Pouso Alegre (MG) terá interrupção parcial do transporte coletivo a partir de 1º de julho

Pandemia trouxe grave crise à empresa, que pede socorro à prefeitura. Foto: Guilherme Estevan / Ônibus Brasil

Expresso Planalto comunicou a prefeitura que deixará de operar linhas rurais e sociais devido à grave crise que atravessa, e pediu ajuda urgente ao município sob risco de parar totalmente

ALEXANDRE PELEGI

A Expresso Planalto, atual concessionária do transporte público de Pouso Alegre, em Minas Gerais, comunicou formalmente a prefeitura nessa sexta-feira, 18 de junho de 2021, que deixará de operar parte do serviço a partir do dia 1º de julho.

Em nota encaminhada à imprensa neste sábado (19), a empresa explica que o motivo da redução dos serviços foi a redução superior a 50% no número de passageiros, somado a um aumento de 28% nos custos de operação, alavancado pelo aumento no preço do combustível. “Foi, ainda, obrigada a manter o transporte das gratuidades, que representa 18% dos passageiros, e a cumprir todos os horários estipulados pela prefeitura durante toda a pandemia”, diz a nota da Planalto.

A empresa informa que as mudanças geraram prejuízos, o que tornou inviável a manutenção do transporte.

Não é a primeira vez que Planalto pede socorro ao Executivo.

Desde o dia 27 de maio a viação ameaça paralisar o serviço de transporte público para pressionar a Prefeitura a tomar medidas que aliviem a situação financeira da empresa.

Na comunicação anterior, em 27 de maio, a Planalto alegou que, em caso de não obter apoio da prefeitura, sobrariam duas saídas somente: paralisar o serviço ou elevar a tarifa para R$ 8,25.

Na nota divulgada hoje a Expresso Planalto reitera a posição.

Leia abaixo na íntegra o comunicado da Planalto enviado à imprensa:

Nota enviada à imprensa:

Transporte vai parar em Pouso Alegre: com redução de passageiros e acúmulo de prejuízos, Expresso Planalto anuncia interrupção de diversas linhas

Desde o início da pandemia de Covid-19, o transporte público foi fortemente impactado, e, somente em 2020, centenas de empresas foram à falência. Em Pouso Alegre, a queda de passageiros no transporte coletivo ocasionou graves prejuízos à Expresso Planalto, responsável pelo serviço de transporte na cidade.

A empresa teve uma redução superior a 50% no número de passageiros e um aumento de 28% nos custos de operação, alavancado pelo aumento no preço do combustível. Foi, ainda, obrigada a manter o transporte das gratuidades, que representa 18% dos passageiros, e a cumprir todos os horários estipulados pela prefeitura durante toda a pandemia. As mudanças geraram prejuízos, e a manutenção do transporte se tornou inviável para a companhia. Por isso, a Expresso Planalto anunciou que, a partir do dia 1º de julho de 2021, irá paralisar o atendimento a diversas linhas da cidade, principalmente as linhas rurais e sociais, criadas para atender regiões menos populosas.

Como medida emergencial, a empresa informou à prefeitura e aguarda que ela crie estratégias para manter a rotina do transporte, já que a prestação desse serviço é responsabilidade do município.

Este é o segundo ofício protocolado durante a pandemia. No documento, a empresa explica o prejuízo acumulado e solicita um equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão, como tem sido feito em várias cidades da região e em todo o Brasil.

Caso o município não apresente uma saída, a única alternativa para garantir a manutenção do serviço será o aumento do valor da tarifa ao usuário, que poderá custar cerca de R$ 8,25 e, também, a redução de diversas linhas.

CRISE NO TRANSPORTE PÚBLICO

O setor do transporte público tem sofrido com a redução do número de passageiros e o aumento dos custos operacionais.

Em Minas Gerais, o Decreto Estadual 48.121 acrescentou ainda mais dificuldades ao setor de transporte urbano, uma vez que regulamenta a prestação e o fretamento de veículos para viagens, facilitando a ação de transportes clandestinos, que são uma concorrência desleal.

Os efeitos não demoraram a impactar os orçamentos das empresas, que precisaram recorrer aos governos municipais na tentativa de continuarem atuando. Em Poços de Caldas, por exemplo, para que não houvesse aumento de tarifa, a prefeitura teve que oferecer um subsídio. Caso contrário, o valor da passagem teria que subir. Em Varginha, o órgão propôs uma redução nos impostos para que a empresa que atua na cidade conseguisse realizar o pagamento dos funcionários sem atrasos.


Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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