Após pedido de recuperação judicial da Supervia, empresas de ônibus do Rio reafirmam risco de suspender operações de várias linhas

Para Fetranspor, não está sendo garantido equilíbrio econômico para a continuidade dos serviços

ADAMO BAZANI

Diversas linhas de ônibus em todo o Estado no Rio de Janeiro poderão ser paralisadas pelo fato de os sistemas de transportes não estarem conseguindo se manter economicamente.

A informação foi divulgada nesta terça-feira, 08 de junho de 2021, por meio de um comunicado da Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro), emitido um dia depois de a operadora dos trens, a Supervia, ter pedido recuperação judicial com dívidas na ordem de R$ 1,2 bilhão.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/06/07/com-dividas-que-somam-r-12-bilhao-supervia-entra-com-pedido-de-recuperacao-judicial/

A Fetranspor reúne as empresas de ônibus do Estado.

Por meio de nota, a entidade diz que os ônibus transportam 74% dos passageiros no Rio de Janeiro e que o poder concedente não tem demonstrado planos para garantir o reequilíbrio econômico-financeiro das empresas e a continuidade dos serviços.

A Fetranspor reafirma a sua preocupação com o atendimento à população diante da maior crise que atinge o transporte público no Estado do Rio de Janeiro. A decisão da SuperVia de recorrer ao processo de recuperação judicial expõe e confirma o esgotamento financeiro e a incapacidade operacional de concessionárias e permissionárias  de manter o serviço em condições que atendam às expectativas e aos desejos de seus clientes. A medida excepcional demonstra também que, para preservar a prestação de um serviço essencial sem o apoio do poder público, foi necessário solicitar proteção judicial.

Após 14 meses do início da pandemia de Covid-19, as empresas de transporte público estão cada vez mais pressionadas pela redução drástica no número de passageiros pagantes e o aumento dos custos de operação. Neste cenário adverso e incerto, é imprescindível a adoção de medidas urgentes e efetivas pelo poder concedente, que possam permitir a continuidade do serviço e garantir o direito social ao transporte, principalmente aos mais vulneráveis, como prevê a Constituição. A crise se torna ainda mais grave no Estado do Rio pela falta de apoio da administração pública em comparação às ações desenvolvidas para ajudar o transporte público em outros municípios e estados do Brasil. 

No caso específico do setor de ônibus, responsável por 74% dos deslocamentos realizados no transporte público, é fundamental que o poder concedente  viabilize urgentemente  o reequilíbrio econômico-financeiro das empresas, que, além dos efeitos causados pela pandemia de Covid-19, são impactadas também pelo congelamento da tarifa nos últimos dois anos. As medidas de socorro ao transporte público devem ser tomadas imediatamente sob o risco de fechamento de empresas e a suspensão de linhas, como tem sido solicitado, de forma insistente, ao poder público, a fim de evitar uma situação bem mais crítica do que um processo de recuperação judicial.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. carlos souza disse:

    Que tal decretar a extinção do Estado e proclamar o território terreno baldio,inabitável e desértico?Não tem legitimidade nenhuma mesmo.É só crime,mentira,milícia,tráfico,corrupção…

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