Ministério Público de Mato Grosso recomenda cumprimento de lei que dispensa uso de máscara

Lei também é válida para crianças com menos de três anos. Foto: Divulgação.

Pessoas com deficiência estão dispensadas da obrigatoriedade em espaços comuns e meios de transporte

JESSICA MARQUES

O Ministério Público de Mato Grosso vai recomendar o cumprimento da lei que dispensa o uso de máscaras para crianças e pessoas com deficiência.

Por meio da Procuradoria Geral de Justiça e da Procuradoria de Justiça Especializada em Defesa da Criança e do Adolescente, o órgão vai encaminhar a recomendação à Casa Civil do Governo de Mato Grosso.

O documento também será enviado a órgãos públicos, aeroportos, sindicatos e federações, para que cumpram a Lei nº 13.979/2020, que dispensa a obrigatoriedade do uso de máscara de proteção individual por pessoas com deficiência em locais públicos e espaços de uso comum, como aeronaves, ônibus, entre outros espaços públicos.

A lei determina que a obrigatoriedade de manter boca e nariz cobertos por máscara de proteção individual “será dispensada no caso de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), com deficiência intelectual, com deficiências sensoriais ou com quaisquer outras deficiências que as impeçam de fazer o uso adequado de máscara de proteção facial, conforme declaração médica, que poderá ser obtida por meio digital, bem como no caso de crianças com menos de três anos de idade”.

Para emitir a recomendação, o procurador-geral de Justiça, José Antônio Borges Pereira e o procurador de Justiça Paulo Roberto Jorge do Prado, titular da Procuradoria de Justiça Especializada em Defesa da Criança e do Adolescente, levaram em consideração a divulgação do fato de uma mãe e seu filho autista de cinco anos de idade terem sido impedidos por uma companhia aérea de embarcar em voo doméstico porque a criança não usava máscara de proteção. O episódio foi registrado no Aeroporto Marechal Rondon, em Cuiabá.

Neste caso, a a companhia aérea teria impedido o embarque da criança autista sem que estivesse usando máscara de proteção individual mesmo com a apresentação de laudo médico com diagnóstico de TEA, em desrespeito à legislação federal, bem como orientado à mãe que o menino só poderia embarcar sem máscara em um novo voo na madrugada do dia seguinte, mediante apresentação de autorização judicial.

“O Ministério Público de Mato Grosso tem atuado de maneira intransigente na fiscalização do cumprimento das medidas de prevenção à Covid-19, com base no que determinam a ciência e as autoridades sanitárias, mas não podemos nos omitir quando direitos das pessoas com deficiência, inclusive criança, como foi o caso ocorrido no Aeroporto Marechal Rondon, não são respeitados. São situações especiais previstas em lei, que precisam ser consideradas”, afirma o procurador-geral de Justiça, José Antônio Borges Pereira.

 “A Constituição Federal, no artigo 227, destaca que criança e adolescente devem ser tratados com prioridade absoluta pela família, sociedade e poderes e órgãos públicos, assim como tratados internacionais também fazem essa referência e o Estatuto da Criança e Adolescente estabelece a proteção integral. No referido caso, a criança não foi tratada com prioridade ou proteção, mas exposta ao vexame e à total falta de sensibilidade e despreparo, num local onde as pessoas sequer se atentaram aos direitos que estavam sendo violados”, observa, por sua vez, o procurador Paulo Roberto Jorge do Prado.

NOTIFICAÇÃO

O órgão vai notificar o secretário-chefe da Casa Civil do Estado de Mato Grosso, o secretário de Estado de Saúde de Mato Grosso, os secretários Municipais de Saúde de Cuiabá e Várzea Grande, a Secretaria de Mobilidade Urbana de Cuiabá (Semob), a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), a Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), a Secretaria Adjunta de Proteção e Defesa dos Direitos do Consumidor (Procon-MT) e a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Mato Grosso (Ager) para que promovam, de imediato,  todas as medidas e ações necessárias, inclusive com campanhas de conscientização, quanto ao cumprimento da lei.

Também destinatários da recomendação, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Sociedade Nacional de Apoio Rodoviário e Turístico Ltda (Sinart) e os aeroportos de todo o estado deverão realizar ampla divulgação e orientar as pessoas em local de fácil acesso sobre as exceções previstas em lei.

Já à Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso (Fecomércio-MT), à Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL-Cuiabá) e de Várzea Grande (CDL-Várzea Grande), à Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de Mato Grosso (FCDL-MT), à Associação de Supermercados de Mato Grosso (Asmat), ao Sindicato Intermunicipal de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Mato Grosso (SHRBS-MT) e ao Sindicato das Empresas de Supermercados de Mato Grosso (Sindesmat) será recomendado que promovam, de imediato, todas as medidas e ações necessárias, inclusive com campanhas de conscientização, quanto ao cumprimento da lei.

A recomendação conjunta é assinada também pelos promotores de Justiça Douglas Lingiardi Strachicini (2ª Promotoria de Justiça Cível de Várzea Grande), Audrey Thomaz Ility (6ª Promotoria de Justiça Cível de Várzea Grande), Luciano André Viruel Martinez (19ª Promotoria de Justiça Cível de Cuiabá), Wagner Cezar Fachone (34ª Promotoria de Justiça Cível de Cuiabá), Wellington Petrolini Molitor, coordenador colaborador do Centro de Apoio Operacional (CAO) Pessoa com Deficiência, e pelo promotor Silvio Rodrigues Alessi Júnior, da 5ª Promotoria Cívil de Várzea Grande.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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