Coelho, representantes do Consórcio Dom Pedro II; 

* José Marcio de Morais Matos, representante legal da Viação Globo, empresa líder do Consórcio BH Leste; 

* Sabina Augusta Kauark Leite e Ana Carolina Venâncio Salomão, representantes do Consórcio BH Leste; 

* José Braz Gomes Pereira Júnior, representante legal da Praiamar Transportes, empresa líder do Consórcio Via Urbana; 

* Marcelo Carvalho Santos, representante legal da Trancid, empresa integrante do Consórcio Via Urbana e do Consórcio Dom Pedro II; 

* Romeu Aguiar Carvalho, representante legal da Valadarense Transportes Coletivos e Guilherme Andrade Aquino, representante credenciado da mesma empresa; 

* Ana Paula Campos Carvalho, filha de Roberto José de Carvalho e também representante credenciada da Valadarense Transportes Coletivos; 

* Renaldo de Carvalho Moura, procurador dos representantes legais da Betânia Ônibus, empresa líder do Consórcio Dez; 

* Francisco Magalhães da Rocha e Eliane Mendes Campos, representantes do Consórcio Dez; 

* Humberto José Gomes Pereira, representante legal da Milênio Transportes, empresa líder do Consórcio Pampulha; 

* Luiz Wagner Dacache Balieiro e Renata De Fillippo, representantes do Consórcio Pampulha; 

* Eneide Carvalho Santos, representante legal da Urca Auto Ônibus, e Fernando Aguiar Carvalho, da Viação Carneirinhos.

Já pela Sinergia Estudos e Projetos, foram aprovadas as quebras de sigilos de Willian Alberto de Aquino Pereira; Wallace Fernandes Pereira e Livia Fernandes Pereira Tortoriello; e o engenheiro Márcio Gomes Bastos, que subscreveu o relatório da Sinergia que teria deixado supostamente de apontar as inúmeras semelhanças entre as propostas apresentadas. 

Durante a sessão, os parlamentares também aprovaram um pedido de informação destinado ao prefeito de Belo Horizonte, para que sejam prestados esclarecimentos referentes aos critérios que determinaram o preço da tarifa dos ônibus em R$ 4,50 no ano de 2018, valor acima dos R$ 3,45 apontados pelo movimento Tarifa Zero e abaixo dos R$ 6,35 apontados por uma auditoria realizada pela Maciel Consultores. 

AUSÊNCIA NA AUDIÊNCIA

A CPI esperava nesta quarta (11), tomar o depoimento do empresário André Luiz Barra, sócio-administrador da Tecnotrans, que vem sendo apontada como a facilitadora do suposto cartel. 

Luiz Barra não compareceu, segundo o presidente da CPI, vereador Gabriel , em razão de um habeas corpus concedido pela Justiça, enviado para a Câmara Municipal. 

Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Comentários

  1. DeSouza disse:

    Nada mais cabuloso do que usar consultores para avaliar propostas de preços administrados por entidades públicas. Não é raro descobrir-se interesses cruzados envolvendo o lado que pede (empresários), o lado que concede (órgão gestor público), e a entidade que vai Balancear um e outro (a citada Sinergia). Nesse angu tem caroço.

Deixe uma resposta